Quinta-feira, 14 de Maio de 2015

14 de Maio de 1948: Proclamação do Estado de Israel

Declaration_of_State_of_Israel_1948_1

A proclamação do Estado de Israel foi feita pelo dirigente sionista David Ben Gurion, às 4 da tarde de 14 de Maio de 1948, numa cerimónia realizada no Museu de Telavive.

Israel nasceu sem fronteiras definidas, pois como o próprio Ben Gurion escreveu em finais de 1947, o importante era «erigir de imediato um Estado judeu (…) O resto virá com o tempo». O novo país, defendia, «terá os limites que os seus soldados forem capazes de traçar».

 

Passados 67 anos, a Palestina continua a ferro e fogo...

 

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Terça-feira, 30 de Março de 2010

O que é o Sionismo

Stylianos Tsirakis (ST) – Em seu livro The Hidden History of Zionism (A História Oculta do Sionismo), você descreve quatro mitos sobre a história do sionismo. Nós gostaríamos que você explicasse um pouco seu livro.

Ralph Schoenman (RS) – O meu trabalho na Fundação Bertrand Russel foi importante por me dar a chance de documentar fatos da formação do Estado sionista de Israel. Em cursos e palestras que proferi em mais de uma centena de universidades americanas e européias, pude constatar que as pessoas não sabiam, não tinham conhecimento da história do movimento sionista, dos seus objetivos e de vários fatos. Nessas ocasiões deparei com concepções equivocadas sobre a natureza do Estado de Israel e foi isso que impulsionou o meu trabalho de escrever o livro, The Hidden History of Zionism, no qual eu abordo o que chamo de os quatro mitos que têm moldado a consciência nos Estados Unidos e na Europa sobre o sionismo e o Estado de Israel.

ST - Quais são esses quatro mitos?

RS – O primeiro mito é o da “terra sem povo para um povo sem terra“. Os primeiros teóricos sionistas, como Theodor Herzl e outros, apresentaram para o mundo a Palestina como uma terra vazia, visitada ocasionalmente por beduínos nômades; simplesmente, uma terra vazia, esperando para ser tomada, ocupada. E os judeus eram um povo sem terra, que se originaram historicamente na Palestina; portanto, os judeus deveriam ocupar essa terra. Desde o começo, os primeiros núcleos de colonos, promovidos pelo movimento sionista, foram caracterizados pela remoção, pela expulsão armada da população palestina nativa do local onde essa população vivia e trabalhava.

ST - Quais os outros três mitos?

RS – O segundo mito que o livro pretende discutir é o mito da democracia israelense. A propaganda sionista, desde o início da formação do Estado de Israel, tem insistido em caracterizar Israel como um Estado democrático no estilo ocidental, cercado por países árabes feudais, atrasados e autoritários. Apresentam então Israel como um bastião dos direitos democráticos no Oriente Médio. Nada poderia estar mais longe da verdade.

Entre a divisão da Palestina e a formação do Estado de Israel, num período de seis meses, brigadas armadas israelenses ocuparam 75% da terra palestina e expulsaram mais de 800 mil palestinos, de um total de 950 mil. Eles os expulsaram através de sucessivos massacres. Várias cidades foram arrasadas, forçando assim a população palestina a refugiar-se nos países vizinhos, em campos de concentração e de refugiados. Naquele tempo, no período da formação do Estado de Israel, havia 475 cidades e vilas palestinas, que caíram sob o controle israelita. Dessas 475 cidades e vilas, 385 foram simplesmente arrasadas, deixadas em escombros, no chão, apagadas do mapa. Nas 90 cidades e vilas remanescentes, os judeus confiscaram toda a terra, sem nenhuma indenização. Hoje, o Estado de Israel e seus organismos governamentais, tais como o da Organização da Terra, controlam cerca de 95% da terra palestina.

Pela legislação existente em Israel, é necessário provar, por critérios religiosos ortodoxos judeus, a ascendência judaica por linhagem materna até a quarta geração, para poder possuir terra, trabalhar na terra ou mesmo sublocar terra. Como eu digo sempre, nas palestras em que apresento meus pontos de vista, em qualquer país do mundo (seja Brasil, EUA, onde for), se fosse necessário preencher requisitos parecidos com esses, ninguém duvidaria do caráter racista de tal Estado; seria notória a existência de um regime fascista.

