Sexta-feira, 8 de Maio de 2015

O que querem apagar da história?

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Decorreram 70 anos desde o fim da II Guerra Mundial. Passaram 26 anos sobre a queda do Muro de Berlim e 24 anos desde o fim da URSS. Com a sua atitude de não comparecerem em Moscovo no dia 9 de Maio de 2015 nas cerimónias do Dia da Vitória o que querem apagar da História os poderes dominantes?

Querem apagar da História que a política da «solução final» não abrangeu apenas os judeus. Alargou-se aos ciganos e aos eslavos.Em apenas 3 anos (1941-43) 1/3 da população masculina da Bielo-Rússia foi aniquilada. Refira-se dois factos, entre inúmeros outros, nunca citados na historiografia dominante: noventa e nove por cento dos mais de mil campos de concentração nazis foram construídos a LESTE de Berlim! E aí morreram mais de 4 milhões de cidadãos soviéticos.

Querem apagar da História que foram os comunistas que tiveram o triste privilégio de inaugurar os campos de concentração hitlerianos e de neles serem literalmente quase exterminados. O PC Alemão em 1933 tinha centenas de milhares de membros. Em 1945 eram pouco mais de mil.

Querem apagar da História que nos países ocupados pela Alemanha e pelo Japão os comunistas desempenharam um papel essencial, muitas vezes decisivo, na condução da Resistência. De 1940 a 1944, setenta e cinco mil comunistas franceses morreram torturados, fuzilados ou em luta directa com o ocupante. A história repetiu-se em Itália, na Checoslováquia, na Polónia, na Albânia, na Jugoslávia (1 milhão de mortos), na Hungria, na Bulgária, nas Repúblicas Bálticas. Na China, no Vietname, nas Filipinas, etc., etc., etc.. No mínimo exige-se dos seus adversários que respeitem a sua memória.

Querem apagar da História o papel que cada Aliado desempenhou na II Guerra Mundial. A desproporção quer nos meios envolvidos, quer nos consequentes resultados, é evidente. Na URSS os hitlerianos destruíram 1.710 cidades, 70.000 aldeias, 32.000 empresas industriais, 100.000 empresas agrícolas. Desapareceram 65.000 km de vias-férreas, 16.000 automotoras, 428.000 vagons. As riquezas nacionais da URSS foram reduzidas em mais de 30%. No território dos EUA, excepção feita a Pearl Harbour, não caiu uma só bomba, não se disparou um único tiro.

Querem apagar da História que até começos de 1944 na frente sovietico-alemã operaram, em permanência, de 153 a 201 divisões nazis. Na frente ocidental, no mesmo período, de 2 a 21. Em 1945 a mesma proporção era de 313 para 118. De Junho a Agosto de 1944, ou seja, desde o início da Operação Overlord, as tropas fascistas perderam, entre mortos, feridos e desaparecidos, 917.000 na frente Leste e 294.000 na frente ocidental.

Querem apagar da História que a Alemanha perdeu na sua guerra contra a URSS o correspondente a 3/4 das suas baixas totais. Na frente soviética o exército japonês perdeu cerca de 677.000 homens (na sua maioria prisioneiros). Morreram, recorde-se, em todos os cenários da II Guerra, 250.000 norte americanos, 600.000 britânicos, mais de 25.000.000 de soviéticos (3 milhões dos quais membros do Partido Comunista).

Assistimos a um autêntico assassínio da verdade histórica. Querem apagar a natureza de classe das ditaduras nazi-fascistas, ignorar os seus crimes e a cumplicidade das grandes potências capitalistas. Querem silenciar e ocultar que essas mesmas potências fecharam os olhos às agressões à Etiópia, à Espanha republicana, à Áustria, à Checoslováquia. Querem esconder que a Segunda Guerra Mundial foi inseparável e consequência da crise do capitalismo e da ascensão do fascismo como resposta de classe a essa mesma crise. Querem apagar o papel da União Soviética e da resistência dos povos na derrota do nazifascismo.

