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O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Vale tudo, a mentira, a manipulação, a mistificação (6)

Luís Montenegro_caricatura

Desenho de Fernando Campos (o sítio dos desenhos)

 

Luís Montenegro, na sua entrevista ao «Diário de Notícias» de 19 de Dezembro, afirmou, perentório, que  o governo PSD/CDS em Junho de 2011 herdou um País com “(...) com os cofres absolutamente vazios, escancarados, sem um tostão para pagar salários no mês seguinte”.

Longe de mim desmentir o Presidente do Grupo Parlamentar do PSD!

FACTO:

Segundo o Ministério das Finanças, em 2011, as receitas dos impostos e contribuições foram superiores à soma das despesas com Pessoal das Administrações Públicas mais despesas com pensões e outras prestações (inclui saúde), em +4.229,6 milhões €.

FACTO:

Em 2012 esse excedente subiu para +4.454,1 milhões €. E não consideramos todas das Administrações Públicas. Ainda existem "Outras receitas" que, em 2012, foram mais 9.606,2 milhões €.

FACTO:

O governo do PS/Sócrates (coadjuvado por PSD e CDS-PP), alegando a eminência da bancarrota do País, pediram o «empréstimo» à troika (Comissão Europeia, BCE, FMI) em Abril de 2011.

FACTO:

A primeira fatia do «empréstimo» deu entrada nos cofres do Estado em Novembro do mesmo ano.

Passaram 7 meses...

FACTO:

Não consta que nesse intervalo de tempo compromissos finaceiros da administração central e da administração local tenham deixado de ser cumpridos. Nomeadamente o pagamento de salários, reformas, pensões, etc., etc., etc...

FACTO:

Afirmar, como o fazem Luís Montenegro (e com ele muitos comentadores, politólogos e analistas), que o Estado não tinha dinheiro para pagar salários e pensões é ou atrevimento da ignorância, ou a intenção de mentir descaradamente para enganar a opinião pública.

FACTO:

Os impostos e contribuições pagas todos os anos pelos portugueses são mais que suficientes para pagar aquelas despesas.

FACTO:

A razão porque se pediu o empréstimo à troika foi para pagar aos chamados «mercados», que mais não são que grandes bancos, companhias de seguros e fundos, muitos deles, especulativos e predadores.

FACTO:

Portugal pagava (em 2013) uma taxa de juro média de 3,4%, quando custava aos credores uma taxa média de 1,4% e à Alemanha apenas 0,5%.

É a solidariedade!

 

Por favor expliquem-me, muito, muito, muito devagar, como se eu fosse muito, muito, muito burro (sem ofensa para o animal...), esta matemática...

 

BANIF: arre, pôrra que é demais!!!...

Banif logo

 

«Estamos perante um verdadeiro crime económico, que remete agora para o uso de recursos públicos para salvar depósitos que foram delapidados num contexto em que tal delapidação podia ter sido impedida se o Governo PSD/CDS tivesse utilizado os instrumentos que tinha à sua disposição para esse efeito.

Uma vez mais, o sistema de regulação e supervisão, por incapacidade intrínseca e por opções políticas, revela-se como um verdadeiro embuste, incapaz de impedir os sucessivos colapsos financeiros, que do BPN ao Banif, já custaram ao Estado mais de 20.000 milhões de euros, desde 2008.

A situação demonstra que um efectivo controlo público da banca é absolutamente necessário. Não apenas por força deste processo, mas da instabilidade geral que não permite colocar de parte que este seja apenas mais um episódio da crise patente no sistema bancário. Não sendo o controlo público, por si só, a solução para todos os problemas da banca, é hoje mais evidente do que nunca de que só este permite as soluções necessárias.»

«O Estado era e é o maior accionista do BANIF mas não tem sequer um representante no Conselho de Administração do Banco.»

«O dinheiro que o Banif  deve ao Estado é de 825 milhões, a redução parcial da sobretaxa votada na AR representa uma perda de receita de 400 milhões! Como a manta não é elástica vai faltar pano...O prejuízo para o Estado vai ser enorme.»

