Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

Publicar ou não publicar, eis a questão

    Sabe-se que as grandes agências de notícias internacionais determinam, em muito, as agendas e os conteúdos dos diferentes órgãos de comunicação social. Sabe-se que se vangloriam de que notícia por elas difundidas, é notícia editada em todos os países do mundo em menos de 24 horas. Sabe-se que o que se silencia é, na maior parte das vezes, tão ou mais importante do que o que se publica. Sabe-se, mas ainda ficamos chocados com algumas realidades. Três exemplos escolhidos ao acaso.

Primeiro. A «Festa da Alegria» em Braga foi o maior acontecimento político-partidário do fim-de-semana de 19/20 de Julho. Nela participaram muitos milhares de pessoas, que estiveram lá e viram É uma realidade indesmentível. Qualquer que seja o critério jornalístico. Goste-se ou não do PCP. Por mais que isso custe a quem não gosta. Os media dominantes, elucidativamente, ignoraram esse acontecimento.

Nas televisões nenhum dos canais mostrou uma imagem que fosse dos milhares de pessoas que participaram na Festa e assistiram ao comício com o secretário-geral do PCP. Do discurso de Jerónimo de Sousa nada disseram. E no final, fizeram-lhe umas perguntas sobre questões que nada tinham a ver com a sua intervenção. Nos jornais idêntico «tratamento». No «Jornal de Notícias», no «Público» e no «Correio da Manhã», nem uma linha. No «Diário de Notícias» uma linha! Apenas a imprensa regional cumpriu positivamente o seu dever de informar.

Seria de esperar uma (ou mais) excepção. Mas não. O que se passou? Não é crível que os directores em causa se tenham reunido à volta de uma mesa e decidido em conformidade. Algo de muito mais profundo se desenrola. Estamos claramente perante uma formatação de procedimentos para com quem não alinha no pensamento único. Formatação essa que vem de longe e se tem refinado ao longo dos anos. Basta, em relação a cada um dos órgãos referidos, comparar com o que nesses dias transmitiram e publicaram em relação a outras forças políticas.

Segundo exemplo. A Colômbia tem estado na ordem do dia. Seja por causa de Ingrid Betancourt, seja pela putativa presença – sempre anunciada e nunca confirmada – das FARC na Festa do «Avante!». Mas nem uma linha sobre a realidade vivida nesse país.

Álvaro Uribe, enfrenta um procedimento de impugnação em tudo semelhante ao vivido por Collor de Mello há uns anos no Brasil. O Supremo Tribunal instaurou-lhe um processo por ter comprado os votos no Congresso que permitiram a sua reeleição. Cerca de 32 senadores (a maioria do partido de Uribe), num total de 102, estão presos e/ou acusados de ligações aos cartéis da droga, aos bandos paramilitares e à venda de votos que permitiu a reeleição de Uribe. A ex-parlamentar Ydis Medina confirmou perante o Tribunal estes factos. Nada disto é notícia merecedora de edição? Nos EUA sim (basta ver, por exemplo, a CBS). Em Portugal não.

Mais. Nem uma palavra, nem uma notícia, a informar que a Colômbia é campeã do mundo em assassinatos de sindicalistas e de JORNALISTAS: mais de metade dos sindicalistas assassinados em todo o mundo. Trinta só este ano. Será porque na sua maioria são índios? Será por não terem aquele «charme discreto da burguesia» a que se referia Luís Buñuel? Porque sim para Ingrid Betancourt e porque não para Guillermo Rivera Fúquene? Porque sim para a publicação dos relatórios da Amnistia Internacional sobre a China e porque não para os sobre a Colômbia?

Terceiro exemplo. O PCP emitiu uma nota sobre a detenção da cidadã espanhola Remedios Garcia Albert. Face ao alarido em torno do PCP e das FARC seria de esperar um qualquer tratamento jornalístico. Puro engano. Alguém me explica?

Nota final: para quem não sabe o PCP difunde mais de mil posições públicas por ano (só dos seus organismos centrais ou estruturas nacionais) …
            
Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação
                                    

In jornal "Público" - Edição de 7 de Agosto de 2008

                                              

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 00:11
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 5 de Agosto de 2008

Álvaro Uribe: santo ou demónio?

