Terça-feira, 14 de Dezembro de 2010

Liu Xiaobo nas suas próprias palavras...

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Liu Xiaobo, como se sabe, é o Prémio Nobel da Paz 2010.

Já aqui tínhamos feito referência ao que ele escreveu no China Observer em 31 de Outubro de 2004 (The Free Iraq Operation and US presidential election) - ler Quem escreveu «que a excelência de Bush na luta contra o terrorismo [no Iraque] não pode ser negada»?

No artigo, o seu autor, começa por dizer que, na campanha entre John Kerry e George W. Bush, apoia este último e lamenta que Kerry tenha feito da guerra no Iraque o grande tema. Em seguida apoia a agressão de Israel aos Palestinianos e as guerras que os Estados Unidos fizeram à Coreia e ao Vietnam / Vietname (além de apoiar a agressão ao Iraque, claro).

Mais adiante, diz Liu Xiaobo:

«Para lidar com o terrorismo, como ameaça extrema sobre a civilização humana, os Estados Unidos não devem ter nenhuma hesitação no uso da força. É preciso determinação para impedir que um desastre semelhante ao 11 de Setembro aconteça novamente, para reduzir o crescimento do terrorismo internacional e a ameaça de armas de destruição em massa.»

Hoje revelamos o texto que Liu Xiaobo escreveu em 19 de Dezembro de 2006 no Open Magazine de Hong Kong, em que faz referência a uma entrevista dada por ele em 1988 a esse mesmo jornal:

«一九八八年十一月,我結束了挪威奧斯陸大學三個月的訪學,前往美國夏威夷大學,我特意坐了途徑香港的航班。第一次踏上殖民統治造就的自由港,感覺真好!我接受金鐘先生的採訪,感覺更好!

採訪中,金鐘先生的提問很直率,我的回答可謂放言無羈,說出了一段犯眾怒的話。

金鐘問:「那甚麼條件下,中國才有可能實現一個真正的歷史變革呢?」

我回答:「三百年殖民地。香港一百年殖民地變成今天這樣,中國那麼大,當然需要三百年殖民地,才會變成今天香港這樣,三百年夠不夠,我還有懷疑。」

儘管,六四後,這句「三百年殖民化」的即興回答,變成了中共對我進行政治迫害的典型證據;時至今日,這句話仍然不時地被愛國憤青提起,以此來批判我的「賣國主義」。然而,我不會用接受採訪時的不假思索來為自己犯眾怒的言論作辯解,特別是在民族主義佔據話語制高點的今日中國,我更不想收回這句話。»

Tradução livre, feita com auxílio do tradutor do Google (confira original e traduções):

«Em Novembro de 1988 terminei uma visita de três meses à Universidade de Oslo, à Universidade do Havaí nos Estados Unidos. Deliberadamente regressei num voo via Hong Kong. Foi formidável pisar pela primeira vez um porto livre criado por regime colonial! Senti-me muito melhor quendo aceitei uma entrevista com o Sr. Jin Zhong!

Na entrevista, o Sr. Jin Zhong fez-me uma pergunta muito simples e a minha resposta pode ser descrita como completamente livre, para utilizar as palavras de alguns Fan Zhongnu [?].

Ele perguntou: "Então em que condições, os chineses podem alcançar uma mudança verdadeiramente histórica?"

Eu respondi: "Seriam necessários trezentos anos de colonialismo. Em cem anos de colonialismo, Hong Kong mudou para o que se vê hoje. Sendo a China tão grande, é claro que se exige trezentos anos de colonialismo para que ela seja capaz de se tornar naquilo que é Hong Kong actualmente, não tenho dúvidas."

A resposta dada de improviso "trezentos anos de colonização", tornou-se a prova típica para uma perseguição política comunista. Hoje, esta declaração por vezes ainda irrita certos jovens patriotas que criticam a minha "traição".

No entanto, hoje em especial, em que o discurso do nacionalismo ocupou o alto comando da China, não me preocuparei em justificar estes comentários Fan Zhongnu [?] feitos em entrevista. Eu não quero retirar essas palavras.»

Liu Xiaobo, "我與《開放》結緣十九年" (My 19 Years of Ties with "Open Magazine"), Open Magazine, December 19, 2006.

Usando as exactas palavras de um conhecido comentador: «Sem comentários. Há coisas que se comentam a si próprias.»!

