TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Terça-feira, 26 de Julho de 2016
Os Grupos Económicos e o Desenvolvimento em Portugal no Contexto da Globalização

Os Grupos Economicos e o Desenvolvimento em Portug

A investigação realizada ao longo de 4 anos, condensada neste livro, teve como objectivo responder às seguintes questões:

  • Qual é a dimensão do domínio que têm já os grupos económicos em Portugal e qual é a associação que existe entre grupos económicos e desenvolvimento?

  • Serão os grupos económicos um factor importante de crescimento económico e desenvolvimento ou, pelo contrário, serão um factor gerador de desigualdades sociais e regionais e, eventualmente, mesmo um obstáculo ao crescimento económico e ao desenvolvimento sustentado e equilibrado do nosso país?

  • E tudo isto no contexto da globalização, já que actualmente não existe um grupo económico importante que não esteja internacionalizado e integrado no actual processo de globalização e que, por isso, não seja condicionado na sua actividade por tudo aquilo que se passa a nível global.

A conclusão principal que se tirou da investigação realizada é que os grupos económicos a operar no país têm uma posição de grande domínio nos principais segmentos de mercado em que operam condicionando, dessa forma, todo o crescimento económico e desenvolvimento em Portugal e são já, na sua maioria, controlados por grandes grupos económicos estrangeiros, não sendo possível qualquer desenvolvimento independente, equilibrado e sustentado em Portugal sem antes eliminar o domínio que têm sobre o poder político e sobre a economia e a sociedade portuguesa.

Edição em formato digital do autor em 2016

 


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 12:24
link do post | comentar | favorito

Sábado, 22 de Novembro de 2014
A Crise do Sistema Capitalista: As dinâmicas do futuro afastam a Europa das lógicas de guerra do Ocidente

geab_89_0

 Clicar na imagem para visualizar a ligação

-

-


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 09:41
link do post | comentar | favorito

Sexta-feira, 15 de Novembro de 2013
A captura das entidades reguladoras pelos grupos económicos dominantes no sector

«Joseph Stiglitz, prémio Nobel da economia, no seu livro “O preço da desigualdade”, escreveu o seguinte sobre as entidades reguladoras:

Hoje em dia, em muitas áreas, as agências reguladoras são responsáveis pela fiscalização de um setor. O problema é que os líderes (dos grupos económicos) nestes setores usam a sua influência politica para nomear para as agências reguladoras personalidades complacentes com os seus objetivos. Os economistas referem-se a isto como captura do regulador. Por vezes a captura é associada a incentivos monetários: os que se encontram na comissão reguladora são provenientes do setor que é suposto regularem e aí regressam mais tarde. Os seus incentivos e os da indústria estão bem alinhados, ainda que estejam desalinhados com o resto da sociedade. Se os da comissão reguladora servem bem o setor, são bem recompensados na sua carreira pós-governamental. Contudo, por vezes a captura não é motivada pelo dinheiro. Em vez disso, a mentalidade dos reguladores é capturado pelos regulados. Trata-se da captura cognitiva que é mais um fenómeno sociológico” (pág. 111). E refere mesmo como ex. o ex-presidente da Reserva Federal americana Alan Greenspan.

Embora a citação seja longa ela tem a virtude de chamar a atenção de todos os portugueses para um fenómeno preocupante que se verifica também no nosso país, pois ele reforça o poder dos grupos económicos e, consequentemente, o seu domínio sobre a sociedade e a economia portuguesa e sobre o poder politico em Portugal.

No nosso livro “Grupos económicos e desenvolvimento em Portugal no contexto da globalização” mostramos, com base numa longa lista de mais de 100 nomes, de que forma o fenómeno conhecido por “porta giratória” se manifesta em Portugal (membros de grupos económicos que vão para o governo, e ex-membros do governo e de entidades reguladoras que depois vão para conselhos de administração de grupos económicos), o que contribui para a captura do próprio governo.»

-


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 12:39
link do post | comentar | favorito

Sábado, 17 de Abril de 2010
Interpretar o momento (histórico) - Contributo para a transformação do mundo

Um dos trechos mais conhecidos de Marx é a sua 11.ª tese sobre Feuerbach – «Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes; a questão, porém, é transformá-lo». Esta «tese» deveria estar sempre presente entre os que se ocupam a interpretar o mundo, a tentar perceber o que vai acontecendo, e porquê. No entanto, não menos importante é que quem tomou o partido de transformar o mundo não esqueça que, para bem o transformar, de acordo com o partido que foi tomado, há que perceber o que se passa, há que interpretar o mundo.

-


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 12:02
link do post | comentar | favorito

Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2010
Reflexões sobre o mecanismo de exploração

     Todos os princípios concorrem para o mesmo objectivo - reduzir os custos unitários do trabalho, maximizar a apropriação do valor excedente (mais-valia) produzido pelos trabalhadores, maximizar lucros. É tão simplesmente isto que se quer quando se fala da sacrossanta competitividade ou da impenetrável globalização...

Se a luta do patrão é pela obtenção de lucro pela maximização do trabalho não-pago, a luta do trabalhador é exactamente a oposta, reduzir o tempo de trabalho não-pago, por via do aumento do salário (o que contribui também para a compensação salarial total, que contém as contribuições para a segurança social, que formam o «salário» na reforma) e/ou pela redução do horário de trabalho (com vista a garantir o direito ao lazer).

E o resultado da luta dependerá, como sempre do grau de organização e unidade dos trabalhadores. O patronato sabe-o. Tão verdadeira como a máxima popular «dividir para reinar» é a certeza que «o povo unido jamais será vencido». Como alguém escreveu à mais de 160 anos: «Proletários de todos os países UNÍ-VOS». Esta é a condição sine qua non...

(sublinhados meus)

                                                                         


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 07:06
link do post | comentar | favorito

Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
«Portugal do Minho a Timor», versão Augusto Santos Silva

    Falando na abertura do ano lectivo do Instituto de Defesa Nacional (IDN), o novo ministro da Defesa disse que “Portugal é historicamente treinado no cosmopolitismo”, lembrando que os portugueses “lideraram a primeira globalização” durante os Descobrimentos.

(...)

A Defesa vira-se hoje para o espaço global, as nossas fronteiras não começam na fronteira territorial clássica, as fronteiras da nossa segurança jogam-se muitas vezes em regiões fisicamente afastadas de nós mas geo-estrategicamente próximas, a Defesa tem de ser entendida crescentemente como uma realidade multilateral que implica parcerias e partilha de responsabilidades e de capacidades”, declarou.