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 08:25
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008

Uribe foi amigo íntimo de Pablo Escobar

Texto de José Paulo Gascão

    Neste artigo José Paulo Gascão desmascara a farsa mediática montada por Uribe a propósito do resgate de Ingrid Betancourt,resultante na realidade da traição de dois responsáveis das FARC. Evoca tambem - citando passagens do livro da jornalista Virginia Vallejo - pormenores da amizade que ligou o actual presidente da Colombia a Pablo Escobar, tão sólida que o rei do narcotráfico afirmava que sem a colaboração activa de Uribe o negócio da droga não teria podido desenvolver-se.         

            

Não foi por razões humanitárias que o governo de Álvaro Uribe rejubilou com o resgate de Ingrid Bettancourt, dos 3 norte-americanos «cedidos pelo FBI à DEA» e de mais 11 prisioneiros de guerra.

O resgate do passado dia 2 de Julho também não teve nada a ver com o guião descrito pelo governo colombiano, digno de um daqueles filmes de Hollywood em que se reescreve a História da 2ª Guerra Mundial.

Um comunicado do Secretariado das FARC de 5 de Julho esclarecia que «a fuga dos 15 prisioneiros de guerra (…) foi consequência directa da desprezível conduta de César e Enrique [os dois ex-guerrilheiros exibidos na TV], que atraiçoaram o seu compromisso revolucionário e a confiança que neles se depositou». A Rádio Suisse Romande, com boas relações com o negociador suíço junto das FARC para o intercâmbio humanitário, fala num pagamento de 20 milhões de dólares.

Este revés das FARC serviu a Uribe para uma grande operação de propaganda mediática com objectivos precisos:

• Resumir o problema dos prisioneiros de guerra de cada uma das forças beligerantes a Ingrid Bettancourt e aos 3 norte-americanos. Mesmo os restantes prisioneiros resgatados ficaram no limbo noticioso: foram 11;

• Fazer esquecer que o Exército colombiano, apesar dos seus 400.000 efectivos, é incapaz de derrotar as FARC;

• Impedir o intercâmbio humanitário das centenas de prisioneiros de guerra em poder das duas forças beligerantes;

• Desviar a atenção da acusação que lhe moveu o Supremo Tribunal por ter comprado os votos no Congresso que permitiram a sua reeleição, e do facto de 32 senadores (a maioria do Partido de Uribe), num total de 102, estarem presos e/ou acusados de ligações aos cartéis da droga, aos bandos paramilitares e à venda de votos que permitiu a reeleição de Uribe;

• Dar início a uma extraordinária operação de propaganda interna e externa de auto-promoção, tentando garantir que os EUA não lhe darão o tratamento que deram ao também traficante de droga general Noriega do Panamá.

                                                        
Ingrid Bettancourt

Seja qual for a posição que se tenha em relação ao conflito colombiano, o fim do sofrimento de prisioneiros de guerra é sempre um motivo de regozijo.

A verdade é que, de facto, Ingrid não é verdadeiramente uma prisioneira de guerra. Eleita senadora em 1998 pelo Partido Liberal, decide candidatar-se à Presidência da República em 2002. Como Uribe já estava nomeado pelo Partido Liberal, funda o partido Oxigénio Verde e anuncia em campanha eleitoral que ia à selva colombiana falar com Manuel Marulanda, pois era ela quem ia resolver o conflito colombiano… Interceptada num posto de controlo das FARC foi mandada de volta e em paz. Faz uma 2ª tentativa em 23 de Fevereiro de 2002 e é, por fim, feita prisioneira…

Agora, uma vez resgatada e aparentando uma saúde digna de inveja, Ingrid logo se assumiu como apoiante de Uribe, e iniciou uma campanha humanitária pela libertação dos prisioneiros de guerra em poder das FARC, esquece as centenas de prisioneiros de guerra do Estado colombiano e afasta o intercâmbio humanitário dos prisioneiros das duas forças beligerantes.

Novos dados sobre Uribe
                         
No seu livro há pouco lançado, “Amando Pablo, Odiando Escobar” (editora Random House Mondadori), Virgínia Vallejo, que foi diva colombiana dos anos 80 (hoje com 58 anos), apresentadora de TV, repórter, modelo, actriz e amante de Pablo Escobar durante cinco anos, é, seguramente, a mais incómoda testemunha contra Álvaro Uribe que, como Director da Aeronáutica Civil da Colômbia, e citamos, «concedeu dezenas de licenças para pistas de aterragem e centenas para aviões, helicópteros, com os quais se construiu toda a infra-estrutura do narcotráfico».

