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O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Pretty Woman - A grave questão da prostituição

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Ele há temas que nos fazem vir à memória um poema pessimista de Jorge de Sena:

Neste vil mundo que nos coube em sorte/por culpa dos avós e de nós mesmos tão ocupados em esperanças de salvá-lo...

E se há temas que nos fazem dizer que o mundo está às avessas, um desses temas é sem dúvida nenhuma «a prostituição».

Com a ajuda da indústria cinematográfica cor de rosa, através do filme Pretty Woman (1), somos levados mesmo a pensar que a prostituição é uma coisa bela, romântica... E viva a liberdade de a mulher se prostituir pois que no final ela transforma-se numa nova cinderela made in mundialização neoliberal.

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Sinais de Fogo: A Revolta dos Marinheiros de 8 de Setembro de 1936 (3)

(...)

Saí, atirando com a porta que logo se abriu para a minha mãe me lançar maldições lacrimosas, entremeadas de aterrorizados avisos pelos riscos que eu corria; e, do alto do patamar, os clamores seguiram-me até à rua. Na rua, não tinha para onde ir, e fui des­cendo a caminho da Baixa.

Não se sentia nas pessoas e nas coisas alteração alguma. Talvez em tudo um ar de acontecimento, certa movimentação à porta das mercearias e outras lojas, pessoas que ostensivamente paravam na rua de jornal aberto (para darem ênfase à atmosfera que pressen­tiam ou que desejavam pressentir) e depois procuravam os olhos dos restantes transeuntes, em busca de tácito calor comunicativo. Mas, e seria talvez impressão minha, os outros olhares furtavam-se. Era como se dois pares de olhos se levantassem de um jornal, ou se cruzassem para comunicar um silencioso acordo ou um começo de conversa, e logo recuassem a refugiar-se numa cauta reserva. Subitamente, senti que a solidão que era a minha, a de saber que sabia e não sabia o quanto sabia, não era senão um caso parti­cular de outra solidão maior que se abatera sub-reptícia sobre tudo e todos, e a que todos se sujeitavam sub-repticiamente. Não era que as pessoas fossem coniventes de uma revolução falhada, uma rebelião, uma «intentona», como eu me lembrava de ouvir dizer quando era pequeno, e temessem denunciar-se com um gesto ou uma palavra. Algumas, por certo, leriam o jornal com o mesmo ansiado prazer de a ordem e a disciplina serem mantidas, que houvera na voz de minha mãe. E, todavia, essas mesmas sentiam-se sós e incomuni­cáveis, por terem aceitado que a ordem e a disciplina fossem uma coisa exterior a elas, defendida por outros, em nome de um governo que tomara sobre si o defini-las e se atribuía a omnisciência mesmo de revoluções que chegavam a sair e causavam mortos e feridos. Ainda que se entusiasmassem umas às outras, seria sempre um entusiasmo triste, como forçado pela necessidade de compensar o que nem saberiam haver perdido ou abandonado.

Jorge de Sena, Sinais de fogo

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adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

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Sinais de Fogo: A Revolta dos Marinheiros de 8 de Setembro de 1936 (2)

(...)

Vesti outra vez o pijama, fui tomar café. Sentada à mesa, minha mãe lia atentamente o jornal. Debrucei-me por cima do ombro dela, para ler também.

— Senta-te e come primeiro, que são mais do que horas — por­que embirrava que alguém lesse por cima do ombro dela, e nem o sensacionalismo do caso lhe alterava o reiterado hábito.

Enquanto eu comia, ia-me recitando excertos de noticiário. Mas eu detestava ouvir ler por fracções: — Leia, que eu leio depois.

Mas minha mãe prosseguiu apaixonadamente: — «Uma revolta a bordo do navio Afonso de Albuquerque e do contratorpedeiro Dão...» Ora aí está. «Algumas dezenas de cabos e marinheiros tomaram conta dos navios»... Coisa de gente ordinária... Marinheiros, ui que gente!... Ah, espera, «marinheiros, representando uma pequena parte das guarnições daqueles barcos, tomaram conta dos navios»... Foram poucos, está-se a ver... «prenderam os oficiais de serviço»... Prender os oficiais, que indisciplina... «e tentaram sair a barra para se irem juntar à esquadra marxista espanhola»... Para onde é que eles iam?

—  Juntar-se à esquadra espanhola, à do governo.