Perante ameaças que “não são previsíveis”, Santos Silva defendeu uma Defesa Nacional “crescentemente flexível, capaz de se adaptar permanentemente”, que “deve ser concebida num quadro mais geral de segurança que compreende vários instrumentos e meios de natureza militar e civil coordenados entre si”.  

(...) 

O novo ministro apontou Portugal como precursor do “cosmopolitismo e da globalização”, (...)  

Para nós portugueses, esta mudança de paradigma enriquece a nossa própria matriz histórica, esta mudança a que se assiste em matéria de Defesa e Segurança não rompe, antes enriquece a nossa própria matriz, acrescenta novos valores a valores que não substitui nem pode substituir”, vincou.

Neste sentido, o responsável pela pasta da Defesa, “o novo quadro que regula hoje as questões da Segurança e da Defesa é um paradigma” que os portugueses “conhecem há séculos” (...)
In Santos Silva sublinha importância de “pôr no terreno” reformas da Defesa (Público)
                     

Ouvir aqui os noticiários das «Emissoras Nacionais»: 

 Aqui o jornalista da TSF entusiasma-se ao ponto de terminar assim a sua reportagem:

«O novo Ministro da Defesa ressalva que o paradigma da defesa nacional está muito para além das fronteiras do país e os portugueses já estão habituados a adaptarem-se a novas situações ou não fossem eles os primeiros a saírem para o mundo no tempo das cascas de noz por esses mares fora».

     Pedimos a Zeca Afonso para comentar tudo isto:

A Nau de António Faria
             (José Afonso)

Vai-se a vida e vem a morte
o mal que a todos domina
Reina o comércio da China
às cavalitas da sorte

Dinheiro seja louvado
A cruz de Cristo nas velas
Soprou o diabo nelas
deu à costa um afogado

A guerra é coisa ligeira
tudo vem do mal de ofício
Não pode haver desperdício
nesta vida de canseira

Demanda o porto corsário
no caminho faz aguada
Ali findou seu fadário
morreu de morte matada

A nau de António Faria
Leva no bojo escondida
A cabeça de uma corsário
que lhes quis tirar a vida

Aljofre pérola rama
eis os pecados do mundo
Assim vai a nau ao fundo
Sem arte a honra e a fama

Entre cristãos e gentios
Em gritos e altos brados
Para ganhar uns cruzados
Lançam-se mil desafios

Em vindo de veniaga
com a vela solta ao vento
Um mouro é posto a tormento
por não dizer quem lhe paga

Vou-me à costa à outra banda
já vejo o rio amarelo
Foi no tempo do farelo
agora é o rei quem manda

Faz-te à vela marinheiro
rumo ao reino de Sião
Antes do fim de Janeiro
hás-de ser meu capitão.

Sobre este tema Ler ainda neste blogue:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                   


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 12:05
link do post | comentar | favorito

Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
Considerações breves sobre a crise e sua evolução

     A crise pôs e continua a pôr em evidência estas erradas opções políticas e «teorias» económicas que não são neutras. Servem os interesses das classes dominantes e para melhor aceitação são revestidas com a capa de ciência económica e divulgadas por universidades e académicos enfeudados ao sistema.

                                                                           


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 00:06
link do post | comentar | favorito

Sábado, 30 de Maio de 2009
Chicken a la Carte, um filme de Ferdinand Dimadura

     Há muitos anos, quando comecei a questionar porque vivia num país onde não havia democracia e tanta injustiça social, houve quem me dissesse "Sempre foi assim e sempre assim será!..."

Não era verdade. Sabemos, quase todos, que não é verdade. Nem para Portugal, nem para o mundo.

Mas há quem continue a pensar (e a desejar?...)... "Sempre foi assim e sempre assim será!..."

Nós sabemos que não é verdade...

Não há palavras...

adaptado de um e-mail enviado pelo Fernando

                                                                   


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 12:12
link do post | comentar | favorito

Sexta-feira, 13 de Março de 2009
Putin e a «tempestade perfeita»

    (...) Apenas quero lembrar-vos que, apenas há um ano, os delegados americanos, falando desta tribuna, destacaram a profunda estabilidade e as perspectivas optimistas da economia norte-americana. Hoje, os bancos de investimento, o orgulho de Wall Street, praticamente deixaram de existir. Em apenas 12 meses registaram perdas que ultrapassam os lucros obtidos nos últimos 25 anos. Só este exemplo reflecte a situação real melhor que qualquer crítica. (...)

                              

Notícias AQUI e AQUI                                                                                      


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 00:01
link do post | comentar | favorito

Domingo, 22 de Fevereiro de 2009
O meu Marx é diferente

     A propósito da actual crise económica e financeira do sistema capitalista a obra de Karl Marx ganhou um novo relevo. Mas muito do que se escreve e diz revela um desconhecimento (ou ignorância) atroz. Falam de Marx, mas aparentemente nunca o leram. Quanto mais estudarem-no. O resultado é uma deturpação objectiva do seu pensamento. Uma caricatura ridícula da realidade da sua acção.

É caso para dizer que o «meu» Marx é diferente.

O meu Marx é o que converteu a utopia em pensamento político e este em acção revolucionária. O que descobriu as leis objectivas do desenvolvimento social e provou cientificamente a inevitabilidade da superação do capitalismo e do triunfo do socialismo. O que analisou a vida social como algo que está em permanente movimento. O Marx determinista, mas não fatalista.

O meu Marx é o que reelaborou criticamente todas as melhores conquistas do pensamento humano no domínio da filosofia. O que considerou que na sociedade, como na natureza, existem nas situações e nos fenómenos relações objectivas de causa e efeito. É o Marx da afirmação: «Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes, a questão é transformá-lo». Ou de «A nossa teoria não é um dogma, mas um guia para a acção». Ou, ainda, o da constatação cem por cento actual de que «as ideias dominantes de um tempo foram sempre apenas as ideias da classe dominante». É o Marx da dialéctica como método de conhecimento e transformação do mundo. Da prática como fundamento e fim do conhecimento. Do conhecimento como reflexo do mundo objectivo.

O meu Marx é o da análise do capitalismo e das leis fundamentais da reprodução do capital que se revelam de uma evidente modernidade. Como a lei do valor e a teoria da mais-valia, que esclarece os mecanismos da exploração capitalista. Como a lei da baixa tendencial da taxa de lucro, que o capital tudo faz para contrariar e que determina a financeirização crescente da economia. Como a lei da pauperização relativa, que desvenda as causas de fundo inultrapassáveis pelo capitalismo das crises de sobreprodução.