De Álvaro Uribe, Pablo Escobar costumava dizer que «se não fosse por esse bendito rapaz, teríamos de nadar até Miami para levar a droga aos gringos. Agora, com nossas próprias pistas, estamos preparados. É pista própria, aviões próprios, helicópteros próprios…».

Mas Virgínia Vallejo não refere apenas Pablo Escobar. Também cita Álvaro Uribe em confidência após a morte do pai, Alberto Uribe (1), num tiroteio com um comando das FARC: «Quem pensa que este [o narcotráfico] é um negócio fácil está muito enganado. É uma enxurrada de mortos. Todos os dias temos de enterrar amigos, sócios e parentes». E tão orgulhoso estava da saga dos narcotraficantes que não se coibiu a perguntar a Virgínia Vallejo se «estaria disposta a escrever sua história».

Com tudo isto, torna-se mais compreensível a afirmação que «o narcoestado sonhado por Pablo Escobar hoje está mais vivo que nunca na Colômbia».

A Luta das FARC
               
Sempre as FARC estiveram dispostas a estabelecer a paz e a fazer acordos políticos para uma Colômbia com Justiça Social.

Vinte anos depois de iniciada a luta armada, em 1984, durante a presidência de Belisário Betancur, foi assinado um acordo onde se previa a organização do movimento guerrilheiro em partido político, o que se concretizou em Maio de 1985, com o nome de União Patriótica (UP).

Mas se as FARC estavam de boa fé, tal não sucedia com o Estado terrorista da Colômbia e desde logo se desencadeou uma campanha de assassínios e massacres de que a polícia e tribunais nunca apuraram responsáveis. 

«Centenas dos seus membros e simpatizantes foram assassinados no decurso de diversos massacres. No dia 11 de Novembro de 1988, por exemplo, quarenta militantes foram publicamente executados na praça central do município de Segóvia, no distrito de Antioquia. (…) Foram mortos centenas de presidentes de câmaras e representantes dos poderes locais, tendo ocorrido por vezes o assassinato sucessivo de quatro autarcas do movimento na mesma localidade» (2).

É pois natural que as FARC tenham definido «continuar o caminho traçado pelo inolvidável Comandante Manuel Marulanda Velez, isto é, o da política total, que é a luta estratégica pela tomada do poder pela via das armas e da insurreição com o que se chegará a um governo revolucionário, ou pela via das alianças políticas para a instauração de um governo verdadeiramente democrático, em consonância com a Plataforma Bolivariana pela Nova Colômbia» (3).


(1) Este foi pouco noticiado nos media, para que se não falasse da prova macabra material que Uribe exigiu ao assassino.

(2) Iván Cepeda Castro e Claudia Girón Ortiz, investigadores da Fundação Manuel Cepeda - Vargas, Santa Fé de Bogotá, in Monde Diplomatique, Maio de 2005.

(3) Entrevista a Ivan Marquez, membro do Secretariado das FARC, em 25 de Julho 2008, in anncol

                          

In "O Diário.info"

                                     

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 00:07
link do post | comentar | ver comentários (7) | favorito
Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

Guillermo Rivera Fúquene foi torturado antes de ser assassinado!

    Foi nesta lixeira, numa zona rural de Ibagué, cerca de 100 kilómetros a oeste de Bogotá, que foi encontrado sem vida o corpo de Guillermo Rivera Fúquene

 

Selvaticamemente torturado antes de ser assassinado

«Sonia Betancur relató que, de acuerdo al dictamen de medicina legal, su esposo y padre de dos hijas fue salvajemente torturado antes de morir al parecer por asfixia y estrangulamiento. De acuerdo a la versión de especialistas Rivera debió ser asesinado el 23 de abril, su cuerpo fue encontrado el día 24 tirado en un basurero y escombrera y sepultado en una fosa en el cementerio de Ibagué como “NN” el 28. Presentaba moretones en todo el cuerpo, con raspones y heridas que indican que lo amarraron y arrastraron hasta el basurero a escasos metros del cañón de un río. Allí fue visto por unos indigentes quienes dieron aviso a las autoridades

 

Ler Texto Integral

                                     

  • El Espectador                                  

                         

    Guillermo Rivera Fúquene é o 24º dirigente sindical assassinado na Colômbia em 2008...  