«Conclusões finais:

o que é que ganharam os portugueses com a privatização da Banca?

É com mais regulação que se resolve o problema da Banca ou com o controlo publico e com gestores que sirvam os interesses nacionais?»

 

A fraude da austeridade

Miguel Tiago2

Ainda não teve resposta por parte do Governo a Pergunta apresentada pelo PCP sobre os destinos das verbas obtidas através do "empréstimo" da troika estrangeira que foi apresentada há 25 dias atrás. Essa pergunta pode ser consultada aqui.

A resposta não é fácil e sem a ajuda do Governo será muito difícil compreender para onde terão ido os 78 mil milhões de euros que o Estado Português, com a assinatura do PS, PSD e CDS, contraiu como dívida e sobre a qual todos pagaremos os juros e as consequências políticas. Sim, os juros e as consequências políticas. Que o credor, neste caso, não se limitou a emprestar o dinheiro e exigir o pagamento do capital e dos juros. Foi muito além disso e exigiu o cumprimento de um programa político anti-democrático, anti-popular e anti-nacional, baseado naquilo a que chamam "austeridade".

Mas umas contas simples fazem-nos perceber que o "empréstimo" não entrou nas nossas contas. Vejamos, o PIB contraiu cerca de 6% entre 2011 e 2014, o que equivale a cerca de 10 mil milhões de euros produzidos a menos em Portugal. Uma quantia semelhante desapareceu dos gastos do Estado com Educação, Saúde, Cultura, Prestações Sociais e investimento público. Ou seja, o orçamento do Estado diminuiu em proporção com a queda do PIB, sem consumir verbas adicionais, ou seja, não entrou dinheiro no sistema. Para onde foram então os 78 mil milhões?

Ao mesmo tempo, entre 2011 e 2015, a dívida pública aumentou 50 mil milhões de euros e as despesas anuais com juros da dívida aumentaram de 4 300 milhões para 8 500 milhões. Nesse mesmo período, a Banca conseguiu eliminar 30 mil milhões de euros de imparidades com recurso a dívida garantida pelo Estado.

A "crise das dívidas soberanas" não passa de uma crise da banca, por ter usado o dinheiro dos depositantes como manancial para os negócios de banqueiros empreendedores e aventureiros. Aquilo a que chamam "austeridade" não é mais do que o Estado a ser chamado a pagar os buracos deixados na banca, porque os bancos se tornaram "demasiado grandes para falir". O problema é que também são "demasiados grandes para resgatar". Como tal, é preciso cortar nas despesas do Estado para assegurar que existem suficientes "almofadas" para a banca. Os 78 mil milhões que o Estado português contraiu de dívida junto da troika ocupante foram para os bancos. Cada tostão.

(sublinhados meus)

Miguel Tiago, 28/07/2015

 

Vale tudo, a mentira, a manipulação, a mistificação (5)

Pedro Passos Coelho_caricaturaPaulo Portas_caricatura

 

Passos Coelho engrenou para o seu discurso lembrando que a coligação tinha no currículo o mérito de “salvar Portugal da bancarrota”.

Longe de mim desmentir o Presidente do PSD (e o do CDS-PP também)!

FACTO:

O governo do PS/Sócrates (coadjuvado por PSD e CDS-PP), alegando a eminência da bancarrota do País, pediram o «empréstimo» à troika (Comissão Europeia, BCE, FMI) em Abril de 2011.

FACTO:

A primeira fatia do «empréstimo» deu entrada nos cofres do Estado em Novembro do mesmo ano.

Passaram 7 meses...

FACTO:

Não consta que nesse intervalo de tempo compromissos finaceiros da administração central e da administração local tenham deixado de ser cumpridos. Nomeadamente o pagamento de salários, reformas, pensões, etc., etc., etc...