A Suprema Corte em Israel tem ratificado que Israel é o Estado do povo judeu e que, para participar da vida política israelense, organizar um partido político, por exemplo, ou ter uma organização política, ou mesmo um clube público, é necessário afirmar que se aceita o caráter exclusivamente judeu do Estado de Israel. É um Estado colonial racista, no qual os direitos são limitados à população colonizadora, na base de critérios raciais.

O terceiro mito do qual falo em meu livro é aquele criado para justificativa da política de Israel, que se diz baseada em critérios de segurança nacional. A verdade é que Israel é a quarta potência militar do mundo. Desde 1948, os EUA deram a Israel US$ 92 bilhões em ajuda direta. A magnitude dessa soma pode ser avaliada quando observamos que a população israelense variou entre 2 a 3 milhões nesse período. Se o governo americano dá algum dinheiro para países como Taiwan, Brasil, Argentina, e a aplicação desse dinheiro tiver alguma relação com fins militares, a condição é que as compras desse material têm que ser feitas dos EUA. Mas há uma exceção: as compras de material bélico podem ser feitas também de Israel. Israel é tratado pelos EUA como parte de seu território, em todos os assuntos comerciais.

O que motivaria uma potência imperialista a subsidiar tanto um Estado colonial? A verdade é que Israel não pode mesmo existir sem a ajuda americana, sem os US$ 10 bilhões anuais. Israel é, portanto, a extensão do imperialismo na região do Oriente Médio. Israel é o instrumento através do qual a revolução árabe é mantida sob controle. É, portanto, o instrumento através do qual as ricas reservas do Oriente Médio são mantidas sob o controle do imperialismo americano. É também um meio através do qual os regimes sanguinários dos países árabes são mantidos no governo, graças ao clima de tensão gerado por uma possível invasão israelense.

O quarto mito a que me refiro no livro, que tem influenciado a opinião pública mundial, refere-se à origem do sionismo, à origem do Estado de Israel. O sionismo tem sido apresentado como o legado moral do holocausto, das vítimas do holocausto. O movimento sionista tem como que se “alimentado” da mortandade coletiva dos 6 milhões de vítimas da exterminação nazista na Europa. Esta é uma terrível e selvagem ironia. A verdade é bem o oposto disso. A liderança sionista colaborou com os piores perseguidores dos judeus durante o século XIX e o século XX, incluindo os nazistas.

Quando alguém tenta explicar isso para as pessoas, elas geralmente ficam chocadas, e perguntam: o que poderia motivar tal colaboração? Os judeus foram perseguidos e oprimidos por séculos na Europa e, como todo povo oprimido, foram empurrados, impelidos a desafiar o establishment, o statu quo. Os judeus eram críticos, eram dissidentes. Eles foram impelidos a questionar a ordem que os perseguia. Então, o melhor das mentes da inteligência judia foi impelido para movimentos que lutavam por mudanças sociais, ameaçando os governos estabelecidos. Os sionistas exploraram esse fato a ponto de dizer para vários governos reacionários que o movimento sionista iria ajudá-los a remover esses judeus de seus países. O movimento sionista fez o mesmo apelo ao Kaiser na Alemanha, obtendo dele dinheiro e armas. Eles se reivindicavam como a melhor garantia dos interesses imperialistas no Oriente Médio, inclusive para os fascistas e os nazistas.

ST - Como se deu essa colaboração dos sionistas com os nazistas?