                                                                                                                         

 

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 11:24
link do post | comentar | favorito

Notas soltas - Colômbia

    «Os paramilitares, os amigalhaços de Uribe, são os responsáveis pelo desaparecimento de mais de 30 mil pessoas e, segundo uma organização internacional insuspeita, de 80% dos 400 mil delitos cometidos na Colômbia entre 1990 e 2006».
Relatório de Amnistia Internacional

                                                 

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 08:45
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

Guillermo Rivera Fúquene foi assassinado

    Bogotá, 15 julio de 2008 - Gabriel Becerra, coordinador del comité por la vida y la libertad de Guillermo Rivera Fúquene informó que el cuerpo sin vida del sindicalista de la Contraloría Distrital fue encontrado en la ciudad de Ibagué, capital del Departamento del Tolima, Colombia.

Lamentamos informarle al movimiento social y a la opinión pública nacional e internacional que el día de hoy, martes 15 julio, se conoció oficialmente de la aparición en la ciudad de Ibagué, del cuerpo sin vida del compañero Guillermo Rivera Fúquene, dirigente sindical y político, desaparecido el pasado 22 de abril en la ciudad de Bogotá” asegura en un comunicado público.

             

Ler Texto Integral

                  

É o 24º dirigente sindical assassinado na Colômbia em 2008 (corrigido em 17/07)...

                                                                            

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 08:29
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Segunda-feira, 14 de Julho de 2008

As FARC são modernas e têm um órgão oficioso

    Transportando a polémica daqui para aqui. Algumas notas telegráficas:

1.    A violência na sociedade colombiana tem sido endémica. Vem desde a independência da Colômbia. Não estou sequer a fazer juízos de valor. É um facto.

2.    Desde 1853 a 1902 o país esteve mergulhado em guerra civil quase permanente. Entre 1899 e 1902 deu-se a chamada guerra dos mil dias entre facções lideradas pelos partidos conservador e liberal. Resultado: entre 150 mil a 200 mil mortos (varia consoante as fontes), numa população que não chegava aos 5 milhões. Ainda não existiam nem comunistas, nem guerrilhas…

3.    Em 1932 começa a guerra com o Peru. Entre 1930 e 1946 sucedem-se governos revanchistas de liberais contra conservadores e vice-versa. As mortes aos milhares continuam.

4.    De 1948 a 1953 o período da história deste país conhecido como «La Violência». A sua origem vem de longe, como se vê. Mas a causa mais imediata está no «Bogotazo». Mais de 200 mil mortos é o saldo. Mais uma vez nem comunistas, nem guerrilhas marxistas têm o que quer que seja a ver com esta questão.

    5.    Mantém-se o sistema bipartidário entre liberais e conservadores. Consequência: nos anos 50 criam-se as primeiras guerrilhas populares (originárias nomeadamente de elementos do partido liberal) como forma de protecção das populações. Em 1964 as FARC assumem um carácter marxista.

6.    Pode encontrar dados e análises sobre esta realidade no livro de 1968, editado no Brasil (creio que foi o 1º livro a ser apreendido pela ditadura brasileira de então), da autoria de Miguel Urbano Rodrigues «Opções da Revolução da América Latina». Ou, tirando os considerandos ideológicos, na Wikipedia versão em castelhano.

7.    As primeiras guerrilhas na Colômbia surgiram em 1950 e até Setembro de 2001 NUNCA foram consideradas «terroristas». É um facto. George Bush desencadeou em 2001 a sua guerra contra o terrorismo e Álvaro Uribe pediu que as guerrilhas colombianas fossem reclassificadas como «terroristas». E Bush acedeu.