 

Por favor expliquem-me, muito, muito, muito devagar, como se eu fosse muito, muito, muito burro (sem ofensa para o animal...), esta matemática...

 

Gosto destes alemães...

Há uns 20 anos tivemos um político alemão de visita a Portugal. Interrogado sobre o que pensava dos contributos da Alemanha a fundo perdido para a construção de novos IPs e autoestradas a sua resposta foi clara. Por cada escudo que «damos» para as estradas em Portugal recebemos de volta dois, quanto mais não seja porque as nossas exportações chegam ao vosso país mais rapidamente.

Agora é Klaus Regling, presidente do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), que afirma preto no branco:

«Até hoje, só houve ganhos para os alemães, porque recebemos da Irlanda e de Portugal juros acima dos refinanciamentos que fizemos, e a diferença reverte a favor do orçamento alemão» (...) «é o prémio pelas garantias que a Alemanha dá só que os contribuintes alemães não acreditam».

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Claro, clarinho, para não haver dúvidas! Gosto destes alemães, palavra que gosto...

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A acumulação capitalista «made in Portugal» - O caso exemplar do Grupo BES

Comecemos por uma «estória». «Encontrei-o em Londres. Só tinha uma camisa e estava cheio de frio. Vivia num apartamentozinho com dois quartos.» Esta pungente «estória», contada pelo primeiro presidente da CIP, refere-se a Manuel Ricardo Espírito Santo que, passado pouco tempo, no seguimento das nacionalizações e da Reforma Agrária, entendeu fixar-se em Londres.

Pobre como Job, despojado dos seus bens, este herdeiro da poderosa e influente família Espírito Santo, associada ao nepotismo fascista (o avô era visita semanal de Salazar), viu-se obrigado, face à sua situação de pobreza, a pedir um empréstimo a Rockefeller, com o qual monta um pequeno negócio na Suíça, justamente conhecida por ser um dos paraísos fiscais, onde proliferam milagres do tipo da Rainha Santa Isabel, não na transformação do pão em rosas, ludibriando D. Dinis, mas na transformação de dinheiro sujo em «dinheiro limpo», ludibriando as receitas fiscais e estimulando, entre outros, o branqueamento de capitais, os circuitos da droga e o comércio ilegal ligado ao armamento.

Na versão do ex-presidente da CIP não sabemos qual o valor do empréstimo da família Rockefeller, empréstimo que é de surpreender bastante, na medida em que não é normal os banqueiros emprestarem dinheiro a pobres, salvo se a pobreza tivesse, em 1975, uma tipologia específica, do género: «a pobreza da família Espírito Santo».

Também não sabemos qual o juro imposto pelo Rockefeller, nem qual a taxa de rentabilidade obtida por Manuel Ricardo Espírito Santo nos seus novos negócios.

Ler Texto Integral

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Silêncios ensurdecedores

    1. A semana passada o Banco Central Europeu (BCE) decidiu-se por uma nova subida das taxas de juro de referência. Trata-se da 9ª em pouco mais de dois anos, fixando-se agora em 4,25%. Tal decisão constitui um novo factor de penalização para os trabalhadores, as populações e os micro pequenos e médios empresários (MPME´s). Corresponde às pretensões de concentração e acumulação capitalista por parte dos grandes grupos económicos e do capital financeiro. Mas penaliza as economias mais frágeis e dependentes como é o caso da portuguesa.

Vivemos um quadro económico e social em que se avolumam as dificuldades para fazer face ao desemprego, à precariedade, aos baixos salários e à subida generalizada dos preços. Neste contexto esta decisão traduz-se num novo agravamento das suas condições de vida das famílias portuguesas, em particular das que possuem empréstimos à habitação. Recorde-se que o nível de endividamento atinge já hoje 129% do rendimento disponível das famílias.