RS – Em 1941, o partido político de Itzhak Shamir (conhecido hoje como Likud) concluiu um pacto militar com o 3º Reich alemão. O acordo consistia em lutar ao lado dos nazistas e fundar um Estado autoritário colonial, sob a direção do 3º Reich. Outro aspecto da colaboração entre os sionistas e governos e Estados perseguidores dos judeus é o fato de o movimento sionista ter lutado ativamente para mudar as leis de imigração nos EUA, na Inglaterra e em outros países, tornando mais difícil a emigração de judeus perseguidos na Europa para esses países. Os sionistas sabiam que, podendo, os judeus perseguidos na Europa tentariam emigrar para os EUA, para a Grã- Bretanha, para o Canadá. Eles não eram sionistas, não tinham interesse em emigrar para uma terra remota como a Palestina. Em 1944, o movimento sionista refez um novo acordo com Adolf Eichmann. David Ben Gurion, do movimento sionista, mandou um enviado, de nome Rudolph Kastner, para se encontrar com Eichmann na Hungria e concluir um acordo pelo qual os sionistas concordaram em manter silêncio sobre os planos de exterminação de 800 mil judeus húngaros e mesmo evitar resistências, em troca de ter 600 líderes sionistas libertados do controle nazista e enviados para a Palestina. Portanto, o mito de que o sionismo e o Estado de Israel são o legado moral do holocausto tem um particular aspecto irônico, porque o que o movimento sionista fez quando os judeus na Europa tinham a sua existência ameaçada foi fazer acordos, e colaborar com os nazistas.

Ralph Schoenman foi diretor-executivo da Fundação pela Paz Bertrand Russell, papel através do qual conduziu negociações com inúmeros chefes de Estado. Com seu trabalho assegurou a libertação de prisioneiros políticos em muitos países e fundou o Tribunal Internacional dos Crimes de Guerra dos Estados Unidos na Indochina, organização da qual foi secretário-geral. Velho militante, fundou o Comitê dos 100, que organizou a desobediência civil massiva contra as armas nucleares e as bases americanas na Grã-Bretanha. Foi também fundador e diretor da Campanha de Solidariedade ao Vietnã e diretor do Comitê “Quem Matou Kennedy?” Tem sido líder do Comitê por Liberdade Artística e Intelectual no Irã e co-diretor do Comitê em Defesa dos Povos Palestino e Libanês e do Movimento de Solidariedade de Trabalhadores e Artistas Americanos. Atualmente é diretor executivo da Campanha Palestina, que clama pelo fim de toda ajuda a Israel e por uma Palestina laica e democrática.

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Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

Não há «israelitas» nem «palestinianos»

    Em 1947, a ONU aprova um plano de partilha da Palestina em dois estados: um judaico, com um milhão de habitantes, 510 mil dos quais árabes; um árabe, com 814 mil habitantes, 10 mil dos quais judeus.

Jerusalém, cidade santa para três religiões, ficaria com estatuto de cidade internacional. Segundo as estimativas da época, a população árabe da Palestina era de um milhão e 300 mil pessoas e a judaica rondava o meio milhão.

A 15 de Maio de 1948, David Ben Gurion proclama o nascimento do Estado de Israel. Com uma fronteira radicalmente diferente da aprovada pela ONU. Com um território um terço superior ao acordado. A "Grande Israel" estava em marcha. O Estado Palestiniano era um nado-morto. Até hoje! 

No seguimento destes acontecimentos, a ONU aprova, em 1949, a Resolução 194, que decide permitir aos refugiados que o desejem o regresso às suas casas com direito a compensações pela destruição dos seus bens. Só que em 1948, David Ben Gurion, então primeiro-ministro, declarou: "Devemos impedir o seu regresso a qualquer preço". Hoje são mais de três milhões. 

Na sequência da Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel ocupa o resto da Palestina (Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém-Leste). Ao arrepio da Resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU, nesse mesmo Verão a colonização dos territórios ocupados começa com a construção de novos colonatos. Lucidamente, David Ben Gurion defende a não colonização, prevendo as consequências da transformação do seu país em potência ocupante. Hoje existem mais de 200 mil colonos instalados em colonatos nos territórios ocupados. 

Esta é a raiz real e profunda do conflito. Só com a retirada do exército israelita para as posições anteriores às ocupações de 1967 e a destruição do muro; só com o desmantelamento de todo o sistema de colonatos israelitas; só com o fim do cerco a Gaza; só com a solução da questão dos refugiados palestinianos de acordo com as resoluções da ONU, só com o reconhecimento do direito do povo palestiniano à edificação do seu Estado, livre, independente e viável com capital em Jerusalém Leste, lado a lado com Israel; só verificadas todas estas condições é que poderemos falar de uma real paz justa e duradoura na região. 