—  Qual governo, aquilo não é governo, estás a ver o resultado dos maus exemplos? Ouve, espera. «Um fogo violento e certeiro das baterias de Almada e do Alto do Duque reduziu os rebeldes à impotência»... Bem feito, foi a tempo... «Em poucos minutos»... Durou pouco, por isso não chegámos a ouvir nada... «obrigando-os a arvorar a bandeira branca, quando os navios estavam já a meter água»... Meter água? (Ir ao fundo — expliquei eu). «À parte estes dois navios, toda a esquadra se manteve absolutamente disciplinada.» Afinal foram só dois navios. E não mataram os oficiais (havia na voz de minha mãe como que uma decepção inconsciente que a levou a percorrer o jornal com precipitada atenção). Não, não dizem nada de terem matado os oficiais.

—  Só podiam matar dois, um em cada um.

—  Essa agora! Pois não há tantos em cada navio?

—  Há, mas vão ficar a casa. E como nos quartéis. E é o que aí diz, não é? «Prenderam os oficiais de serviço.» O que quer dizer que só estavam lá os oficiais de serviço.

—  É... não mataram os oficiais de serviço... Mas não diz aqui se os navios foram ao fundo... Foram só dois, porque aqui diz que «dos vinte e um navios que ontem se encontravam surtos no Tejo apenas dois se sublevaram, capitaneados por pequenos comités». Aqui está... «Desembarque dos mortos, dos feridos e dos presos...» Vês?... Houve mortos e feridos.

— Os marinheiros e os cabos.

— Ah, espera... o governo já sabia (estremeci). «O governo, que já conhecia as intenções dos sublevados, tinha tomado as providências necessárias para os reduzir imediatamente à obediência.» Olha, e vão castigar «os oficiais e sargentos que não tenham empregado todos os esforços para dominar a insubordinação».

—   Como é que é isso?

—   Como é? Claro que devem ser castigados.

—   Mas, se eles não estavam a bordo, porque só estavam os oficiais de serviço, é porque não sabiam de nada, e o governo também não. Ou o governo sabia e eles não, e como é que agora pagam pelo que não sabiam?

—   Não me perguntes isso a mim. Mas que confusões estás tu a fazer? Olha, sabes que mais? Quem manda manda. O governo lá tem as suas razões. Oh, que horror... Tinham a bordo exemplares, diz aqui, do Marinheiro Vermelho. Que horror.

—   Horror porquê? A mãe já viu esse jornal alguma vez?

—   Nem preciso, basta o nome. Marinheiro já é gente de bebe­deira e facada, homens cheios de vícios, ainda por cima «vermelho»! Onde é que tu vais?!

—   Vou ver navios.

—   Tu não sais daqui! Bem basta que o teu pai tenha saído, por obrigação. Quem o mandou telefonar para o escritório?! Claro que logo disseram que não havia nada, aquela gente não perdoa nem uma revolução. Mas tu não tens nada que fazer. A tua obrigação é ficares em casa para defenderes a tua mãe.

—   Defender de quê? — e a discussão eternizava-se, com vai­ vém de razões em círculo e a minha mãe dramaticamente já na porta da rua, de braços abertos, e a criada atrás de mim, supli­cando que eu não saísse, a senhora estava tão aflita, eu não me dava conta?

Saí, atirando com a porta que logo se abriu para a minha mãe me lançar maldições lacrimosas, entremeadas de aterrorizados avisos pelos riscos que eu corria; e, do alto do patamar, os clamores seguiram-me até à rua. Na rua, não tinha para onde ir, e fui des­cendo a caminho da Baixa.

(...)

Jorge de Sena, Sinais de fogo

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adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge
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Sinais de Fogo: A Revolta dos Marinheiros de 8 de Setembro de 1936 (1)