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Publicado neste blog:

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Quinta-feira, 2 de Dezembro de 2010

Quem escreveu «que a excelência de Bush na luta contra o terrorismo [no Iraque] não pode ser negada»?

A frase do título podia ter sido escrita por Barroso (o vidente!), Câncio, Aznar ou Blair. Mas não foram eles a escrevê-la.

A frase do título faz parte do início de um artigo em... chinês: «克里抓住伊拉克的现在困境大做文章,但布什在反恐上的卓越作为,绝非克里的诋毁所能抹杀。»

No artigo, o seu autor, apoia, entre outras coisas, as guerras que os Estados Unidos fizeram à Coreia e ao Vietnam / Vietname:

«历史上,现实中,美国都不是完美的国家,但它至少是最富理想主义和使命感的自由国家,它领导盟国赢得抗击法西斯主义的二战,帮助发动二战的两大罪恶国家德国和日本实现了民主化重建,领导了对抗共产极权的韩战和越战,最终赢得了长达半个世纪的自由与极权之间的冷战;美国在中东帮助埃及获得了独立,一直保护处在阿拉伯诸国包围中的以色列,如果没有美国的保护,长期受到迫害且在二战中遭遇种族灭绝的犹太人,大概又将被伊斯兰世界的仇恨所淹没,美国被阿拉伯人所仇恨和屡遭伊斯兰恐怖主义的袭击,显然与美国对以色列的长期支持高度相关。»

E, mais adiante no artigo, escreve o autor:

«对付诸如恐怖主义这样肆意践踏文明底线的极端人类公害,美国在使用武力时不应该有任何犹豫。只有果断坚决,才能制止类似9•11灾难的再次发生,减少日益国际化的恐怖主义和大杀伤力武器的威胁。»

ou seja,

«Para lidar com o terrorismo, como ameaça extrema sobre a civilização humana, os Estados Unidos não devem ter nenhuma hesitação no uso da força. É preciso determinação para impedir que um desastre semelhante ao 11 de Setembro aconteça novamente, para reduzir o crescimento do terrorismo internacional e a ameaça de armas de destruição em massa.»

Quem escreveu estas frases foi o Prémio Nobel da Paz 2010 Liu Xiaobo no China Observer em 31 de Outubro de 2004 (The Free Iraq Operation and US presidential election).

Podem ser lidas AQUI. Estão traduzidas AQUI em várias línguas.

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Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010

Quem disse: «Portugal quer afirmar que não vê no Pacto do Atlântico Norte mais que um instrumento de defesa e de cooperação internacionais»?

A designação «Pacto do Atlântico Norte» (=NATO) e as palavras «defesa», «cooperação» e «internacionais», foram misturadas para compor a linda e simpática frase do título sobre a sinistra organização. Quem o teria feito?

Podia ser Fernanda Câncio? Podia, claro que podia! Entre uma twittada na ModaLisboa e uma ida ao CCB, bem podia Fernanda Câncio ter escrevinhado qualquer coisa parecida com a frase do título. Pois se foi ela que, no dia 13 de Agosto, nos confidenciou que apoiou a invasão do Iraqueapoiei a invasão americana») e, mais recentemente, murmurou a estranha confissão:  «... estou ainda para ver o resultado das invasões que apoiei (afeganistão e iraque)...»!

Todavia, a frase do título parece ter sido dita ou escrita por alguém que ocupava um alto cargo, assim género o Eng. Sócrates, numa ida ao CCB, por exemplo. Mas, embora a frase lhe assente perfeitamente como um fatinho feito por medida, na realidade, não é ele o autor. E podia ter sido ele, já que afirmou, em 2 de Abril de 2008, que «O que nós vamos fazer é empenharmo-nos mais no Afeganistão nas áreas que são críticas para o sucesso da missão (...) Estamos muito empenhados no sucesso da operação da NATO no Afeganistão porque isso é fundamental para a credibilidade da Aliança».

Também não foi Ana Gomes, que não gosta dos voos da CIA mas gosta da intervenção no Afeganistão, que é como pedir à Natureza que nos forneça a fruta já sem casca ou que o escorpião não ataque quem o transporta. E podia ter sido ela, porque ela propõe «a força militar» como um dos «instrumentos de acção externa» da União Europeia e diz que «a construção de uma Europa da Defesa forte só poderá contribuir para um pilar europeu da NATO forte». É ela ainda a autora de frases como «Sem a intervenção militar de 2001 e a NATO [no Afeganistão] não haveria hoje espaço humanitário para as ONG, por exemplo, poderem fazer o seu trabalho» e «A Europa não pode abandonar os afegãos e não está lá porque os americanos querem. A presença internacional militar e civil continuará a ser necessária ali, por muito mais anos.»