É o Marx da «globalização» teorizada em 1848: «A necessidade de um mercado em constante expansão para os seus produtos persegue a burguesia por todo o globo terrestre. Tem de se fixar em toda a parte, estabelecer-se em toda a parte, criar ligações em toda a parte.» Ou: «A burguesia, pela sua exploração do mercado mundial, deu uma forma cosmopolita à produção e ao consumo de todos os países

O meu Marx é o da a teoria do socialismo científico. O da missão histórica e papel dirigente da classe operária na transformação revolucionária da sociedade, pondo fim à milenária exploração do homem pelo homem e abrindo caminho à história verdadeiramente humana de todos os homens. O da teoria da luta de classes: «a história de toda a sociedade até aqui é a história de lutas de classes». O de «o moderno poder de Estado é apenas uma comissão que administra os negócios comunitários de toda a classe burguesa». O de «as proposições teóricas dos comunistas de modo nenhum repousam sobre ideias, sobre princípios, que foram inventados ou descobertos por este ou por aquele melhorador do mundo. Elas são apenas expressões gerais de relações efectivas de uma luta de classes existente, de um movimento histórico que se processa ante os nossos olhos.»

Como Marx refere, no prefácio à primeira edição de O Capital, «a sociedade actual não é nenhum cristal fixo, mas um organismo capaz de transformação e constantemente compreendido num processo de transformação».

Espero ter demonstrado que o meu Karl Marx (e Friedrich Engels) é efectivamente diferente das vulgatas que por aí se vão «vendendo». E que teriam levado Marx a afirmar, de novo, «se isso é marxismo, então eu não sou marxista»...

                                                                                    

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

                                                                                           

In jornal "Público" - Edição de 20 de Fevereiro de 2009

                                                                                          


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 00:01
link do post | comentar | favorito

Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009
Notícias dos EUA: A política externa

     A Secretária de Estado, Hillary Clinton, está a realizar a sua primeira visita oficial. A parte da Ásia (Japão, Indonésia, Coreia do Sul e China). 

É uma novidade. É a primeira vez que um Secretário de Estado americano não começa por visitar a Europa.

Mas é, também, um sinal de mudança. Depois de uma era de fixação obsessiva no "terrorismo", no mundo árabe, na necessidade de conseguir apoios europeus para as suas agressões militares, no apoio a Israel e à sua política expansionista e desestabilizadora e no desconhecimento do mundo (abandono de África, desprezo pela América Latina, ocupação do Médio Oriente, controlo do Paquistão), sopram ventos de mudança na política externa.

Estaremos para ver.

Anunciada que está a retirada do Iraque, ainda está por se saber se se confirma uma mudança estratégica no Afeganistão, com um enfoque especial, mais no desenvolvimento e no apoio às populações e menos nas acções militares.

A questão dos dois Estados, Israel e Palestina, está em cima da mesa. Como irão evoluir as relações com o Irão, a Síria, o Egipto?

Os crimes do Darfur continuam. Será que África vai continuar a ser ocupada por interesses chineses e desinteresses generalizados?

O bloqueio de Cuba continua. E, como a história mostra, essa acção tem servido para reforçar o apoio internacional e, principalmente, regional a essa mesma Cuba. Como irá evoluir a Organização dos Estados Americanos? Permanecerá a relação privilegiada com a Colômbia, em detrimento de todos os outros estados da região?

    Depois de um século XX marcado pelo fim dos impérios tradicionais, pelo início do neo-colonialismo, pela que parecia ser a eterna disputa entre dois sistemas políticos e militares, pela globalização e as euforias bolsistas das novas sociedades da comunicação, entrámos numa nova era. 

É difícil perceber o que se passa porque estamos, precisamente, dentro da arena. Somos mais participantes do que espectadores. Mas uma coisa é certa, na minha opinião. Faltam, a nível mundial e regional, políticas e líderes que apontem novos caminhos de entendimento e desenvolvimento universais.

Uma vez mais falta valorizar as utopias, os sonhos, as práticas culturais e políticas baseadas no respeito pelas diferenças e na valorização dos objectivos comuns.

Um abraço para todos,

(sublinhados meus)

           

Fernando

                 

Notícias AQUI

                            


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 15:24
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Domingo, 2 de Novembro de 2008
A crise do Capitalismo - as causas e a resposta necessária (Jerónimo de Sousa)

     Jerónimo de Sousa, na Sessão Pública de 23 de Outubro, alertou para os que «querem, com as suas mistificadoras explicações, esconder que uma das principais causas da crise está na crescente financeirização da economia mundial. Nas políticas que promoveram a desregulamentação financeira, as privatizações, a livre circulação de capitais e a economia de casino, em detrimento da produção real e das condições de vida dos trabalhadores e dos povos».

Jerónimo de Sousa

    As intervenções que me precederam analisaram e evidenciaram algumas das dimensões mais importantes da actual crise económica e financeira internacional que é, pela sua natureza e amplitude, uma grave crise do próprio sistema capitalista. Crise que, como também aqui se evidenciou, revela não só o fracasso das políticas de direita, do fundamentalismo neoliberal dominante e do seu programa político e a sua incapacidade para responder aos problemas dos trabalhadores e dos povos, mas que se apresenta como um rude golpe na fábula do capitalismo triunfante dos últimos anos, capaz de dominar as suas contradições insanáveis e conter a acção predadora e destruidora inerente à evolução do próprio modo de produção capitalista. Acção que cíclica e sistematicamente se manifestou com pesadas e dramáticas consequências na vida da humanidade.

Rude golpe também nas fantasiosas construções ideológicas da tecnocracia neoliberal que, sob a capa de inquestionáveis soluções cientificas e técnicas, apresentava a globalização capitalista e os seus processos de liberalização planetária dos mercados e da livre circulação de capitais, sob o domínio da ditadura do capital financeiro e das grandes multinacionais, como a única solução dos problemas do desenvolvimento mundial, mas que não só trouxe o caos financeiro e a crise, como o aumento das desigualdades nacionais e sociais, incluindo no seio dos países mais desenvolvidos e a agudização dos problemas agro-alimentares, energéticos e ambientais.

Uma realidade que dá actualidade à luta pela construção do socialismo como única, real e necessária resposta à profunda crise do sistema.