Bem podem recorrer aos filmes de Hollywwod e às séries de Televisão. Ou, aos documentários (mais ou menos científicos) e às análises escritas e faladas. A realidade, essa «chata», não se deixa apagar.

É por isso que, como já foi dito, a defesa da verdade histórica é parte integrante das lutas que é hoje necessário travar.

 

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publicado por António Vilarigues às 09:01
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Quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

O ovo da serpente (duas notícias)

O ovo da Serpente

Os Estados Unidos da América – com os seus aliados ucraniano e canadiano – foram os três únicos países do mundo que na Assembleia Geral da ONU, em 21 de Novembro, votaram contra uma proposta de condenação das tentativas de glorificar a ideologia do Nazismo e de negar os crimes de guerra da Alemanha nazi.

 

Rimante Šalaševičiūtė

 «A eutanásia pode ser uma boa escolha para os pobres, os quais por causa de sua pobreza não têm acesso à assistência médica», tal é a «solução» para o problema dos pacientes sem recursos proposta pela nova ministra da Saúde Lituânia Rimante Šalaševičiūté, que assumiu o cargo no início de Junho.

Nota: «O ovo da serpente» é o nome de um filme de Ingmar Bergman que mostra os conflitos e a desordem que antecederam a ascensão do nazismo na Alemanha.

 

Eles andam por aí...

 

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Domingo, 13 de Julho de 2008

Notas soltas - Iraque

    «A guerra no Iraque é mais do que nada pelo petróleo».
Alan Greenspan, ex-presidente da Reserva Federal, in The age of turbulence
              
«O Iraque foi assassinado e nunca mais se voltará a por em pé (...) A ocupação estado-unidense foi mais desastrada que a dos mongóis, que saquearam Bagdad no século XIII».
Nir Rosen, in Current History
                        
«Jornalista: Dois terços dos norte-americanos dizem que (a guerra no Iraque) não vale a pena...
Entrevistado: E?
Jornalista: E? Não lhe importa o que pensa o povo americano?
Entrevistado: Não. Não penso que nos devamos desviar da rota devido aos resultados flutuantes das sondagens de opinião».
Fragmento da entrevista de Martha Raddatz, condutora do programa de televisão Good morning, América/ABC a Dick Cheney
                                       
«Uma das finalidades da invasão do Iraque era a de intimidar o Irão. Em realidade o que fez foi aumentar a influência do Irão no Iraque».
Relatório 2008 de Current History

                                           

«...o custo das operações (de guerra no Iraque), sem considerar os gastos a longo prazo, como a atenção dos ex-combatentes, supera já o custo da guerra do Vietname, que durou 12 anos, e representa mais do dobro do que custou a da Coreia».
Joseph Stiglitz, in The Three Trillion Dollar War: The true cost of the Iraq conflict

                                            

                                                      

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Terça-feira, 22 de Abril de 2008

Desigualdade nos EUA é a maior desde a Grande Depressão

     É o verdadeiro «triunfo das desigualdades». Na América do Norte, a crise é já a maior desde o crash da Bolsa de Nova Iorque em 1929. Por isso, o fosso entre os ricos e pobres nunca foi tão grande.
Dados oficiais citados por John Plender num artigo publicado no Financial Times, com versão portuguesa no sítio Vermelho.org.br, indicam que nos EUA, entre 1979 e 2005, os rendimentos dos 1% mais ricos, antes do pagamento dos impostos, cresceu por ano 200%, e depois de descontadas as taxas, 228%. Os mais pobres e a classe média viram os seus rendimentos anuais crescerem apenas 1,3% e 1%, respectivamente.

                                       

«A desigualdade económica nos Estados Unidos alcançou o nível mais elevado desde aquele que ficou conhecido como o mais maldito dos anos: 1929. Nas principais economias dos países de língua inglesa as desigualdades de renda alcançaram extremos que não eram vistos desde a era de “O Grande Gatsby”.»