Também alguém do Ministério da Defesa, a começar por Augusto Santos Silva, podia ter dito uma frase igual ou semelhante à do título, como se pode ver aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Em Nascidos para matar podem ver uma lista de citações, de portugueses «ilustres», equiparáveis à do título.

Mas, dirão os leitores atentos deste blogue, nessa lista não está Salazar que disse que os EUA promovem a NATO «por compreensível sentimento de solidariedade humana»! E quem apostou em Salazar, está lá perto, mas não acertou!

Quem disse a frase do título não foi o fascista António Salazar, mas outro fascista, José Caeiro da Mata (1), o Ministro dos Negócios Estrangeiros que, no dia 4 de Abril de 1949, assinou o Pacto do Atlântico. E disse-a exactamente por essa ocasião como se pode ler aqui:

Assim todos os supracitados, ainda vivos, não repetem mais do que - não uma cassette - mas um velho disco riscado do 78 rotações com mais de 60 anos!

(1) Ler Quem disse que o PCP «tem dois jornais (...) de propaganda, intitulados Avante e Militante», «onde destila subtilmente a peçonha das suas doutrinas»?

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Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010

A Comissão Política de Manuel Alegre vai tomar uma posição sobre a NATO e a cimeira da NATO?

Calma, estamos só a perguntar, e perguntar não ofende!

É que fomos ver a composição da Comissão Política Nacional da candidatura de Manuel Alegre.


Logo aí notámos  a presença de figuras como Augusto Santos Silva e Ana Gomes, a nata da NATO em Portugal, "afegãos" até ao osso, e a ausência lamentável de outros, igualmente notáveis, como Luís Amado e Fernanda Câncio.

Esta última compreende-se que não esteja porque deve ter partido, de camuflado e botas, à espadeirada, para o Iraque. Pelo menos é o que se deduz da sua enigmática despedida de 13 de Agosto: «até amanhã, no Iraque». Mas não partiu sem antes nos confidenciar: «confesso: apesar de não ter a menor estima por Bush e de não ter comprado a treta óbvia das armas de destruição maciça, apoiei a invasão americana». E, entre acenos e suspiros, desabafou: «quero acreditar que não morreu tanta gente - iraquianos e ocupantes - para nada».

Mas outra presença de relevo na Comissão Política é José Vera Jardim, o deputado do PS e Vice-Presidente da Assembleia da República. Sim, esse mesmo que, quando o PCP pretendeu «interditar, com efeitos imediatos, o nosso espaço aéreo a todo e qualquer voo com origem ou destino em Guantánamo», disse que tal era um «absurdo». Não acredita? Ora leia aqui: Os voos secretos da CIA e os campos de concentração dos EUA (BBC).

Mas, dirão alguns leitores, o que é que Manuel Alegre e a sua Comissão Política têm a ver com a NATO e a respectiva Cimeira?

Nada têm a ver se forem apenas uma agremiação recreativa, para organizar uns bailes, umas patuscadas, ou até, irem ver jogar o Benfica.

Mas, se, por mero acaso, a ideia for colocar Manuel Alegre na Presidência da República, aí o poeta vai ter que tomar posse se for eleito. E...

«No acto de posse o Presidente da República eleito prestará a seguinte declaração de compromisso: Juro por minha honra desempenhar fielmente as funções em que fico investido e defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa

E o que diz a Constituição? Ora vejamos:

Artigo 7.º

Relações internacionais

1. Portugal rege-se nas relações internacionais pelos princípios da independência nacional, do respeito dos direitos do homem, dos direitos dos povos, da igualdade entre os Estados, da solução pacífica dos conflitos internacionais, da não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados e da cooperação com todos os outros povos para a emancipação e o progresso da humanidade.

2. Portugal preconiza a abolição do imperialismo, do colonialismo e de quaisquer outras formas de agressão, domínio e exploração nas relações entre os povos, bem como o desarmamento geral, simultâneo e controlado, a dissolução dos blocos político-militares e o estabelecimento de um sistema de segurança colectiva, com vista à criação de uma ordem internacional capaz de assegurar a paz e a justiça nas relações entre os povos.