8.    Em 1985 formou-se a “União Patriótica” (UP), movimento político amplo e democrático ao qual pertenciam também as FARC (na altura num processo de cessação de hostilidades e de pacificação). Na UP participavam igualmente diferentes grupos políticos de esquerda, nomeadamente o PCC. Contra a UP foi desencadeada una operação de extermínio por parte de grupos narcotraficantes, militares e paramilitares de direita e extrema-direita. Só para o PCC isto representou um saldo de cerca de 3.000 militantes assassinados. Para as forças democráticas da Colômbia significou candidatos presidenciais, senadores, deputados, presidentes de câmaras, autarcas, sindicalistas, dirigentes associativos assassinados aos milhares. De forma selectiva nuns casos. Indiscriminadamente noutros. Isto é legítimo da parte de um governo eleito?

9.    A Comissão Interamericana dos Direitos Humanos da Organização de Estados Americanos (CIDH) exigiu junto do governo colombiano “medidas cautelares de protecção para os dirigentes e sobreviventes da União Patriótica e do Partido Comunista Colombiano”. Acresce que a referida Comissão aceitou a queixa instaurada contra o Estado colombiano pelo genocídio político de que foram alvos a UP e o PCC.

     10.    A CIDH admitiu o caso em Março de 1997, e no Informe n.º 5 do dia 12 desse mesmo mês reconheceu que as provas apuradas pela queixa “tendem a caracterizar uma conduta de perseguição política contra a União Patriótica cujo objectivo era exterminar o grupo, e a tolerância dessa prática por parte do Estado na Colômbia”.

11.    A Corte Constitucional, órgão máximo da justiça colombiana, assinalou, na sentença n.º T-959/06, que “essa classe de propaganda desconhece que a União Patriótica foi um movimento político, que participou em actos eleitorais e que teve presença em distintos órgãos representativos. O ocultamento desta realidade tem como consequência a promoção de uma imagem negativa do movimento e dos seus membros, pois em lugar destes serem considerados legítimos actores políticos, são apresentados como responsáveis de delitos perpetrados contra civis”.

12.    Agora vamos ao meu artigo do Público de 11/07.

13.    De acordo com a legislação colombiana os PR só podem ser eleitos uma vez. Em 2006 a lei foi alterada por proposta de Álvaro Uribe. O Supremo Tribunal contesta a legalidade de sua reeleição em 2006, obtida mediante a compra de votos confirmado pela confissão da ex-parlamentar Ydis Medina (num processo semelhante ao de Collor de Mello no Brasil). É um facto.

14.    Sessenta parlamentares da sua base de apoio estão incriminados num escândalo de corrupção, ligações com o narcotráfico e os paramilitares. Tem um primo e conselheiro político, Mário Uribe, preso pelos mesmos motivos. É um facto.

15.    Mais de 11.200 colombianos foram assassinados desde que Uribe foi «eleito» (não inclui os mortos em combate entre as guerrilhas e as Forças Armadas). É um facto. Isto é legítimo da parte de um governo eleito?

    16.    Os organizadores desta manifestação, realizada a 6 de Março na Colômbia, têm vindo a ser sistematicamente liquidados. Desde esse dia até hoje, Leónidas Gómez, da União Nacional de Empregados Bancários; Giraldo Gómez Alzate, membro do Centro de Estudos e Investigações Docentes; e Carlos Burbano, da Associação Nacional de Trabalhadores de Hospitais e Clínicas foram alguns dos assassinados. Muitos outros estão ameaçados de morte. Isto é legítimo da parte de um governo eleito?

17.    O número de desaparecidos ronda os 30 mil. Mais uma vez este número não inclui os desaparecidos em combate entre as guerrilhas e as Forças Armadas. É um facto. Isto é legítimo da parte de um governo eleito?  

18.    O inqualificável passado e presente de Álvaro Uribe e dos seus mais próximos colaboradores é conhecido dos EUA e da U.E. há muito. Está, por exemplo, aqui

19.    A Colômbia é campeã do mundo em assassinatos de sindicalistas e de jornalistas: mais de metade dos sindicalistas assassinados em todo o mundo. Só este ano já foram 28. É um facto. Isto é legítimo da parte de um governo eleito?