Ler Texto Integral

                                  

Notícias AQUI, AQUI, AQUI e AQUI           

           


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 12:08
link do post | comentar | favorito

Sábado, 1 de Novembro de 2008
A crise do Capitalismo - as causas e a resposta necessária (Carlos Carvalhas)

     Jerónimo de Sousa, na Sessão Pública de 23 de Outubro, alertou para os que «querem, com as suas mistificadoras explicações, esconder que uma das principais causas da crise está na crescente financeirização da economia mundial. Nas políticas que promoveram a desregulamentação financeira, as privatizações, a livre circulação de capitais e a economia de casino, em detrimento da produção real e das condições de vida dos trabalhadores e dos povos».

Carlos Carvalhas

     As crises põem muitas vezes a nú conceitos e modelos que nos eram apresentados como exemplos e verdades intangíveis.

A actual crise, dita financeira, veio também mostrar com mais nitidez um conjunto de mitos entre os quais os do «Consenso de Washington» elevados à categoria de «ciência económica».

Muitos dos conceitos que têm sido impingidos nas universidades e à opinião pública são pura ideologia. E a ideologia dominante é a da classe dominante.

Sem qualquer preocupação de ordem e arrumação, atente-se nos diversos modelos económicos de países que já nos foram apresentados como exemplos.

Ler Texto Integral

           

Notícias AQUI, AQUI, AQUI e AQUI                           

 


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 12:02
link do post | comentar | favorito

Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008
A crise do Capitalismo - as causas e a resposta necessária (Pedro Carvalho)

     Jerónimo de Sousa, na Sessão Pública de 23 de Outubro, alertou para os que «querem, com as suas mistificadoras explicações, esconder que uma das principais causas da crise está na crescente financeirização da economia mundial. Nas políticas que promoveram a desregulamentação financeira, as privatizações, a livre circulação de capitais e a economia de casino, em detrimento da produção real e das condições de vida dos trabalhadores e dos povos».

Pedro Carvalho

     A injecção de capital de 200 mil milhões de dólares, efectuada pelo governo norte-americano no passado dia 7 de Setembro, para salvar os seus dois «gigantes» do crédito hipotecário, Fannie Mae e Freddie Mac, marcou o início de uma vaga de operações de salvamento efectuadas por diversos governos do centro do sistema capitalista mundial, por via da tomada de posição directa no capital ou pela promoção de fusões&aquisições, à medida em que diversos bancos e outras instituições financeiras entravam em colapso. 

Desde então, só as injecções de capital, com vista à «recapitalização» do sistema bancário, que se traduziram em efectivas «nacionalizações» parciais, ascenderam a mais de 545 mil milhões dólares, a 24 bancos de 7 países do centro do sistema. Ao mesmo tempo, os governos têm concedido milhares de milhões de dólares em garantias e avales ao sistema bancário e financeiro. Em paralelo, os principais bancos centrais ao nível mundial tomam acções concertadas de redução das taxas de juro de referência e injectam milhares de milhões de dólares em liquidez no mercado interbancário. Intervenções que visam também trazer confiança aos mercados de capitais, que continuam a deflacionar, no meio de muita volatilidade, numa sucessão de crashs e mini-crashs bolsistas. O FMI estima que só as perdas, ao nível dos activos financeiros e empréstimos dos EUA, possam atingir os 1,4 milhões de milhões de dólares.         

Ler Texto Integral

              

Notícias AQUI, AQUI e AQUI

           


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 17:21
link do post | comentar | favorito

Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008
A crise do Capitalismo - as causas e a resposta necessária (Sérgio Ribeiro)

     Jerónimo de Sousa, na Sessão Pública de 23 de Outubro, alertou para os que «querem, com as suas mistificadoras explicações, esconder que uma das principais causas da crise está na crescente financeirização da economia mundial. Nas políticas que promoveram a desregulamentação financeira, as privatizações, a livre circulação de capitais e a economia de casino, em detrimento da produção real e das condições de vida dos trabalhadores e dos povos». 

Sérgio Ribeiro

    Quem escora a sua leitura e interpretação da História no marxismo-leninismo, confrontando-a permanentemente com a realidade que vive, tem hoje motivos de satisfação. Não por vanglória de "ter razão"; não por estulta vaidade pessoal, não porque seja agradável de ver (e de conviver com) o espectáculo do mundo, bem pelo contrário. Mas porque, isso sim, dá força para a luta. Contínua.

Com a humildade que deve ser intrínseca a quem se arroga dessa leitura e interpretação, e de que Marx e Engels deram exemplo, como o prova, de forma cabal, o prefácio de 1872 ao Manifesto de 1848, quando afirma que "o programa está hoje, num passo ou noutro, antiquado" e que a aplicação dos princípios - que "conservam, grosso modo, ainda hoje a sua plena correcção" - "dependerá sempre e em toda a parte das circunstâncias historicamente existentes".

Hoje, 160 anos depois, o mercado mundial a que se referia o Manifesto, como nele se lê "deu ao comércio, à navegação, às comunicações por terra, um desenvolvimento imensurável" (e ainda estavam para vir as comunicações por ar, em toda a sua acepção). E acrescenta-se que "Este (desenvolvimento) reagiu sobre a extensão da indústria, e na mesma medida em que a indústria, o comércio, a navegação, os caminhos de ferro (e o mais que veio depois, pode acrescentar-se) se estenderam, desenvolveu-se a burguesia, multiplicou os seus capitais, empurrou todas as classes transmitidas da Idade Média para segundo plano" (e entre estas estão os "estados intermédios", no Manifesto o pequeno industrial, o pequeno comerciante, o artesão, o camponês).                  

Ler Texto Integral

 

Notícias AQUI

           


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 18:06
link do post | comentar | favorito

Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008
Leitura Obrigatória (CV)

    São de leitura obrigatória os estudos de Eugénio Rosa sobre a realidade económica e social de Portugal: 


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 00:01
link do post | comentar | favorito

Terça-feira, 19 de Agosto de 2008
A pobreza alarga brechas na imagem do Japão

    «Em relativamente pouco tempo, a segunda maior economia mundial passou de uma sociedade coesiva e igualitária para outra dominada pelos males do modelo neoliberal: uma classe desfavorecida crescente, alienação social, disparidades de rendimento a aumentar e descontentamento ao rubro. Os contratos sociais e laborais noutros tempos tão alardeados falharam no acompanhar as mudanças impostas pela globalização, deixando um grande número de pessoas que mal conseguem sobreviver».

 

Não muito antes de representantes das mais ricas nações do mundo se reunirem em Toyako para o mais mediático acontecimento na história desta remota comunidade piscatória japonesa, desenrolava-se uma cena muito diferente a apenas poucas centenas de quilómetros para sul. Trabalhadores em fúria lançavam pedras e bombas incendiárias contra a polícia de choque de Nishinari, em Osaka, viravam um carro e deitavam fogo ao lixo, descarregando a sua frustração e impotência para conseguirem arranjar trabalho.

