Face ao amplo reconhecimento internacional do Estado Palestiniano por parte de mais de uma centena de países, e a votação do mesmo assunto agendada para Setembro na Assembleia Geral das Nações Unidas, Israel ameaça tomar medidas unilaterais.
O objectivo é impedir que mais um passo seja dado, ainda que formal, no reconhecimento do direito dos palestinianos à constituição de um Estado soberano, baseado nos territórios sob seu controle até 1967.
Segundo o diário israelita Haaretz, numa ofensiva diplomática empreendida nos últimos dias, o governo de Telavive já terá mesmo informado os 15 membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e diversos estados membros da UE da sua posição, sublinhando, cinicamente, que tal enterraria de vez o processo de paz israelo-palestiniano.
Os bombardeamentos aéreos e a presente invasão de Gaza pelas forças terrestres israelenses têm que ser analisados num contexto histórico. A operação "Chumbo Fundido" ("Cast Lead") é uma missão cuidadosamente planeada que, por sua vez, faz parte de uma estratégia militar-serviços secretos formulada pela primeira vez em 2001:
«Fontes do 'establishment' da defesa disseram que o ministro da Defesa Ehud Barak deu instruções às forças de defesa israelenses para se prepararem para a operação, há mais de seis meses, na altura em que Israel estava a começar a negociar um acordo de cessar fogo com o Hamas». (Barak Ravid, Operation "Cast Lead": Israeli Air Force strike followed months of planning [Operação "Chumbo Fundido". O ataque da Força Aérea israelense vem na sequência de meses de preparativos], Haaretz, 27 de Dezembro, 2008).
Foi Israel quem quebrou as tréguas no dia das eleições presidenciais americanas, a 4 de Novembro:
«Israel serviu-se desta diversão para quebrar o cessar-fogo com o Hamas, bombardeando a faixa de Gaza. Israel declarou que esta violação do cessar- fogo pretendia impedir o Hamas de escavar túneis no território israelense.
Logo no dia seguinte, Israel desencadeou um cerco terrorista a Gaza, impedindo a entrada de alimentos, combustível, medicamentos e outros bens necessários na tentativa de "subjugar" os palestinianos, enquanto simultaneamente efectuava incursões armadas.
Em resposta, o Hamas e outros em Gaza voltaram a alvejar Israel com projécteis de petróleo inflamado, artesanais e quase sempre imprecisos. Durante os últimos sete anos, estes projécteis causaram a morte de 17 israelenses. Durante o mesmo período de tempo, os ataques relâmpago de Israel mataram milhares de palestinianos, suscitando um protesto mundial que caiu em orelhas moucas nas Nações Unidas.» (Shamus Cooke, The Massacre in Palestine and the Threat of a Wider War, Global Research [O Massacre na Palestina e a Ameaça de uma Guerra Mais Ampla], Global Research, Dezembro, 2008).