Terça-feira, 17 de Maio de 2016

Escola Pública Promotora de Coesão Social

 

«Slides utilizados na intervenção que fiz num seminário sobre a Escola Pública e coesão social organizado pelo Sindicato dos Professores do Norte, que teve lugar em Oliveira de Azeméis em 14/5/2016.»

 

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publicado por António Vilarigues às 15:51
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Domingo, 13 de Abril de 2008

O pensamento social neoliberal: IV - o mito da flexibilidade=liberdade

    Quarto de sete posts descaradamente «surripiados» ao João Valente Aguiar do Blog «Vinhas da Ira»:


«4 - O mito da flexibilidade=liberdade. De acordo com o que se avalizou no post anterior, o capital procura inculcar nos trabalhadores modelos ideológicos com o propósito de estes actuarem como mini-empreendedores, como auto-empregadores. Esse vector ideológico não contribui apenas para criar referências de actuação individual dos trabalhadores coincidentes com os desígnios do capital. Importa também ao capital utilizar tal artifício como justificação e legitimação para o acentuamento da extracção de mais-valia, para o agravar da exploração da força de trabalho. Nesse âmbito, a retirada de direitos: o aumento da carga horária e da intensidade do trabalho; a limitação das idas à casa-de-banho, refeições, etc.; o reduzir de subsídios de alimentação, doença, assiduidade, etc. anexos ao salário; a redução salarial (em relação ao volume global de riqueza criada) - tudo isto, modalidades de redução do valor da força de trabalho, portanto, modalidades de aumento da exploração - são assumidos pelo capital perante os trabalhadores como inevitabilidades. A todo este processo de desbaste de direitos laborais o capital dá-lhe o nome de flexibilidade.

Na óptica dos apologistas neoliberais, tudo o que acrescentar valor ao salário, tudo o que assegurar um nível razoável à massa salarial é tomado como um atentado às liberdades individuais de cada trabalhador, pois este deveria apresentar-se no mercado livre de quaisquer “amarras” a não ser a mais completa ausência de garantias laborais. Para o pensamento neoliberal, a transformação do trabalhador em peça livre, em pau para toda a obra do capital é o consumar da “liberdade” individual. Ou seja, o indivíduo reduzido a si mesmo, o indivíduo trabalhador disponível a toda a hora e a todo o momento para executar as tarefas produtivas definidas pelo capital. A isto o capital chama de liberdade. Chamar-lhe-e-mos, a liberdade de o capital fazer do trabalhador uma mercadoria ajustável aos objectivos de elevação do lucro. Ainda mais simplesmente, a flexibilidade é a liberdade do capital fazer do trabalhador um indivíduo escravo dos ditames do lucro.

Independentemente de todos os artifícios ideológicos, a liberdade de uma classe é a ausência/constrangimento de liberdade da outra.»

(sublinhados meus)

                          
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publicado por António Vilarigues às 00:07
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Sábado, 12 de Abril de 2008

O pensamento social neoliberal: III - os colaboradores

    Terceiro de sete posts descaradamente «surripiados» ao João Valente Aguiar do Blog «Vinhas da Ira»:


«3 - a comunidade ilusória dos colaboradores. Querendo ofuscar a existência da luta de classes, o pensamento neoliberal fundamenta a tese da comunhão de interesses entre patrões e trabalhadores. Nada de novo neste aspecto, a não ser a recauchutagem formal dos termos utilizados. Se as empresas até à década de 70 diziam que tinham x trabalhadores ou x empregados, com o avanço neoliberal rapidamente o patrão passou a empregador e o trabalhador/empregado/funcionário a colaborador. O capital sempre pregou a comunhão de interesses entre trabalhadores e patrões como forma de amenizar as lutas operárias e, por essa via, tentar captar camadas operárias para o seu lado. O conceito do colaborador é, por um lado, uma extensão quantitativa desse fenómeno. Isto é, o colaborador surge na sequência histórica que mencionei acima. Porém, por outro lado, o conceito do colaborador é uma extensão qualitativa das teses da conciliação e da paz entre as classes. A identificação do trabalhador como um outro relativamente à empresa, a identificação do trabalhador como pertencente a uma categoria distinta da empresa permitiu que a própria cultura operária e a acção política das suas organizações de classe formassem, nuns casos mais noutros menos, a consciência de classe do trabalhador. No caso mais recuado, o trabalhador ao ser considerado pela própria empresa como trabalhador ou empregado sabia de antemão que ele não seria bem igual aos donos da empresa onde trabalhava. Por outro lado, o conceito de empregado chamava a atenção para o facto de que quem controlava (e controla) o recrutamento da mão-de-obra é o patrão. Por isso é que haviam os “empregados”, isto é, indivíduos despossuídos de qualquer recurso de produção a não ser o seu próprio corpo e a sua mente. O conceito de trabalhador era ainda mais subversivo, no sentido em que afirmava quase taxativamente qual a função do indivíduo assalariado na empresa - trabalhar, produzir - ficando para o patrão a função de dirigir o processo de trabalho e, no final deste, arrecadar os lucros obtidos com a venda das mercadorias produzidas, precisamente, pelos que trabalhavam, os trabalhadores.