Em Israel e no campo palestiniano todos os intervenientes políticos o sabem. Dos dois lados há quem lute consequentemente por esta solução. Dos dois lados há quem a procure destruir e inviabilizar. 

A chamada comunidade internacional omite que, quer na sociedade israelita, quer na sociedade palestiniana, há forças sociais e políticas bem diferenciadas. Esconde que há radicais dos dois lados da barricada. E moderados. E forças consequentes. Fala do terrorismo palestiniano, que é real. Mas aceita de bom grado chefes de Governo terroristas (Begin, Shamir, Sharon) que afirmam alto e bom som que primeiro há que matá-los (os palestinianos) para só depois negociar. Que proclamam que a Palestina é a Jordânia. Aceita governos de Israel onde participam partidos, com vários ministérios, que, em palavras e actos, negam TODOS os direitos aos palestinianos.

Há quem seja incapaz de ver os acontecimentos de forma diferente da redutora divisão entre bons de um lado e maus de outro. Felizmente há outros exemplos. Como o professor Richard Falk, relator especial do Conselho dos Direitos Humanos da ONU. Como Daniel Barenboim e Mariam Said, os promotores da paz através da música. Como o PC de Israel e a Frente Democrática para a Paz e a Igualdade que nestes dias se reuniram em Ramalah com representantes de facções da esquerda palestiniana, incluindo a Frente Democrática para Libertação da Palestina, a Frente Popular para a Libertação da Palestina e o Partido do Povo Palestino (comunistas). Como os militares que se recusam a disparar e a bombardear a Palestina. Como tantos e tantos outros que em Israel e na Palestina defendem um processo de paz genuíno. O trágico, dizem, é que isto é possível. Só é preciso querer.

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

                                                                     

In jornal "Público" - Edição de 9 de Janeiro de 2009

                                                          

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Terça-feira, 30 de Dezembro de 2008

Apelo de Solidariedade

    Nós, os Partidos Comunistas e Operários de todas as regiões do mundo condenamos veementemente os contínuos e assassinos bombardeamentos da força aérea israelita na Faixa de Gaza que já provocaram a morte mais de 300 palestinianos. Estes brutais ataques e outros crimes perpetrados pelo exército israelita, visam alcançar o que não foi conseguido através da imposição do muro sionista, do cerco e do bloqueio: quebrar a resistência do povo palestiniano. 

A política de genocídio praticada pelo governo israelita, sancionada e apoiada pelas forças imperialistas nos EUA, pela maioria dos governos dos países da União Europeia e aceitada por alguns governos reaccionários árabes, é uma nova provocação contra os povos e contra o movimento de solidariedade em todo o mundo. 

Apelamos aos trabalhadores, às mulheres, à juventude e outros sectores, a todas as forças da paz e anti-imperialistas que se mobilizem contra a criminosa política e ataques de Israel exigindo o seu fim imediato e o estabelecimento de sanções contra Israel. Apelamos ao desenvolvimento imediato de acções de solidariedade e de apoio humanitário ao povo palestiniano. 

Os nossos Partidos expressam a sua firme solidariedade com a resistência contra as agressões, com as forças progressistas, anti-imperialistas e comunistas da Palestina e de Israel e com todos aqueles que prosseguem a luta pelo estabelecimento do Estado da Palestina independente com as fronteiras de 1967 e com Jerusalém Leste como sua Capital. 

Liberdade e independência para a Palestina!
                             
O Grupo de Trabalho do Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários

                      

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Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

Deixemos a História falar por si

    O último estado judeu na Palestina durou até 587 A.C., data em que foi arrasado pelos babilónios.

Ao longo dos séculos, os descendentes dos filisteus (os palestinos), viveram sempre em paz com os judeus residentes na Palestina, que constituíam uma minoria.

Em 1917, sob pressão das organizações sionistas, o governo britânico publicou a Declaração de Balfour (nome do MNE de então). Estava criado, em meia dúzia de linhas, o mais delicado e complexo problema dos nossos dias! 