A violência, que envolveu cerca de 200 pessoas e se estendeu durante dois dias no mês passado, estava muito longe da imagem de serenidade que a sociedade japonesa normalmente apresenta ao mundo. Mas os motins foram apenas uma manifestação extrema das fracturas sociais que estão a aparecer num país frequentemente, embora com ironia, referido como o mais bem sucedido estado socialista do mundo.

Na sequência de mais de uma década de estagnação económica, o Japão já não é o sítio ameno que costumava ser para os membros mais fracos da sua sociedade.

                        

Ler Texto Integral

                                      


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 00:08
link do post | comentar | favorito

Quinta-feira, 24 de Julho de 2008
Pensamento de 24 de Julho de 2008

    Para nós é claro que o processo de globalização capitalista, dominado pelo capital económico e sobretudo financeiro, que proclama  (escondendo a sua ideologia) o fim das ideologias enquanto elementos capazes de ajudar o ser humano a encontrar o caminho da sua libertação e que erigiu, demagógica e falsamente, o mercado como principal factor de desenvolvimento das sociedades, é neste momento o grande obstáculo ao acesso de milhões de seres humanos ao conhecimento.

                                                                            


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 16:15
link do post | comentar | favorito

Quarta-feira, 23 de Julho de 2008
O Manifesto - 160 anos de um documento actual

Texto de Sérgio Ribeiro

    O Manifesto do Partido Comunista é «dos mais significativos documentos programáticos do comunismo fundado em bases científicas, que contém uma exposição coerente das bases da grande doutrina de Marx e Engels.». Este tributo nos 160 anos da sua apresentação confina-se a bordejar dois temas, após uma observação geral introdutória.


Observação introdutória

Ler o Manifesto é rever «matéria dada», encontrando sempre algo novo que ajuda a entender o que se passa hoje e aqui, e dá «armas» para a resposta a situações que se confrontam. Sublinhe-se que tal não acontece por conter «receitas», «fatos feitos» para os factos. Entre as suas virtudes, avisa que é documento que «satisfaz uma encomenda» e cumpre a tarefa de redigir, para publicação, um «programa teórico e prático pormenorizado do Partido» (prefácio à edição alemã de 1872).
                                                    
Ler Texto Integral
                             

sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 00:12
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito

Domingo, 29 de Junho de 2008
A Soberania Alimentar

    A realidade impõe cada vez mais a defesa a produção nacional e a garantia da soberania alimentar. Foi esta a conclusão da «Conversa da Treta» da edição de 30 de Maio. Mas como?
Com uma outra política para a agricultura nacional. Política que realize uma profunda avaliação da situação agrícola. Que promova uma ruptura com a actual Política Agrícola Comum (PAC) e com as imposições da União Europeia (U.E.) para a agricultura.
No imediato, em primeiro lugar, é essencial tomar medidas que tenham como objectivos garantir a soberania alimentar com o direito a produzir. Bem como a definição de uma nova política agrícola e alimentar nacional, de acordo com as potencialidades agrológicas e as necessidades do País.
Em segundo lugar, é indispensável assegurar a elevação dos rendimentos dos agricultores. O que passa pela defesa do emprego e melhores salários dos trabalhadores agrícolas. E pela preservação do tecido social agrícola, assente numa forte rede de explorações agrícolas familiares.
Depois, é necessário assegurar a coesão económica e social, travando o agravamento das assimetrias regionais, a desertificação e perda de actividade agrícola de muitas áreas agro-rurais.
Finalmente, é necessário proporcionar a segurança alimentar com uma produção agrícola e pecuária (e processos de conservação e transformação) que assegure produtos de qualidade.
Nada disto foi tido em conta na recente proposta legislativa da Comissão Europeia (CE) sobre o "Estado de Saúde" da PAC. Proposta essa que revela uma total insensibilidade social e maltrata a agricultura familiar, os pequenos agricultores.
Face à escalada no aumento dos preços que se tem verificado nos últimos meses, ao abandono da terra e ao desaparecimento de muitos milhares de explorações agrícolas a CE, em vez de inverter o caminho perseguido pelas últimas reformas da PAC, antes o acentua.
É particularmente grave que, no actual contexto, se proceda à supressão total dos pagamentos associados à produção ainda existentes (com excepção apenas das vacas em aleitamento, dos caprinos e ovinos), transferindo-os para o regime de pagamento único.
Isto ao mesmo tempo que avança no desmantelamento progressivo de organizações comuns de mercado importantes como do vinho, do açúcar, das frutas e hortaliças, do tabaco, da banana. Bem como o desmantelamento do sistema de quotas leiteiras até 2015, a supressão da intervenção (trigo duro, arroz e a carne de suíno), fomentando ainda mais o abandono da terra e da actividade agrícola.
De igual forma, mantém o incentivo ao absentismo e a distribuição injusta dos subsídios entre produtores, produtos e países. Acelerando assim o processo de concentração da produção em alguns países e regiões. Acelerando a especulação sobre o mercado das terras agrícolas e a actividade especulativa sobre os géneros alimentícios. Acelerando a formação de cartéis pelas indústrias alimentares e de distribuição. Acelerando a promoção do modelo da «agricultura intensiva» e «competitiva», com consequências negativas para a soberania e segurança alimentares.
Esta proposta da Comissão não tem em conta, e era necessário ter, que a agricultura e os sistemas de produção agrícola são muito diversificados no conjunto dos países da União Europeia.
É necessário uma outra política agrícola que tenha como princípio o direito à soberania e segurança alimentares de cada país e a resolução dos estrangulamentos que têm levado ao abandono da produção pelos pequenos e médios agricultores.
                                                     

In "Jornal do Centro" - Edição de 27 de Junho de 2008

                                                                      


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 00:02
link do post | comentar | favorito

Quinta-feira, 12 de Junho de 2008
A violação dos direitos das mulheres

    A violação dos direitos das mulheres foi o tema da Audição promovida pelo GUE/NGL, no Parlamento Europeu, que contou com a participação de mulheres de todo o mundo. Odete Santos, em representação do PCP, foi uma das oradoras nesta Audição que contou também com a participação da deputada do PCP ao PE, Ilda Figueiredo.