No plano das empresas e da economia nacional o panorama não é melhor. O seu nível de endividamento atinge já hoje 114% do PIB. Esta medida por um lado, vem colocar um novo garrote às MPME´s. Por outro, vem acentuar a tendência (que se vinha verificando desde o 1º trimestre de 2007) de agravamento do deficit da balança comercial e da dependência do país. Acresce que este aumento das taxas de juro traz por arrasto uma sobrevalorização do euro.

O silêncio do Governo PS face a esta medida e ao escândalo dos lucros fabulosos que o sistema bancário vem acumulando nos últimos anos à custa da degradação da situação financeira das famílias e das empresas é ensurdecedor. Confirma a sua cumplicidade e indiferença perante as decisões do BCE e as graves implicações para o país. Saliente-se que só nos últimos 4 anos (de 2004 a 2007) os lucros do sistema bancário cresceram 155,4%, atingindo em 2007 os 4,467 mil milhões de euros.

2. O Grupo Parlamentar do PCP apresentou no passado dia 4 um voto de congratulação na Assembleia da República sobre «Ingrid Betancourt em liberdade». Quase todos os meios de comunicação social fizeram cair sobre este voto um inqualificável manto de silêncio ensurdecedor, muito próximo da censura. O que noticiaram foi, em geral, claramente manipulado. O que só pode ser explicado pelo anticomunismo mais primário.

E no entanto nesse voto referia-se que: «Após seis anos de cativeiro na selva, é motivo de justa satisfação o regresso à liberdade de Ingrid Betancourt, ex-candidata presidencial colombiana.». E após uma série de considerandos, que podem ser lidos AQUI ,terminava:

«1. Congratula-se pelo regresso à liberdade de Ingrid Betancourt.
2. Exprime o seu desejo de que a liberdade de Ingrid Betancourt possa contribuir para um caminho de paz para a Colômbia.
3. Apela às partes envolvidas para que encetem negociações no sentido da libertação de todos os prisioneiros.
4. Valoriza todos os esforços orientados para alcançar uma solução política negociada.
5. Apela às partes para que se empenhem na busca de uma solução política negociada do conflito, que dura há mais de quatro décadas.
6. Manifesta-se pelo respeito da soberania do povo colombiano na definição dos destinos do seu país.
»

A quem incomodam estas palavras?
                                                                    

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

                                          

In "Jornal do Centro" - Edição de 11 de Julho de 2008

                                                                             

Aumento das taxas de juro pelo BCE tem consequências desastrosas

    Dados retirados de um documento da CGTP-IN:

  • A taxa Euribor, a seis meses, passou de 2,6 por cento, em 2005, para 4,8 por cento, em Dezembro de 2007. No mês passado, a taxa situava-se nos 5,1 por cento.
  • Em 2005, um empréstimo de 100 mil euros, a 30 anos, tinha uma prestação de 455 euros. A meio de Junho passado, a prestação tinha subido para os 887 euros, um ritmo superior aos salários de base, que formam a referência para a contracção do empréstimo.
  • A despesa com os juros em relação ao salário de base passou de 57 por cento, em 2005, para 68 por cento, actualmente, alertou a central.
  • Segundo o Inquérito às Despesas das Famílias de 2005/6, citado pela CGTP-IN, os gastos com a habitação representavam 27 por cento do total, mas o estudo não cobria as importâncias dispendidas com a amortização de capital e o pagamento de juros, por motivo de contracção de crédito à habitação.
  • A situação é mais grave nas famílias com mais baixos rendimentos, salienta a central, valendo-se dos dados do Relatório de Estabilidade Financeira de 2007, do Banco de Portugal, recolhidos no Inquérito ao Património e Endividamento das Famílias de 2006/7.
  • Neste estudo, verifica-se que nas famílias com rendimentos entre os 375 e os 500 euros (1.º Escalão), mais de metade do rendimento familiar «é absorvido com despesas de juros e de amortização de capital em dívida».
  • Nos rendimentos entre os 500 e os 700 euros, a despesa com habitação é superior a 40 por cento do rendimento, sendo mais elevada nos escalões etários mais jovens, recordou a central.

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