In Constituição da República Portuguesa

Palpita-nos que a Comissão Política de Manuel Alegre jamais tomará uma posição sobre a NATO e a cimeira da NATO...

E nós, entretanto, vamos mas é votar em Francisco Lopes, que tem voz e acção firmes em favor da PAZ, condições necessárias para se defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa!

Posições do PCP sobre a NATO:

Posições do PCP sobre a cimeira da NATO:

“Passados 40 anos, com a queda do muro de Berlim e a dissolução da União Soviética, foi anunciado o fim da «guerra-fria». A NATO teria perdido os fundamentos da sua existência à luz da sua obsessiva estratégia anti-comunista. Mas entretanto a fisionomia do mundo havia-se alterado profundamente, sob a acção do bloco socialista, do «movimento dos não alinhados», a descolonização, e a resistência da América Latina às ofensivas subversivas da América do Norte. Para além do que a NATO alimentava intenções mais amplas e profundas, que até aí não ousara confessar.”

Por Abril, Pela Paz, Não à NATO!
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Quarta-feira, 6 de Outubro de 2010

Quem disse que o PCP «tem dois jornais (...) de propaganda, intitulados Avante e Militante», «onde destila subtilmente a peçonha das suas doutrinas»?

A dizer a frase do título podia ter sido Fernanda Câncio, claro que podia! Se foi ela que escreveu, a propósito do «Avante!», os artigos Os lacaios do 'socialismo' (17 de Setembro) e Doutrina jornalística (24 de Setembro)! E ambos no Diário de Notícias, essa pérola, esse cristal do jornalismo puro e independente, desde a primeira à última página, incluindo todas as que têm publicidade. Mas não, não foi ela que escreveu a frase, embora pudesse ter sido. Não foi ela nem ninguém que, na actualidade, escreve ou diz coisas semelhantes sobre o PCP, em blogues, em jornais e noutros meios de comunicação.

Quem disse então que o PCP tem dois jornais de propaganda, intitulados Avante e Militante, onde destila subtilmente a peçonha das suas doutrinas?

Recuemos até 1949. A 25 de Março de 1949, Álvaro Cunhal foi preso pela terceira vez, numa casa clandestina do Luso. Com ele foram também presos Militão Ribeiro e Sofia Ferreira. Militão Ribeiro viria a morrer na prisão. «Até às vésperas da morte, Militão manteve a preocupação de comunicar ao partido a sua fidelidade e confiança. Escreveu várias cartas à Direcção do Partido, que foram interceptadas pelos carcereiros, só tendo chegado duas ao seu destino, uma das quais escrita com o seu próprio sangue. A PIDE assassinou-o cruelmente, um crime lento, dos que não deixam vestígios. Militão morreu de inanição em 2 de Fevereiro de 1950».

Em 31 de Março e 22 de Abril de 1949 deputados da Assembleia Nacional fascista, Mário de Aguiar e Pinheiro Torres, resolveram regozijar-se com estas prisões.

O primeiro, Mário de Aguiar, começou por enviar «as mais patrióticas e sinceras saudações» ao «Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros», «o eminente estadista Sr. Dr. Caeiro da Mata»(1),  por ir «em direcção a Washington», «ao serviço da Nação», «assinar, no dia 4 de Abril, o Pacto do Atlântico».

[Seguramente que Fernanda Câncio, se já fosse jornalista em 1949, também enviaria «as mais patrióticas e sinceras saudações» ao «Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros»... Pois se foi ela que, no dia 13 de Agosto, no mesmo DN, nos confidenciou que apoiou a invasão do Iraqueapoiei a invasão americana»(2)) e, mais recentemente, murmurou a estranha confissão: «... estou ainda para ver o resultado das invasões que apoiei (afeganistão e iraque)...»!]

Em seguida, Mário de Aguiar exprimiu o seu «contentamento» pela prisão dos três comunistas. E é então que se sai com a frase «é público e notório que esta seita, que é comandada do exterior, tem dois jornais clandestinos de propaganda, intitulados Avante e Militante

Daqui vem a primeira parte da frase do título.

A segunda parte da frase do título foi tirada da intervenção de Pinheiro Torres: «Não menos perigosa, não menos para recear, é a acção deles nos livros que publicam, nas conferências que fazem, no que escrevem nas revistas e jornais, onde destilam subtilmente a peçonha das suas doutrinas!»