                                                             

Ler Texto Integral

                                                                            


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 08:09
link do post | comentar | favorito

Quarta-feira, 4 de Junho de 2008
O Aumento dos Preços e a Redução da Soberania Alimentar

     Nos últimos meses Portugal e o mundo foram confrontados com uma escalada no aumento dos preços dos bens alimentares. No nosso país traduziu-se na subida de 74% no preço do leite, 71% no arroz, 36% nos óleos, 34% nas massas, 34% nas farinhas, 24% nos ovos, entre outros. Daqui resulta uma grave situação para as condições de vida da população. Esta realidade coloca em evidência os alertas e as denúncias que, ao longo dos anos, o PCP realizou.
Durante anos, assistimos à destruição da produção agrícola nacional (desapareceram mais de 250.000 explorações agrícolas) e a uma completa submissão à União Europeia e à PAC. Assistimos ao abandono da terra, ao empobrecimento e esvaziamento da população agrícola, à ruína dos pequenos agricultores. Assistimos a uma política de subsídios desligada da produção e de favorecimento dos grandes proprietários (95% dos subsídios para 5% das explorações). Resultado? Portugal foi conduzido a uma crescente vulnerabilidade e dependência agro-alimentar. Hoje importa-se de 60% a 80% da alimentação de que o país necessita.
A destruição da soberania alimentar é obra de sucessivos governos com consequências económicas e sociais gravíssimas. As dificuldades com que o país está hoje confrontado para enfrentar esta crise resultam essencialmente das opções políticas erradas que governos do PSD e PS, com ou sem CDS-PP, tomaram nos últimos 30 anos.
O Governo PS no Programa de Desenvolvimento Rural insiste em prosseguir uma política agrícola ruinosa. Sob o pretexto da «competitividade» liquidam-se as compensações para a agricultura dita não competitiva (acabando com os apoios para as explorações com menos de 0,5 ha). Impõe-se o fim da electricidade verde e a não actualização do apoio ao gasóleo agrícola. Liquida-se a pequena produção familiar. Elimina-se a produção em vastas áreas agrícolas. Facilita-se o destino de solos agrícolas de boa qualidade para outros usos. Promove-se a transferência de uma produção pecuária extensiva e baseada nos pastos para a pecuária intensiva na base de rações. Prossegue-se a liquidação da vinha e da produção de leite.
Para os comunistas, a crise dos preços dos bens alimentares resulta ainda de um complexo conjunto de factores.
Em primeiro lugar, as políticas de liberalização do comércio mundial no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), que transformaram a alimentação numa banal mercadoria.
Em segundo lugar, as políticas de «ajustamento estrutural» impostas aos países do Sul pelo Banco Mundial (BM) e Fundo Monetário Internacional (FMI) com a liquidação das suas agriculturas de subsistência e auto-consumo.
Em terceiro lugar, a «conjuntura» da crise financeira internacional. Num quadro em que meia dúzia de oligopólios/monopólios dominam o comércio mundial agropecuário e onde os produtos agro-alimentares estratégicos básicos se transformam em objecto da especulação bolsista.
Finalmente, a combinação de outros factores decorrentes do agravamento das contradições no seio sistema capitalista. Destacam-se as questões ambientais e os seus efeitos na desertificação de territórios e a escassez de água. O aumento do preço do petróleo. O agravamento da situação de ocupação de solos com culturas industriais, nomeadamente por via da política dos agro-combustíveis.
A realidade impõe cada vez mais a defesa a produção nacional e a garantia da soberania alimentar. É o que veremos na próxima «Conversa da Treta».
                                                   

In "Jornal do Centro" - Edição de 30 de Maio de 2008

                                       


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 00:12
link do post | comentar | favorito

Domingo, 1 de Junho de 2008
Encontro Nacional sobre Educação

    No Encontro Nacional do PCPPor uma Escola Pública de qualidade e gratuita ao serviço  do País e dos portugueses”, Jerónimo de Sousa afirmou que a crescente mercantilização da educação é uma realidade que não se pode dissociar das políticas neoliberais que têm vindo a ser implementadas no país, num quadro mais geral de subordinação do poder político ao poder económico.

              

Ler Texto Integral

                              


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 18:37
link do post | comentar | favorito

Segunda-feira, 19 de Maio de 2008
O aumento de preços e a redução da soberania alimentar

    Nos últimos meses o país e o mundo foram confrontados com uma escalada no aumento dos preços dos bens alimentares que, na realidade nacional, tiveram reflexos na subida de 74% no preço do leite, 71% no arroz, 36% nos óleos, 34% nas massas, 34% nas farinhas, 24% nos ovos, entre outros. A subida dos preços de bens alimentares no nosso país e a grave situação que daí resulta para as condições de vida da população, colocam em evidência os alertas e as denúncias que, ao longo dos anos, o PCP realizou e tornam mais clara a exigência de uma ruptura com as políticas de direita que têm sido aplicadas para a agricultura pelo Governo PS. 
Durante anos, assistimos à destruição da produção agrícola nacional (desapareceram mais de 250.000 explorações agrícolas) e a uma completa submissão à União Europeia e à PAC. O abandono da terra, o empobrecimento e esvaziamento da população agrícola, a ruína dos pequenos agricultores e uma política de subsídios desligada da produção e de favorecimento dos grandes proprietários (95% dos subsídios para 5% das explorações), conduziram o país a uma crescente vulnerabilidade e dependência agro-alimentar, com a importação de 60% a 80% da alimentação de que o país hoje necessita.
A destruição da soberania alimentar é obra de sucessivos governos com consequências económicas e sociais gravíssimas. As dificuldades com que o país está hoje confrontado para enfrentar esta crise resultam essencialmente das opções políticas erradas que governos do PSD e PS, com ou sem CDS-PP, tomaram nos últimos anos.     

                 
A política de direita, a globalização capitalista e a crise na agricultura
               
O Governo PS no Programa de Desenvolvimento Rural insiste em prosseguir uma política agrícola ruinosa. Sob o pretexto da «competitividade»: liquidam-se as compensações para a agricultura dita não competitiva (acabando com os apoios para as explorações com menos de 0,5 ha); impõe-se o fim da electricidade verde e a não actualização do apoio ao gasóleo agrícola; liquida-se a pequena produção familiar; elimina-se a produção em vastas áreas agrícolas; facilita-se o destino de solos agrícolas de boa qualidade para outros usos; promove-se a transferência de uma produção pecuária extensiva e baseada nos pastos para a pecuária intensiva na base de rações; prossegue-se a liquidação da vinha e da produção de leite.
A situação com que o nosso país e o mundo estão confrontados no plano alimentar não pode  ser também desligada da natureza predadora do sistema capitalista que, em função da acumulação e concentração do capital, impõe a ruína a milhares de agricultores, a exploração dos trabalhadores e dos povos, a delapidação dos recursos naturais e degradação do meio ambiente, a fome e a miséria às populações.
Para o PCP, a crise dos preços dos bens alimentares resulta ainda de um complexo conjunto de factores, de que se destacam:

  • As políticas de liberalização do comércio mundial no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), que transformaram a alimentação numa banal mercadoria;
  • As políticas de «ajustamento estrutural» impostas aos países do Sul pelo Banco Mundial (BM) e Fundo Monetário Internacional (FMI) com a liquidação das suas agriculturas de subsistência e auto-consumo;
  • A «conjuntura» da crise financeira internacional, num quadro em que meia dúzia de oligopólios/monopólios dominam o comércio mundial agropecuário e onde os produtos agro-alimentares estratégicos básicos se transformam em objecto da especulação bolsista;
  • A combinação ainda de outros factores decorrentes do agravamento das contradições no seio do capitalismo onde se destacam: as questões ambientais e os seus efeitos na desertificação de territórios e a escassez de água; o aumento do preço do petróleo; o agravamento da situação de ocupação de solos com culturas industriais nomeadamente por via da política dos agro-combustíveis.

                 
É preciso defender a produção nacional e garantir a soberania alimentar

              
    O PCP, reafirma a necessidade de uma outra política para a agricultura nacional que realize uma profunda avaliação da situação agrícola, que  promova uma ruptura com a actual PAC e com as imposições da UE para a agricultura e que no imediato considere medidas que tenham como objectivos garantir:

  • A soberania alimentar com o direito a produzir e com a definição de uma nova política agrícola e alimentar nacional, de acordo com as potencialidades agrológicas e as necessidades do País;
  • A elevação dos rendimentos dos agricultores, a defesa do emprego e melhores salários dos trabalhadores agrícolas  com a preservação do tecido social agrícola, assente numa forte rede de explorações agrícolas familiares;
  • A coesão económica e social travando o agravamento das assimetrias regionais, a desertificação e perda de actividade agrícola de muitas áreas agro-rurais;
  • A segurança alimentar com uma produção agrícola e pecuária (e processos de conservação e transformação) que assegure produtos de qualidade.

           
Sob ameaça de alteração para pior do Código do trabalho aumenta o custo de vida

             
À subida dos preços dos bens alimentares, junta-se o aumento generalizado de outros bens e serviços essenciais,  como é o caso dos custos com os empréstimos à habitação, com os combustíveis, mas também as despesas com a saúde, educação e transportes. Aumentos que têm um particular gravidade num país com 2 milhões de pessoas no limiar da pobreza, profundas desigualdades e injustiças sociais, baixos salários e baixas pensões.
O agravamento das condições de vida é hoje sentido por camadas e sectores cada vez mais vastos que contrastam com os lucros do sector financeiro e dos principais grupos económicos, reveladores por si, do carácter injusto e inaceitável da política do Governo PS.
Num quadro marcado pelo aumento do custo de vida, do desemprego e da precariedade laboral, as propostas de revisão do Código do Trabalho, agora apresentadas pelo Governo PS, constituem mais um factor no agravamento da exploração, na redução dos salários e  remunerações e nas maiores dificuldades face ao aumento do custo de vida.
O PCP, confiante de que só pela acção e luta será possível travar os objectivos de mais exploração, mais desigualdades, mais injustiças que a política de direita do Governo PS quer continuar a impor,  apela aos trabalhadores, às populações, aos reformados, à juventude para que no próximo dia 5 de Junho, demonstrem o seu descontentamento, a sua indignação e o seu protesto na grande manifestação promovida pela CGTP-IN.

(sublinhado dos números meu)

                                     

In Comunicado da Comissão Política do Comité Central do Partido Comunista Português

                


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 18:18
link do post | comentar | favorito

Quinta-feira, 18 de Outubro de 2007
A crise estrutural do capitalismo

Texto Pedro Carvalho

 

     As últimas décadas têm sido marcadas por crises financeiras cada vez mais regulares, com impactos directos na economia real. O capitalismo tem adiado uma crise profunda e o seu ajustamento global, nomeadamente através do recurso ao crédito (endividamento), do excesso de liquidez e da financeirização do capital, com a explosão do capital fictício. Este balão de oxigénio, cada vez menos eficaz, não evita a crise estrutural que o capitalismo atravessa. Crise que se tornou visível no começo da década de setenta, com a crise de sobreprodução e o excesso de capacidade instalada existente, com a pressão para a descida das taxas de lucro no sector industrial e o aumento da composição orgânica do capital, ao mesmo tempo, em que a irracionalidade do sistema, delapida recursos naturais (energia, minerais, água, etc.) e destrói o meio natural, a par da sua senda exploradora, onde a polarização da riqueza é cada vez mais acentuada e se agudizam as assimetrias entre o centro e a periferia do capitalismo. Hoje, estamos num ponto de viragem, qual será a resposta e o desfecho é uma incógnita. O sistema pode responder com a barbárie, a destruição e a guerra, o século XX é disso exemplo. A “globalização de 1870” terminou com duas guerras mundiais e uma grande depressão. Renascem, por seu turno, as ilusões reformistas, de uma “nova” social-democracia em gestação. Mas a Humanidade precisa de uma outra resposta, aquela que depende da luta revolucionária pela transformação e superação do sistema, que crie as condições para fazer do século XXI o triunfo do socialismo.

  

In "O Diário.info"

  


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 00:18
link do post | comentar | favorito

Sábado, 25 de Agosto de 2007
O ATREVIMENTO DA IGNORÂNCIA

    Pesquisa efectuada. Algumas, muitas, centenas de páginas analisadas. Há que retirar algumas conclusões. E é possível fazê-lo.

Por um lado, a esmagadora maioria dos jornalistas, comentadores e analistas que se pronunciam sobre as posições dos comunistas portugueses acerca  da chamada globalização revela um desconhecimento (ou ignorância) atroz. Falam de Marx e Lénine, mas aparentemente nunca os leram. Quanto mais estudarem-nos. Referem o PCP, mas sobre os seus documentos escritos e publicados nada. Nem uma linha.

Por outro, o seu atrevimento é directamente proporcional a esse mesmo desconhecimento (ou ignorância). Prosápia não lhes falta. Mas talvez um pouco mais de modéstia não lhes fizesse mal. E de leitura também.

Antes de passarmos aos factos concretos um esclarecimento adicional. Não aderi à “revolução” semântica dos conservadores e neo-conservadores. Nos anos oitenta do século XX “revolucionaram”, com sucesso, a terminologia política e económica. O capitalismo passou a ser designado como “economia de mercado”. Mais recentemente trocaram o imperialismo por “globalização”. Só que um homem é um homem e um bicho é um bicho.