20.    Fontes «subversivas»: Amnistia Internacional, Human Rights Watch, Confederação Internacional de Sindicatos Livres, Pólo Democrático Alternativo, Comissão Interamericana dos Direitos Humanos da Organização de Estados Americanos, comunicação social capitalista (e comunista e progressista também…) da América Latina, Espanha, EUA, etc.. Ah, é verdade, a CIA…

21.    Em nenhum momento do meu artigo coloquei «as FARC acima do governo legítimo da Colômbia». O que escrevi foi: «Dizer que o governo Uribe é o mais à direita da América Latina dá apenas uma pálida imagem do seu posicionamento político e ideológico. Ele e sua base de classe são com frequência comparados aos regimes nazi-fascistas. Sobretudo depois de a oligarquia colombiana ter entrado no ramo das drogas e ter criado os paramilitares

22.    Quanto à «legitimidade» de governos eleitos a história está cheia de maus exemplos a começar no de Hitler em 1933.

    23.    E quanto à minha sugestão de solidariedade que estou certo os blasfemos (e todos os seus leitores) não deixarão de prestar?

24.    Para concluir vejamos o «órgão oficioso». Já li o mesmo comunicado na íntegra, ou quase, em inúmeras agências e órgãos de comunicação social de todo o mundo, em particular da América Latina. E?...

25.    Reduzir as relações dentro de uma sociedade ao preto e ao branco dá sempre mau resultado. Elas são por demais complexas e têm miríades de cores como penso ter demonstrado…
                                 

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 15:41
link do post | comentar | ver comentários (6) | favorito

Os “terroristas” – de Nelson Mandela às FARC

   1. Quando foi preso pela última vez em 1962, Nelson Mandela era o comandante do braço armado do ANC, «Umkhonto we Sizwe», a «Lança da Nação». Tal prisão só foi possível por informações passadas pela CIA à polícia política do regime do apartheid na África do Sul. Mandela era considerado um perigoso terrorista e comunista. O «Umkhonto we Sizwe» manteve-se activo até ao fim do apartheid, desenvolvendo acções de sabotagem e de guerrilha, algumas das quais atingiram civis inocentes. Durante os 27 anos de prisão Nelson Mandela sempre recusou a sua liberdade condicional em troca de uma declaração de renúncia à luta armada.

A história depois da sua libertação em 1990 é por demais conhecida. O que poucos leitores deviam saber é que Mandela e o seu partido, o ANC, estiveram na lista negra do «terrorismo» americano até bem recentemente (ver o PÚBLICO de 6/7). Segundo uma lei aprovada no mandato de Ronald Reagan, poderiam deslocar-se à sede das Nações Unidas, mas não estavam autorizados a viajar no resto do território americano. Finalmente a 1 de Julho de 2008 (!!!) o Presidente Bush promulgou a lei aprovada pelo Senado a 27 de Junho.

2. A comunicação social dominante em Portugal nada disse nestes dias sobre o facto do Presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, enfrentar uma crise política grave. Sessenta parlamentares da sua base de apoio estão incriminados num escândalo de corrupção, ligações com o narcotráfico e os paramilitares. Tem um primo e conselheiro político, Mário Uribe, preso pelos mesmos motivos. O Supremo Tribunal contesta a legalidade de sua reeleição em 2006, obtida mediante a compra de votos confirmado pela confissão da ex-parlamentar Ydis Medina. Não possui uma base política sólida e nem um sucessor de confiança, o que o leva à tentação de mudar de novo as regras do jogo e tentar um terceiro mandato.

Dizer que o governo Uribe é o mais à direita da América Latina dá apenas uma pálida imagem do seu posicionamento político e ideológico. Ele e sua base de classe são com frequência comparados aos regimes nazi-fascistas. Sobretudo depois de a oligarquia colombiana ter entrado no ramo das drogas e ter criado os paramilitares. A Colômbia não é apenas o único país das Américas que vive uma experiência guerrilheira. É também campeã do mundo em assassinatos de sindicalistas e de jornalistas: mais de metade dos sindicalistas assassinados em todo o mundo.

Mais de 11.200 colombianos foram assassinados desde que Uribe foi «eleito» (não inclui os mortos em combate entre as guerrilhas e as Forças Armadas). O número de desaparecidos ronda os 30 mil. São homens e mulheres, novos e velhos, com nome. Mas a comunicação social dominante cala-se, ou refere friamente os números. Não são mediáticos. Não podem aparecer nas televisões. Jazem sob sete palmos de terra.