O Governo de Sua Majestade é favorável ao estabelecimento de um lar nacional judaico na Palestina, e empregará todos os seus esforços para facilitar a realização deste objectivo, ficando claro que nada será feito no sentido de prejudicar quer os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas da Palestina, quer os direitos e o estatuto político que os judeus usufruem noutros países”.

No ano desta declaração os judeus representavam cerca de 8% dos habitantes da Palestina. Em 1931 eram 17,5%. Em 1938 atingiam os 35%, aumentando o descontentamento dos palestinos pela forma como as colónias eram implementadas. Até 1948 mais 150.000 chegam clandestinamente, fora os que o fizeram pelas vias legais. 

Em 1947 iniciam-se os confrontos armados entre judeus e palestinos. Neste mesmo ano a ONU aprova um plano de partilha do país em dois Estados: um judaico, com 1 milhão de habitantes, 510 mil dos quais árabes; um árabe, com 814 mil habitantes, 10 mil dos quais judeus. Jerusalém, cidade Santa para três religiões, ficaria com estatuto de cidade internacional. Segundo as estimativas da época, a população árabe da Palestina era de 1 milhão e 300 mil pessoas e a judaica rondava o meio milhão.

Em 1948 grupos de judeus armados destroem pelo menos duzentas e cinquenta aldeias árabes, provocando, até 1950, o exílio forçado de 900 mil palestinos. Um desses grupos (terroristas?), o Irgoun, era chefiado por Menahem Begin, futuro 1º Ministro de Israel (o primeiro não membro do Partido Trabalhista), que assinou os chamados acordos de Camp David com o Egipto em 1978. Outro, o Lehi, por Itzhak Shamir, igualmente futuro 1º Ministro. Ambos são confessadamente responsáveis pelo massacre de 250 habitantes da aldeia palestina de Deir Yassine a 10 de Abril de 1948 (a tradição já vem de longe...).

    A 15 de Maio de 1948 David Ben Gurion proclama o nascimento do Estado de Israel. Com uma fronteira radicalmente diferente da aprovada pela ONU. Com um território 1/3 superior ao acordado ! A “Grande Israel” estava em marcha. O Estado Palestino era um nado-morto.

No seguimento destes acontecimentos a ONU aprova, em 1949, a resolução 194 que decide permitir aos refugiados que o desejem o regresso às suas casas com direito a compensações pela destruição dos seus bens. Só que em 1948, David Ben Gurion, então 1º ministro, declarou: “Devemos impedir o seu regresso a qualquer preço”. Hoje são mais de 3 milhões e um dos complexos problemas a resolver no âmbito dos acordos de paz.

Os estados Árabes não reconhecem o Estado de Israel. Erro político crasso, que continua até aos nossos dias (excepto Egipto e Jordânia) e que tem contribuído para alimentar, de parte a parte, políticas antidemocráticas e militaristas. Além disso anexam, em 1950, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.

De 1948 a 1965 (a primeira acção armada da Fatah contra Israel realiza-se a 1 de Janeiro de 1965), durante 16 anos, os palestinos lutam politicamente no interior dos territórios ocupados. Ninguém os ouve. 

Na sequência da Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel ocupa o resto da Palestina (Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém-Leste). Ao arrepio da resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU, nesse mesmo verão a colonização dos territórios ocupados começa com a construção de novos colonatos. Lucidamente David Ben Gurion defende a não colonização, prevendo as consequências da transformação do seu país em potência ocupante. 

Em 1970 rebentam graves confrontos entre o governo jordano e a Organização de Libertação da Palestina (OLP). Há milhares de mortos. É o “Setembro negro”. A OLP é esmagada e o núcleo dirigente transfere-se para o Líbano. Uma parte da sua direcção envereda pelo terrorismo individual, opção que só terminará em 1974. Inicia-se a política de “olho por olho, dente por dente”. A cada atentado Israel responde com a liquidação física de dirigentes da resistência palestina. Em 1974 a ONU confere à OLP o estatuto de membro observador.

Mais de 34 anos depois esta política mantém-se, sem grandes resultados práticos à vista. O estado de Israel tem sido advogado de acusação, de defesa, juiz e carrasco de extremistas e de activistas palestinos. E nunca falha! Israel diz que é terrorista e está dito!