    “A burguesia não pode existir sem revolucionar permanentemente os instrumentos de produção, portanto as relações de produção, portanto as relações sociais todas”, escreveram profeticamente Marx e Engels no remoto ano de 1848 no seu “Manifesto do Partido Comunista”. E algumas linhas adiante “A necessidade de um mercado em constante expansão para os seus produtos persegue a burguesia por todo o globo terrestre. Tem de se fixar em toda a parte, estabelecer-se em toda a parte, criar ligações em toda a parte.

A burguesia, pela sua exploração do mercado mundial, deu uma forma cosmopolita à produção e ao consumo de todos os países” (o sublinhado é meu). Este conceito de “mercado mundial” já 3 anos antes tinha sido referido por ambos autores no seu livro “A Ideologia Alemã”. E será repetido, analisado, aprofundado ao longo dos anos quer por Marx, quer por Engels.

Em obras como “Para a Crítica da Economia Política”, “Salário, Preço e Lucro”, (os bloguistas que andam a discutir o Poder do Mercado deviam ler e estudar estas duas obras, digo eu), “O Capital”, “Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico” e em dezenas de cartas vai-se desenvolvendo o conteúdo deste conceito. Bem como o papel nele desempenhado pela Internet do século XIX: o telégrafo.

    Sessenta anos mais tarde, em 1916, Lénine escreve “O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”. Depois de uma análise exaustiva do “mercado mundial” nas novas condições de desenvolvimento do capitalismo no início do século XX define o conceito de imperialismo. Fá-lo incluindo cinco traços fundamentais: “1) a concentração da produção e do capital levada a um grau tão elevado de desenvolvimento que criou os monopólios, os quais desempenham um papel decisivo na vida económica; 2) a fusão do capital bancário com o capital industrial e a criação, baseada nesse «capital financeiro», da oligarquia financeira; 3) a exportação de capitais, diferentemente da exportação de mercadorias, adquire uma importância particularmente grande; 4) a formação de associações internacionais monopolistas de capitalistas, que partilham o mundo entre si, e 5) o termo da partilha territorial do mundo entre as potências capitalistas mais importantes”.

E em Portugal?

    “A internacionalização da economia, a profunda divisão internacional do trabalho, a crescente cooperação entre Estados e os processos de integração correspondem, neste final do século XX, a realidades e tendências de evolução não exclusivas do capitalismo. Em função da sua orientação, características e objectivos, tais processos podem servir os monopólios e as transnacionais, ou podem servir os povos. É direito inalienável de cada povo e de cada país lutar em defesa dos seus interesses e direitos”, diz o Programa dos comunistas portugueses.

Em torno do conteúdo e significado do «movimento anti-globalização» trava-se uma intensa luta política e ideológica. É natural que assim seja.

    No seu XVII Congresso, em Novembro de 2004, o PCP afirma na Resolução Política aprovada: “A nível mais profundo, a ofensiva global do imperialismo é resultado da própria dinâmica do sistema capitalista, cuja natureza exploradora e agressiva não se alterou nas suas características fundamentais. Uma ofensiva que é determinada pelas exigências de reprodução do capital e a corrida ao máximo lucro; pela necessidade de intensificar a exploração dos trabalhadores, tanto nos países periféricos como nos centros do poder imperialista, a fim de satisfazer as exigências da acumulação capitalista e enfrentar a baixa tendencial da taxa de lucro, reduzindo o preço da força de trabalho e enfraquecendo a capacidade reivindicativa de quem trabalha; pela necessidade de alargar o seu domínio a novos mercados, abolindo as restrições à circulação do capital financeiro e à pilhagem por parte das empresas transnacionais; pela necessidade de dominar novas fontes de matérias-primas baratas, com destaque para as energéticas, cujo controlo é decisivo para impor a sua hegemonia; pela vontade de esmagar formas autónomas de produção, comercialização e consumo, não integradas nos circuitos controlados pelas grandes empresas dos centros do imperialismo, quer sejam de natureza familiar, pública ou mesmo capitalista.

E ainda, em jeito de prever e prevenir a situação actual, “No mercado imobiliário, cujos preços têm vindo a subir a níveis demasiado elevados, subsistem riscos de um ajustamento abrupto com consequências de expressão mundial.” Em Novembro de 2004!!! Algum dos “críticos” tinha lido isto?...

 

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

 

In jornal "Público" - Edição de 20 de Agosto de 2007

 


sinto-me:

publicado por António Vilarigues às 00:53
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
pesquisar
 
Outubro 2018
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30
31


posts recentes

Os Grupos Económicos e o ...

A Crise do Sistema Capita...

A captura das entidades r...

Interpretar o momento (hi...

Reflexões sobre o mecanis...

«Portugal do Minho a Timo...

Considerações breves sobr...

Chicken a la Carte, um fi...

Putin e a «tempestade per...

O meu Marx é diferente

Notícias dos EUA: A polít...

A crise do Capitalismo - ...

A crise do Capitalismo - ...

A crise do Capitalismo - ...

A crise do Capitalismo - ...

arquivos
tags

álvaro cunhal

assembleia da república

autarquia

avante!

bce

benfica

blog

blogs

câmara municipal

capitalismo

caricatura

cartoon

castendo

cds

cdu

cgtp

cgtp-in

classes

comunicação social

comunismo

comunista

crise

crise do sistema capitalista

cultura

cultural

democracia

desemprego

desenvolvimento

desporto

dialéctica

economia

economista

eleições

emprego

empresas

engels

eua

eugénio rosa

exploração

fascismo

fmi

futebol

governo

governo psd/cds

grupos económicos e financeiros

guerra

história

humor

imagens

imperialismo

impostos

jerónimo de sousa

jornal

josé sócrates

lénine

liberdade

liga

lucros

luta

manifestação

marx

marxismo-leninismo

música

notícias

parlamento europeu

partido comunista português

paz

pcp

penalva do castelo

pensões

poema

poesia

poeta

política

portugal

precariedade

ps

psd

recessão

revolução

revolucionária

revolucionário

rir

salários

saúde

segurança social

sexo

sistema

slb

socialismo

socialista

sociedade

sons

trabalhadores

trabalho

troika

união europeia

vídeos

viseu

vitória

todas as tags

LIGAÇÕES A CASTENDO
Visitantes
eXTReMe Tracker
Google Analytics
blogs SAPO
subscrever feeds