Aparentemente quem fala e escreve sob a Colômbia ignora também que as forças democráticas de esquerda deste país (socialistas, sociais-democratas e comunistas) estão aglutinadas no seio do Pólo Democrático Alternativo (PDA). Em 2007 o PDA elegeu 9 deputados em 166 e 11 senadores em 100. Destes 1 senador e 1 deputado são membros do PCC. O candidato do PDA às últimas eleições presidenciais na Colômbia, Carlos Gaviria Díaz, foi o 2º mais votado com 22,04% dos votos. Em 2008 o PDA conquistou, entre outros, o município de Bogotá.

Notas finais: Para quem não sabe, na Colômbia há várias organizações que se reclamam do marxismo-leninismo: o PCC, as FARC, um PCC clandestino criado pelas FARC, o PC da C (m-l), o PCC-M, o PPS.

Já por três vezes, a propósito das mentiras das sucessivas administrações americanas, indiquei nesta coluna o sítio do National Security Archive da George Washington University. Vão lá e revisitem o inqualificável passado e presente de Álvaro Uribe e dos seus mais próximos colaboradores. Talvez revejam algumas ideias feitas…

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação
                                                                                     

In jornal "Público" - Edição de 11 de Julho de 2008

                                                           

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 00:03
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
Domingo, 13 de Julho de 2008

Silêncios ensurdecedores

    1. A semana passada o Banco Central Europeu (BCE) decidiu-se por uma nova subida das taxas de juro de referência. Trata-se da 9ª em pouco mais de dois anos, fixando-se agora em 4,25%. Tal decisão constitui um novo factor de penalização para os trabalhadores, as populações e os micro pequenos e médios empresários (MPME´s). Corresponde às pretensões de concentração e acumulação capitalista por parte dos grandes grupos económicos e do capital financeiro. Mas penaliza as economias mais frágeis e dependentes como é o caso da portuguesa.

Vivemos um quadro económico e social em que se avolumam as dificuldades para fazer face ao desemprego, à precariedade, aos baixos salários e à subida generalizada dos preços. Neste contexto esta decisão traduz-se num novo agravamento das suas condições de vida das famílias portuguesas, em particular das que possuem empréstimos à habitação. Recorde-se que o nível de endividamento atinge já hoje 129% do rendimento disponível das famílias.

No plano das empresas e da economia nacional o panorama não é melhor. O seu nível de endividamento atinge já hoje 114% do PIB. Esta medida por um lado, vem colocar um novo garrote às MPME´s. Por outro, vem acentuar a tendência (que se vinha verificando desde o 1º trimestre de 2007) de agravamento do deficit da balança comercial e da dependência do país. Acresce que este aumento das taxas de juro traz por arrasto uma sobrevalorização do euro.

O silêncio do Governo PS face a esta medida e ao escândalo dos lucros fabulosos que o sistema bancário vem acumulando nos últimos anos à custa da degradação da situação financeira das famílias e das empresas é ensurdecedor. Confirma a sua cumplicidade e indiferença perante as decisões do BCE e as graves implicações para o país. Saliente-se que só nos últimos 4 anos (de 2004 a 2007) os lucros do sistema bancário cresceram 155,4%, atingindo em 2007 os 4,467 mil milhões de euros.

2. O Grupo Parlamentar do PCP apresentou no passado dia 4 um voto de congratulação na Assembleia da República sobre «Ingrid Betancourt em liberdade». Quase todos os meios de comunicação social fizeram cair sobre este voto um inqualificável manto de silêncio ensurdecedor, muito próximo da censura. O que noticiaram foi, em geral, claramente manipulado. O que só pode ser explicado pelo anticomunismo mais primário.