Eis, em seguida, excertos dos dois discursos:

1. Na página 420 do nº 184 do Diário da Assembleia Nacional (sessão de 31 de Março de 1949):

O Sr. Mário de Aguiar: - Sr. Presidente: pelas notícias publicadas nos jornais de hoje o País tomou conhecimento de dois factos que devem merecer a atenção da Assembleia. Um deles diz respeito à viagem aérea que o Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros iniciou na madrugada de hoje em direcção a Washington, onde, ao serviço da Nação, deve assinar, no dia 4 de Abril, o Pacto do Atlântico. (...)

O outro facto a que também se refere a imprensa diária é a descoberta pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado de uma parte da organização comunista e prisão de alguns dos seus principais agitadores.

(...)

É público e notório que esta seita, que é comandada do exterior, tem dois jornais clandestinos de propaganda, intitulados Avante e Militante.

É de esperar que tal imprensa seja apreendida e presos os traidores à Pátria, que a atraiçoam com as mãos já tintas de bom sangue português, perseguindo-os a polícia até ao seu total aniquilamento.

Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O orador foi muito cumprimentado.

2. Na página 545 do nº 191 do Diário da Assembleia Nacional (sessão de 22 de Abril de 1949):

O Sr. Presidente: - Tem a palavra, antes da ordem do dia, o Sr. Deputado Pinheiro Torres.

(...)

O Orador: - Haja em vista as últimas descobertas levadas a efeito pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado no campo comunista. Essas descobertas vieram, mais uma vez, pôr em destaque a extensão e importância da actividade dessa organização antinacional e, portanto, o perigo que representa para todos nós.

(...)

Não menos perigosa, não menos para recear, é a acção deles nos livros que publicam, nas conferências que fazem, no que escrevem nas revistas e jornais, onde destilam subtilmente a peçonha das suas doutrinas!

(...)

Aproxima-se outro acto eleitoral. Temos já a certeza de que os comunistas tencionam, de novo, perturbar o País, aproveitando-se desse período. É o que se conclui das notícias publicadas sobre a apreensão da tipografia clandestina, onde o Avante e o Militante eram feitos. No número do Avante que estava a ser composto e impresso havia um artigo já pronto em que se aconselhavam as comissões organizadas a não se dissolverem.

Ora, o País não quer que os comunistas, e seus parceiros, gozem das mesmas liberdades dos bons portugueses.

(...)

Os comunistas, e aqueles que com eles estão ligados, têm de ser perseguidos, estejam onde estiverem!

(...)

(1) José Caeiro da Mata foi o Ministro da Educação Nacional que, a 7 de Outubro de 1946, assinou o despacho ministerial de demissão de Bento de Jesus Caraça e Mário de Azevedo Gomes.

(2) Neste mesmo artigo confessa FC que tem conhecimento da extrema gravidade das suas opções: «Quero acreditar que não morreu tanta gente - iraquianos e ocupantes - para nada»... Comentários para quê?

Post-Scriptum:

«Confesso: apesar de não ter a menor estima por Bush e de não ter comprado a treta óbvia das armas de destruição maciça, apoiei a invasão americana» (Fernanda Câncio)

Para Ver:

«Quero acreditar que não morreu tanta gente - iraquianos e ocupantes - para nada» (Fernanda Câncio)

Para Ler:

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Segunda-feira, 27 de Setembro de 2010

Quem defendeu uma «ruptura (...) com a (...) submissão ao imperialismo e à NATO»?

Enganam-se aqueles que pensam em Fernanda Câncio. Não, quem defendeu uma ruptura com a submissão ao imperialismo e à NATO não foi Fernanda Câncio. Nem podia ter sido! Pois se foi ela que confessou recentemente: «... estou ainda para ver o resultado das invasões que apoiei (afeganistão e iraque)...»!

Também não foi Ana Gomes. E não podia ser, porque ela propõe «a força militar» como um dos «instrumentos de acção externa» da União Europeia e diz que «a construção de uma Europa da Defesa forte só poderá contribuir para um pilar europeu da NATO forte

Claro que também Cavaco Silva, Durão Barroso, Augusto Santos Silva, Luís Amado, José Sócrates, etc., etc., etc., não defendem uma ruptura com a submissão ao imperialismo e à NATO. Pelo contrário, todos estes - Câncio, Gomes, Cavaco, Barroso, Augusto, Amado, Sócrates, etc., etc., etc. - repetiriam com gosto a velha canção de 78 rotações de 1949: os EUA promovem a NATO «por compreensível sentimento de solidariedade humana»!