A tensão entre Israel e os estados Árabes vizinhos mantém-se. Guerra de 1973, dita do Yon Kippur. Invasões sucessivas do Líbano, a mais grave das quais em 1982, chefiada por Ariel Sharon. Este promete ao seu governo e aos seu povo conquistar Beirute em 24h. Leva 76 dias! Pelo caminho massacra milhares de refugiados palestinos indefesos. ArielSharon é considerado criminoso de guerra no seu próprio país, Israel.

A luta política e sindical prossegue ao longo de todos estes anos no interior dos territórios ocupados. Traduzindo-se, por exemplo, na eleição sucessiva de presidentes de câmaras na Cisjordânia ocupada. Em estreita aliança com as forças de esquerda de Israel, facto que é ocultado pela generalidade da comunicação social. Arrostando com incompreensões, perseguições e ostracismos, comunistas e seus aliados, de ambos os lados da barricada, são praticamente as únicas forças políticas no terreno a cooperarem mutuamente na defesa de uma solução pacífica. O PC de Israel é, espante-se, o único partido político israelita, que conta nas suas fileiras com militantes árabes e judeus. Por esse facto foi, e é, apodado de traidor. O PC Palestino (Partido do Povo Palestino) manteve sempre relações com forças políticas israelenses, defendeu sempre o direito à existência do Estado de Israel. Por esse facto estava (até 1987) proibido de integrar a OLP.

    Em 1987, dirigido pelas forças políticas do interior dos territórios ocupados, e durante alguns meses não apoiado pela OLP, inicia-se um levantamento que passaria à história como a 1ª Intifada. Os governos de Israel vêem-se confrontados com uma situação inteiramente nova, para a qual não estavam manifestamente preparados. Como resposta, para reprimir manifestações, em lugar da polícia enviam o exército. As consequências não se fazem esperar. Mortos, mortos e mais mortos.

Um convite à reflexão. Desde 1987 até hoje nunca vimos um bastão, um escudo e viseira, um canhão de água israelita a pôr fim às manifestações. Mas vimos soldados armados de metralhadoras, carros blindados e até helicanhões.

Para desacreditar a luta, os serviços secretos de Israel recorrem a todos os meios. O Hamas, movimento radical islâmico, defensor da luta terrorista e contrário ao reconhecimento do estado de Israel é legalizado em 1987. Estranha decisão! Ou talvez não, já que o Hamas, combatia com o mesmo ardor a Intifada e a direcção da OLP.

A fome, a miséria, a frustração, a humilhação, o desrespeito mais elementar do direito internacional e dos direitos humanos, conduziram, em 21 anos, à transformação do Hamas de movimento insignificante em pesadelo de Israel. Ainda por cima com apoio significativo da população palestina. Podemos fazer uma comparação com os americanos e Bin Laden: usaram-no e depois perderam-lhe o controle.

Em Setembro de 1993 Israel e OLP reconhecem-se mutuamente. Quarenta e seis anos depois das resoluções da ONU! São assinados os Acordos de Oslo. Com o assassinato de Itzhak Rabin em 1995 e a chegada de Benjamin Nétanyahou ao poder em 1996 os Acordos passam a letra morta. E assim continuam até hoje.

    Esta é uma questão de fundo. Israel não tem cumprido os acordos que celebra com os palestinos. Hoje existem mais de 200 mil colonos instalados em colonatos nos territórios ocupados. Contrariando as resoluções da ONU. Contrariando os compromissos por si assumidos.

Durante o consulado de Nétanyahou são assassinados, em manifestações 85 palestinos. Mais de 1.200 ficam feridos. Não há nenhum atentado terrorista por parte dos palestinos.

A 28 de Setembro de 2000 o chefe do Likoud, Ariel Sharon, desloca-se provocatoriamente escoltado por dois mil (!!!) soldados, à esplanada das Mesquitas em Jerusalém, terceiro lugar sagrado do Islão. No dia seguinte dão-se os primeiros confrontos, surgem as primeiras vítimas. Inicia-se a 2ª Intifada com as consequências conhecidas.