        

Ler Texto Integral

                        

Perante tal desproporção (200 para 1 (!!!)) só apetece perguntar: será por incompetência?

Ou serão antes os mecanismos da exploração capitalista mais desenfreada a funcionar?

                                     

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Quarta-feira, 2 de Abril de 2008

O seu a seu dono

            

                                                                                         

Este blog é também feito de amizades, colaborações, trabalho colectivo. Em particular desde o início de 2008.

Desde logo, o JORGE, uma amizade e uma camaradagem de quase 35 anos. É ele o verdadeiro responsável pela escolha e pesquisa das poesias e das músicas. O nosso gosto é comum, portanto tudo flui naturalmente.

Depois o FERNANDO, uma amizade de 32 anos. É o "nosso" correspondente nos EUA.

Finalmente o ROGÉRIO, uma amizade e camaradagem via Internet. Ainda não nos conhecemos pessoalmente, mas são dele alguns momentos de humor deste blog.

O meu tributo aqui fica.

                                                    

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Segunda-feira, 24 de Março de 2008

O PAÍS QUE BUSH HERDOU, O PAÍS QUE DEIXA ATRÁS DE SI

 

 

Documento recebido de um amigo português a residir nos EUA, em Março de 2008
Fonte ECONOMIA EM 20 DE JANEIRO DE 2001 HOJE, DEPOIS DE BUSH
1 Crescimento do PIB 4,09 % nos últimos 8 anos 2,65 % nos últimos 7 anos
2 Dívida Externa 5,7 milhões de milhões de dólares 9,2 milhões de milhões de dólares
3 Défices no Orçamento 431 milhares de milhões de dólares 734 milhares de milhões de dólares
4 Novos empregos no sector privado 1,76 milhões por ano, nos últimos 8 369 mil por ano, nos últimos 7
5 Americanos abaixo do nível de pobreza 31,6 milhões 36,5 milhões
Fonte QUALIDADE DE VIDA EM 20 DE JANEIRO DE 2001 HOJE, DEPOIS DE BUSH
6 Americanos sem seguro de saúde 38 milhões 47 milhões
6 Alteração do nível de seguro 4,5 milhões menos em 2 anos 8,5 milhões mais em 6 anos
7 Custo do prémio anual total 6.230 dólares / família 12.106 dólares / família
8 Receita familiar média 49.163 dólares 48.023 dólares
8 Alteração da receita familiar 6.000 dólares de aumento, nos últ. 8 1.100 dólares de redução, nos últimos 6
9 Preço da gasolina 1,39 dólares por galão 3,07 dólares por galão
10 Custo da universidade 3.164 dólares por ano 5.192 dólares por ano
11 Taxa de poupança individual  + 2,3 %  - 0,5 %
12 Dívida no consumo a crédito 7,65 milhões de milhões de dólares 12,8 milhões de milhões de dólares
Fonte OS EUA E O MUNDO EM 20 DE JANEIRO DE 2001 HOJE, DEPOIS DE BUSH
13 Défice domercial americano 380 milhares de milhões de dólares 759 milhares de milhões de dólares
14 Força do Dólar 1,07 Euros por Dólar 0,68 Euros por Dólar
15 Prontidão de resposta militar Todas as Divisões classificadas ao mais alto nível Nenhuma Divisão ou Brigada de Reserva preparada
16 Dependência do petróleo importado 52,75 % 60,38 %
17 Opinião ácerca dos EUA (10 países) 58,3 % favorável 39,2 % favorável
17 Idem no Reino Unido 83 % favorável 56 % favorável
17 Idem na Indonésia 75 % favorável 30 % favorável
17 Idem na Turquia 52 % favorável 12 % favorável
17 Idem na Alemanha 78 % favorável 37 % favorável
FONTES
1 Bureau of Economic Analysis
2 Department of Treasury
3 Congressional Budget Office
4 Bureau of Labor Statistics
5 United States Census Bureau
6 United States Census Bureau
7 Kaiser Study of Employer Health Care Benefits
8 United States Census Bureau
9 Energy Information Administration
10 Higher Education Coordinating Board of Washington State
11 Bureau of Economic Analysis
12 Insurance Information Institute
13 United States Census Bureau
14 OANDA.com: The Currency Website
15 Speaker of the House Fact Sheet, 11/29/07
16 Energy Information Administration
17 Testimony of Andrew Kohut, President of Pew Research Center, 3/17/07  