E os candidatos presidenciais? Poderiam defender uma tal ruptura? De Cavaco Silva já falámos. E os outros?

Nesta matéria a declaração mais firme - e única! - que se conhece de Manuel Alegre é de 12 de Abril de 2009: «Não tem sentido que, numa situação de crise que exige a mobilização dos nossos escassos recursos, o ministro da Defesa venha defender o reforço do envio de tropas portuguesas para o Afeganistão. Em nome de quê e de que interesses nacionais? (...) a estabilização da situação militar e política na Guiné é muito mais importante e urgente para nós do que o Afeganistão

Quer dizer que, para Manuel Alegre, são a «crise», os «nossos escassos recursos» e a «importância» e a «urgência» da situação na Guiné a justificação para que não se envie mais tropas para o Afeganistão... Não houvesse esses obstáculos...

E, até agora, que se saiba, Manuel Alegre, ainda não disse mais nada. Quando se procura saber o que ele pensa da(s) guerra(s) apenas se encontram referências aos anos 60 como nesta notícia de 8 de Março de 2010: Alegre voltou ao local onde viveu a guerra. Não há nada a opor a que Manuel Alegre visite os locais onde viveu dos momentos mais dramáticos da sua vida. Mas seria interessante que se pronunciasse também sobre as guerras actuais e sobre a NATO. É que já não se trata de desalojar Américo Tomás de Belém e as eleições são em 2011 e não em 1965 ou em 1972...

E Fernando Nobre? Defenderia ele a «ruptura» do título deste texto? Fomos ver o Curriculum Vitae de Fernando Nobre. Aí se escreve que ele foi «orientador, enquanto representante de uma ONG, num exercício prático militar a convite do Comando da Nato em Oeiras, visando uma análise crítica sobre um cenário de guerra (Darfur) – gestão de crise, assistência humanitária e construção da paz

Também na página da AMI se noticia que «o Presidente da AMI, Dr. Fernando Nobre, parte dia 26 para o Afeganistão, onde vai inaugurar uma escola e um posto de saúde na região de Jalalabad. Estes são dois dos vários projectos que resultam da parceria entre a AMI e a ONG local Hope of Mother. (...) Na cerimónia de inauguração destes dois equipamentos, marcada para a manhã de dia 28, estarão presentes o Governador de Jalalabad, representantes do Governo deste país, diversas personalidades de relevância local e regional e responsáveis do PRT (Provincial Reconstruction Team) do Exército Norte-Americano

Seja-nos permitido concluir que Fernando Nobre nunca defenderia uma ruptura com a submissão ao imperialismo e à NATO.

Quanto a Defensor de Moura não há registo de que se tenha pronunciado sobre as guerras imperiais em curso, sobre a NATO, etc.

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Quem defendeu então a «ruptura» de que se fala neste "post"?

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Foi Francisco Lopes, candidato à Presidência da República, que, em duas ocasiões, defendeu uma ruptura com a submissão ao imperialismo e à NATO. Os textos são estes:

1. Declaração de Francisco Lopes, candidato à Presidência da República, no final de Agosto: Uma candidatura vinculada aos valores de Abril

2. No dia 10 de Setembro, no Hotel Altis, em Lisboa: Uma candidatura patriótica e de Esquerda

Aqui se pode ler:

«Esta candidatura não tem hesitações, não alimenta equívocos, nem formula juízos ambíguos sobre as orientações, as soluções ou o rumo indispensáveis para resgatar o País do declínio para que está a ser conduzido. Mudança de política, ruptura com o rumo dominante na política nacional, afirmação de uma política alternativa – eis o que, com toda a clareza, se inscreve como objectivos necessários ao povo e ao País. (...)

Um rumo de ruptura com a natureza do processo de integração europeia e com a postura de submissão ao imperialismo e à NATO, que integre um quadro diversificado de relações internacionais, e contribua para um mundo mais justo, de paz e cooperação, onde seja assegurado aos trabalhadores e aos povos o direito a decidirem do seu próprio destino.»

Aguardamos então que os restantes candidatos presidenciais se pronunciem sobre estes assuntos e, nomeadamente, sobre a Cimeira da NATO, que se vai realizar em 19 e 20 de Novembro, em Lisboa. Aguardamos... mas já temos uma ideia do que podemos esperar...