E no entanto nesse voto referia-se que: «Após seis anos de cativeiro na selva, é motivo de justa satisfação o regresso à liberdade de Ingrid Betancourt, ex-candidata presidencial colombiana.». E após uma série de considerandos, que podem ser lidos AQUI ,terminava:

«1. Congratula-se pelo regresso à liberdade de Ingrid Betancourt.
2. Exprime o seu desejo de que a liberdade de Ingrid Betancourt possa contribuir para um caminho de paz para a Colômbia.
3. Apela às partes envolvidas para que encetem negociações no sentido da libertação de todos os prisioneiros.
4. Valoriza todos os esforços orientados para alcançar uma solução política negociada.
5. Apela às partes para que se empenhem na busca de uma solução política negociada do conflito, que dura há mais de quatro décadas.
6. Manifesta-se pelo respeito da soberania do povo colombiano na definição dos destinos do seu país.
»

A quem incomodam estas palavras?
                                                                    

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

                                          

In "Jornal do Centro" - Edição de 11 de Julho de 2008

                                                                             

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 00:07
link do post | comentar | favorito
Sábado, 12 de Julho de 2008

Liberdade para Guillermo Rivera Fúquene

    «Daqui lanço um apelo sincero à expressão de formas de solidariedade com Sónia Betancur que permitam salvar a vida de seu marido e do pai da pequena Chiara Guillermo Fúquene. E conto, daqui por 15 dias, poder informar os leitores de «o tempo das cerejas» do número de blogues que se referiram a este assunto.».

Este é o apelo do Vítor Dias com que aqui nos solidarizamos. O motivo está AQUIGuillermo Rivera Fúquene, marido e pai, comunista e membro do Polo Democrático Alternativo que governa o munícipio de Bogotá, e ainda e sobretudo Presidente do Sindicato dos funcionários da autarquia da capital do país.

Foi visto pela última vez no dia 22 de Abril, às 6.30 da manhã, numa rua do bairro «El Tunal» onde tinha ido levar a filha à escola, em Bogotá, onde reside. Uma testemunha e câmaras de video instaladas no local atestam que foi abordado por um grupo de agentes policiais e foi forçado a entrar num carro da Polícia Metropolitana.

Três meses depois do seu desaparecimento, as autoridades dependentes do Presidente Álvaro Uribe não prestam nenhum esclarecimento cabal sobre este drama (que se deseja não se transforme em mais um crime). 

                      

                                                 

Maís notícias sobre Guillermo Rivera Fúquene aqui:     

                                                                 

                                            

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 17:07
link do post | comentar | ver comentários (13) | favorito

.mais sobre mim


. ver perfil

. seguir perfil

. 27 seguidores

.pesquisar

.Novembro 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. Publicar ou não publicar,...

. Álvaro Uribe: santo ou de...

. Uribe foi amigo íntimo de...

. Guillermo Rivera Fúquene ...

. Notas soltas - Colômbia

. Guillermo Rivera Fúquene ...

. As FARC são modernas e tê...

. Os “terroristas” – de Nel...

. Silêncios ensurdecedores

. Liberdade para Guillermo ...

.arquivos

. Novembro 2019

. Agosto 2019

. Julho 2019

. Fevereiro 2019

. Janeiro 2019

. Dezembro 2018

. Outubro 2018

. Julho 2018

. Maio 2018

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

.tags

. álvaro cunhal

. assembleia da república

. autarquia

. avante!

. bce

. benfica

. blog

. blogs

. câmara municipal

. capitalismo

. caricatura

. cartoon

. castendo

. cds

. cdu

. cgtp

. cgtp-in

. classes

. comunicação social

. comunismo

. comunista

. crise

. crise do sistema capitalista

. cultura

. cultural

. democracia

. desemprego

. desenvolvimento

. desporto

. dialéctica

. economia

. economista

. eleições

. emprego

. empresas

. engels

. eua

. eugénio rosa

. exploração

. fascismo

. fmi

. futebol

. governo

. governo psd/cds

. grupos económicos e financeiros

. guerra

. história

. humor

. imagens

. imperialismo

. impostos

. jerónimo de sousa

. jornal

. josé sócrates

. lénine

. liberdade

. liga

. lucros

. luta

. manifestação

. marx

. marxismo-leninismo

. música

. notícias

. parlamento europeu

. partido comunista português

. paz

. pcp

. penalva do castelo

. pensões

. poema

. poesia

. poeta

. política

. portugal

. precariedade

. ps

. psd

. recessão

. revolução

. revolucionária

. revolucionário

. rir

. salários

. saúde

. segurança social

. sexo

. sistema

. slb

. socialismo

. socialista

. sociedade

. sons

. trabalhadores

. trabalho

. troika

. união europeia

. vídeos

. viseu

. vitória

. todas as tags

.links

.Google Analytics

blogs SAPO

.subscrever feeds