O conceito de colaborador é sui generis porque procura apresentar o pólo antagónico da relação capital/trabalho como se um par complementar se tratasse. Ou seja, o pensamento neoliberal vai ainda mais além do pensamento funcionalista clássico das teses capitalistas comuns. O trabalhador não apenas tem uma função complementar ao do patrão: onde uns seriam detentores de trabalho e outros de capital (maquinaria e dinheiro - como se estes não fossem também eles fruto do… trabalho!). No pensamento neoliberal vai-se ainda mais longe: o trabalhador é um amigo colaborador do patrão. Isto é, o trabalhador mais ganha e mais recebe quanto mais veste a camisola da empresa, quanto mais horas não-pagas oferece à empresa, quanto mais labor, suor e reflexão oferecer à sua segunda família: a empresa. O trabalhador é um da equipa da empresa onde todos são comparsas e se direccionam para o mesmo objectivo: expandir os níveis de lucratividade da empresa. Assim, ao trabalhador fomenta-se a ideia de que há inimigos a abater: os trabalhadores das outras empresas em competição, os trabalhadores em geral que defendem ou ainda têm vínculos laborais estáveis e com salários relativamente bem pagos. Esses são os parasitas que impedem a competitividade da empresa. O trabalhador dentro do conceito do colaborador é, então, uma espécie de mini-empreendedor de si mesmo que tem de ser capaz de vender a sua força de trabalho, a sua força física e as suas capacidades intelectuais (adquiridas ou não) pelo preço mais competitivo (mais baixo) do mercado.

Com esta estratégia ideológica (não esqueçamos, sempre apresentada como inevitável e perfeitamente natural), pretende o capital reforçar as teses da comunhão de interesses entre trabalhadores e patrões. As contradições do sistema e os seus efeitos devastadores colocam aos trabalhadores a necessidade da luta. Que surje sempre, independentemente do tempo de duração das receitas ideológicas da classe dominante.»

(sublinhados meus)

                           
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publicado por António Vilarigues às 00:03
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Sexta-feira, 11 de Abril de 2008

O pensamento social neoliberal: II - o custo e o benefício

    Segundo de sete posts descaradamente «surripiados» ao João Valente Aguiar do Blog «Vinhas da Ira»:


«2 - o custo/benefício como código de leitura e de acção. A assunção de que o mercado (no sentido, da transformação da matéria, seja ela qual for, em mercadoria) é uma instituição natural e inultrapassável, cria a imagem de que a racionalização que os agentes sociais (na linguagem neoliberal não são sociais, mas tão-somente económicos) fazem das suas condutas passaria inevitavelmente por um raciocínio do tipo custo/benefício. Basicamente, o indivíduo teria que se comportar sempre de acordo com a equação “quantos mais benefícios tiver em relação aos prejuízos melhor”. Em termos muito gerais e um tanto ou quanto vagos, esta asserção até pode ser verdadeira. Qualquer pessoa na sua vida, como é óbvio, gosta de ter mais aspectos positivos do que negativos, mais bons momentos do que maus momentos. Contudo, o raciocínio neoliberal - que, curiosamente, se afirma tão natural e amoral mas que prega a moral do capital a toda a hora - equipara o bem e o mal não em termos das necessidades reais das pessoas, mas em termos dos ganhos económicos. Na base, o indivíduo e a sociedade no seu conjunto devem raciocinar na linha do custo/benefício tendo em conta os ganhos de lucratividade económica do mesmo. Por exemplo, uma determinada tecnologia na produção de componentes automóveis eleva a intensidade do trabalho, permitindo fabricar mais peças, por conseguinte, aumentando a produtividade da empresa e a correlativa lucratividade. Mas, ao mesmo tempo, considera-se que os salários devem manter-se e, num outro plano, essa nova maquinaria provoca danos nas articulações e nos tendões dos trabalhadores dessa empresa. O raciocínio neoliberal (que mais parece um reflexo condicionado pavloviano do que um uso da razão) pregará, neste caso, que como a máquina eleva os benefícios (o lucro) da empresa e baixa os custos com capital fixo, então nada melhor do que a aplicar ao processo de produção. Ora, do ponto de vista dos trabalhadores, a tecnologia não é neutra e deve estar ao serviço da satisfação das necessidades dos seres humanos e não para elevar a massa de capital à custa do rolo compressor do capital.

Debaixo do manto diáfano do pensamento neoliberal, a nudez crua da luta de classes.»

(sublinhados meus)

                            
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publicado por António Vilarigues às 00:03
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