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Para Ver e Ouvir:

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Domingo, 19 de Setembro de 2010

Nascidos para matar

Para Ler, Ver e Ouvir:

Citações apropriadas

Tente adivilhar quem disse as seguintes frases mortais e depois clique para ver se acertou:

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16 de Março de 2003

«Now, coming to our responsibility in case there is a conflict, I must say that the responsibility falls entirely on the dictator Saddam Hussein. He bears the entire responsibility because he has not respected for all of these years international law and consistently violated the UN resolutions. And in that case, if there is a conflict, I want to repeat it once more, Portugal will be next - side by side with his allies. And the fact that we are here today in the Azores with the United States, with Spain and with the UK, this is very significant

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16 de Março de 2003

Tradução parcial da anterior: «A responsabilidade é inteiramente do ditador Saddam Hussein. É dele a responsabilidade de não ter respeitado durante anos o direito internacional e de ter violado repetidas vezes as resoluções das Nações Unidas»

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12 de Maio de 2007

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18 de Novembro de 2007

«Vi os documentos, tive-os à minha frente, dizendo que havia armas de destruição maciça no Iraque. Isso não correspondeu à verdade» (ver vídeo)

[E ninguém é responsabilizado? Esta pessoa continua a ocupar o lugar destacado que tem?]

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23 de Março de 2008 (reafirmando Fevereiro de 2004)

«Ora, dito isto, preto no branco, eu partilho das razões pelas quais Bush e Blair quiseram ir para a guerra ...»

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2 de Abril de 2008

«O que nós vamos fazer é empenharmo-nos mais no Afeganistão nas áreas que são críticas para o sucesso da missão (...) Estamos muito empenhados no sucesso da operação da NATO no Afeganistão porque isso é fundamental para a credibilidade da Aliança»

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25 de Agosto de 2008

«Sem a intervenção militar de 2001 e a NATO [no Afeganistão] não haveria hoje espaço humanitário para as ONG, por exemplo, poderem fazer o seu trabalho.»

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15 de Abril de 2009

«Discordo de Manuel Alegre quando este critica a decisão do governo de reforçar a presença militar portuguesa no Afeganistão.»

[Manuel Alegre critica reforço. Mas aprova a presença? E sobre a NATO, o que diz Alegre?]

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16 de Dezembro de 2009

«A Europa não pode abandonar os afegãos e não está lá porque os americanos querem. A presença internacional militar e civil continuará a ser necessária ali, por muito mais anos

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3 de Janeiro de 2010

«o Governo e os órgãos que decidem sobre esta matéria, sentiram que era preciso reforçar essa participação [na guerra do Afeganistão]»

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29 de Janeiro de 2010

«a decisão portuguesa de reforçar o contingente português no Afeganistão foi uma decisão com uma única razão: a fronteira de segurança de Portugal está hoje no Afeganistão. (...) É lá que combatemos o terrorismo e onde defendemos a nossa paz e é lá que defendemos o nosso direito de viver e com que valores queremos viver»

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29 de Agosto de 2010

«... estou ainda para ver o resultado das invasões que apoiei (afeganistão e iraque)...»

[Esta pessoa deve ser alguém que não «pensa pela sua cabeça» e que está um pouco confundida pelo «facto de integrar um colectivo que costuma falar a uma só voz (sob pena de)». Ler: Quem disse que eles falam, «não por vontade sua, mas por ordem de uma associação secreta»?]

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Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

Quem disse que eles falam, «não por vontade sua, mas por ordem de uma associação secreta»?

    Não, não foi Fernanda Câncio.

Fernanda Câncio disse estas coisas: «(...) percebo que o facto de integrar um colectivo que costuma falar a uma só voz (sob pena de) o confunda um pouco (...)».  Disse também: «(...) estão habituados a colectivos e não reconheceriam uma pessoa que pensa pela sua cabeça (...)».

Isto é, na prática, FC disse o mesmo - ou pior - que a frase do título que foi tirada daqui:

Falar por ordem de uma associação secreta...

Imaginemos o que é que terá acontecido então se uma das duas pessoas que FC pretendeu atingir, ou ambas, for vista a tomar à noite um sorvete no Áurea...

Se tomaram sorvete no Áurea, é porque receberam pela manhã um sinistro e-mail do Comité Central que lhes transmitia o que deviam escrever nos blogues (além de os mandar, à noite, tomar sorvete no Áurea, sob pena de).

                                                                    

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                   

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 10:06
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