A chamada comunidade internacional omite que, quer na sociedade israelita, quer na sociedade palestina, há forças socais e políticas bem diferenciadas. Esconde que há radicais dos dois lados da barricada. E moderados. E forças consequentes. Fala do terrorismo palestino. Mas aceita de bom grado chefes de governo que afirmam alto e bom som que primeiro há que matá-los (os palestinianos) para só depois negociar. Aceita governos onde participam partidos, com vários ministérios, que pura e simplesmente negam TODOS os direitos aos palestinos.

Recorde-se que o Estado de Israel tem um dos melhores - em capacidade, competência e experiência - exércitos do mundo. Os palestinos não têm exército, só polícia. O Estado de Israel tem uma poderosa e eficaz força aérea. Os palestinos não têm força aérea. O Estado de Israel tem um dos mais competentes e eficazes serviços secretos do mundo: Os palestinos não.  Israel é um Estado soberano. A Palestina não.  

Sociedade israelita  

Composta por 5 milhões de judeus, 1 milhão de árabes e 250.000 imigrantes não judeus. Ao contrário do que se procura fazer crer, é profundamente dividida.

Antes de mais existe uma divisão étnica que marginaliza os sefarditas, ou “orientais” (judeus oriundos do mundo árabe) e os falashas (judeus da Etiópia), relegando-os para o escalão mais baixo da pirâmide social. 

Divisão que se sobrepõe mesmo ao fosso religiosos/laicos e às rivalidades entre as diferentes comunidades de imigrantes.

Acrescente-se a existência de 1 milhão de palestinos, cidadãos israelenses, que beneficiam apenas de direitos parciais pois não são judeus (a ONU recenseou dezassete leis que discriminam os cidadãos árabes israelenses).

O inimigo exterior parece ser, por quanto tempo ainda (?), o único factor de coesão. 

Sociedade palestiniana  

Se etnicamente é mais coesa politicamente é igualmente dividida. Alguns dos movimentos extremistas mais conhecidos sofrem mesmo da influência exterior oriunda de diferentes países árabes (Irão, Síria, Iraque, etc.), que tentam contabilizar a seu favor e influir politicamente na Resistência Palestiniana.

A população da Cisjordânia e Faixa de Gaza eleva-se a 3 milhões de habitantes, dos quais metade são refugiados dentro do seu próprio território, vivendo 600 mil em campos que são autênticos guetos. Outros 3 milhões de refugiados (recenseados pela ONU), vivem espalhados por diferentes países árabes. Onde constituem um factor de perturbação social e política permanente, nomeadamente pela sua cultura, pela sua tolerância religiosa e pela sua atitude em relação ao papel da mulher na sociedade. Daí o desejo desses países em verem-se livre deles.

Este carácter progressista dos palestinos face ao mundo árabe mais retrógrado, é algo que a dita comunidade internacional parece não ter, ou não querer, entender.

 

Partido Comunista Português

Os comunistas portugueses, desde 1947, que defendem o direito à existência do Estado de Israel. “A questão palestiniana assume particular importância neste quadro. Só com a retirada do exército israelita para as posições anteriores às ocupações de 1967 e a destruição do muro sionista; só com o desmantelamento de todos o sistema de colonatos israelitas que tornam a vida deste povo insuportável; só com o fim do cerco a Gaza; com o reconhecimento, plasmado em inúmeras resoluções da ONU, do direito do povo palestiniano à edificação do seu Estado, livre, independente e viável com capital em Jerusalém Leste, lado a lado com Israel e com a solução da questão dos refugiados palestinianos de acordo com as resoluções da ONU. Só verificadas todas estas condições é que poderemos falar de uma real paz justa e duradoura na região.

A realidade é que “ (…) Falamos de “feridas” ao nível da convivência pacífica dos povos e do intercâmbio de valores culturais e civilizacionais que poderão demorar décadas, senão mais, a sarar. É tempo de parar, de reflectir nas consequências que terá para toda a humanidade a prossecução destas políticas. É tempo de dar espaço à paz, à resolução política dos conflitos e à vontade genuína dos povos.” (PCP em 2006/07/25)

 

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