            

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Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008

Kosovo - Uma nova espiral de conflitos

    Os Partidos Comunistas e Operários presentes em Lisboa a 16 de  Fevereiro de 2008 por ocasião da Reunião do Grupo de Trabalho do Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários debateram os desenvolvimentos no que concerne à iminente declaração unilateral de independência do Kosovo, promovida pelos Estados Unidos da América, NATO e União Europeia e consideram que:

Um tal passo - que viola frontalmente o direito internacional e as resoluções das Nações Unidas sobre esta questão - terá graves consequências para a região do Balcãs e a nível internacional.

Representa um grave perigo para os povos, desencadeando alterações de fronteiras, ameaçando lançar toda a região numa nova espiral de conflitos, guerras e intervenções internacionais, e criando um perigoso precedente internacional.

Os nossos Partidos opõem-se à secessão do Kosovo da República da Sérvia. Exigem aos governos dos seus países que se abstenham de reconhecer a independência do Kosovo bem como de enviar tropas para a região.

                                      
Lisboa, 16 de Fevereiro de 2008

Os Partidos,


  • Partido Comunista Sul Africano
  • Partido do Trabalho da Bélgica
  • Partido Comunista do Brasil
  • Partido Comunista de Cuba
  • Partido Comunista de Espanha
  • Partido Comunista dos Povos de Espanha
  • Partido Comunista da Grécia
  • Partido Comunista da Índia (Marxista)
  • Partido dos Trabalhadores da Irlanda
  • Partido dos Comunistas Italianos
  • Partido Comunista Libanês
  • Partido do Povo do Panamá
  • Partido Comunista Português
  • Partido Comunista da Boémia e Morávia
  • Partido Comunista da Federação Russa
  • Partido Comunista da Síria
  • Partido Comunista da Ucrânia
                                                        
In Declaração sobre o Kosovo
                                                    
Recorde-se a Resolução nº 1244 do Conselho de Segurança da ONU, de 10 de Junho de 1999:

«Reafirmando a vinculação de todos os Estados Membros à soberania e à integridade territorial da República Federal da Jugoslávia e de todos os outros Estados da região, no sentido da Acta Final de Helsínquia e do anexo 2 à presente resolução
                      
Ler Texto Integral
                                        
   
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Terça-feira, 30 de Outubro de 2007

Leitura Obrigatória (XLI)

    Cresci para Lutar (Art Shileds)

Art Shields é um jornalista comunista norte-americano que com mais de 90 anos, escreveu as suas memórias.

Memórias vivíssimas, frescas e palpitantes que traçam um panorama rico e concreto da vida e das lutas do povo norte-americano na viragem do século.

Este livro abarca o período de 1890 a 1918; termina quando a vitoriosa Revolução de Outubro dá ânimo e alegria à classe operária de todo o mundo e, nomeadamente, à classe operária dos EUA.

Entretanto, com o então adolescente Art Shields percorremos um país de lés-a-lés; o autor viveu com os índios cheroquis, esteve com os esquimós, conheceu os veteranos negros da Guerra da Secessão, entusiasmou-se com os socialistas que, no melhor dos casos, se integraram no movimento comunista, e presenciou lutas diversas, renhidas e difíceis.

Enfim, desdobrou perante nós uma história desconhecida e ocultada de um país que importa conhecer com verdade: os EUA.

Tudo isto faz deste Cresci Para Lutar um livro apaixonante e singular, que as ilustrações de Peggy Lipschutz tornam ainda mais aliciante

  

In Edições «Avante!»

   

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