(...)
Minha mãe mandou a criada para a cozinha, arrastou-me para a sala de jantar e fechou a porta.
—   Valha-nos Deus! O coração bem me dizia! E agora?
— E agora o quê? A mãe não entende. Eu não estou metido nisto, em revolução nenhuma, é outra coisa.
— Que outra coisa? Eu logo vi que toda esta vadiagem havia de acabar mal.
— Não faça misturas nem confusões (e eu sentia que em mim tudo era mistura e confusão), deixe-se de romances. Já disse que não tenho nada que ver com coisa nenhuma e — foi uma inspiração — acha que, se tivesse, tinha ficado em casa esta noite?
O argumento impressionou-a: — Não sei... Talvez não... Juras que não andas com gente perigosa?
— Juro — e, ao mesmo tempo, perguntava-me quem seria ou não perigoso.
— Tem cuidado, não te desgraces, nem nos desgraces a nós.
Fui para a casa de banho, a pensar naquela filosofia: «não te desgraces, nem a nós», como se desgraçar voluntariamente ou por inadvertência, ou por inesperada consequência, os outros fosse decidi­damente secundário. Tremi, reconhecendo naquilo o pior dos egoísmos, sem dúvida. O egoísmo da inocência, da ignorância, do conformismo, o egoísmo pavoroso dos que se querem, e querem os outros, inocentes, ignorantes, e conformados, cada um fechado sossegadamente na sua paz, e defendendo, pior que com ferocidade, com bondade e até honesta doçura, as fronteiras invioláveis do seu primeiro, segundo ou terceiro andar, mais as pratas e os filhos, contra a invasão de qualquer grito de angústia. Estendido no banho, deixando-me embebedar de ensaboado calor, não me sen­tia lavado ou repousado. E o próprio parcial flutuar na banheira dava-me uma sensação de horror. Mas recusava-me a recordar fosse o que fosse, a fazer ligações entre os acontecimentos e as pessoas. De súbito, levantei-me, ou uma ideia levantou-me: se o forte, um dos fortes que tinham entretanto afundado os navios, estava de prevenção na véspera, era porque o governo sabia o que ia acon­tecer — e ou não sabia a extensão do que ia acontecer, e esperara pela saída da revolução, para agir depois, ou sabia perfeitamente a extensão dela, e deixara que tudo acontecesse, porque isso muito melhor servia os seus fins. E navios iam ao fundo, pessoas eram mortas, por um frio cálculo de vantagens políticas. Estava eu, porém, isento de ter feito cálculos semelhantes? E tinha sequer a desculpa de um plano de acção, que, por idealismo ou por reles cálculo, ou mesmo por obediência a sórdidos interesses que tivesse por missão defender, me justificasse? Mas justificar era afinal o mesmo que estar dentro da justiça e da razão? Mas que justiça e que razão não serviam para justificar tudo?
(...)
Jorge de Sena, Sinais de fogo
_
adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge
_

    Sinais de Fogo: há os originais e há os que copiam

    Há os originais...

    RTP:

    Sinais de Fogo - Grandes Livros

    Sinais de Fogo (1995)

    ... e há os que copiam...

    Vídeo:

    adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                       

    José Afonso canta Jorge de Sena: Epígrafe para a arte de furtar

    Epígrafe para a Arte de Furtar

    Roubam-me Deus,
    outros o Diabo
    - quem cantarei?

    roubam-me a Pátria;
    e a Humanidade
    outros ma roubam
    - quem cantarei?

    sempre há quem roube
    quem eu deseje;
    e de mim mesmo
    - todos me roubam

    roubam-me a voz
    quando me calo,
    ou o silêncio
    mesmo se falo
    - aqui d'El Rei!

    (
    3/6/1952)

    Para ver e ouvir José Afonso a cantar «Epígrafe para a arte de furtar» de Jorge de Sena:

    adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

    Jorge de Sena: Carta a meus filhos Sobre os fuzilamentos de Goya (por Mário Viegas)

    CARTA A MEUS FILHOS

    Sobre os fuzilamentos de Goya


    Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
    É possível, porque tudo é possível, que ele seja
    aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
    onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
    de nada haver que não seja simples e natural.
    Um mundo em que tudo seja permitido,
    conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
    o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
    E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto
    o que vos interesse para viver. Tudo é possível,
    ainda quando lutemos, como devemos lutar,
    por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
    ou mais que qualquer delas uma fiel
    dedicação à honra de estar vivo.
    Um dia sabereis que mais que a humanidade
    não tem conta o número dos que pensaram assim,
    amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,
    de insólito, de livre, de diferente,
    e foram sacrificados, torturados, espancados,
    e entregues hipocritamente â secular justiça,
    para que os liquidasse «com suma piedade e sem efusão de sangue.»
    Por serem fiéis a um deus, a um pensamento,
    a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas
    à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
    foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
    e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido,
    ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
    Às vezes, por serem de uma raça, outras
    por serem de urna classe, expiaram todos
    os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência
    de haver cometido. Mas também aconteceu
    e acontece que não foram mortos.
    Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,
    aniquilando mansamente, delicadamente,
    por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.
    Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
    foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
    há mais de um século e que por violenta e injusta
    ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
    que tinha um coração muito grande, cheio de fúria
    e de amor. Mas isto nada é, meus filhos.
    Apenas um episódio, um episódio breve,
    nesta cadela de que sois um elo (ou não sereis)
    de ferro e de suor e sangue e algum sémen
    a caminho do mundo que vos sonho.
    Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
    vale mais que uma vida ou a alegria de té-la.
    É isto o que mais importa - essa alegria.
    Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
    não é senão essa alegria que vem
    de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém
    está menos vivo ou sofre ou morre
    para que um só de vós resista um pouco mais
    à morte que é de todos e virá.
    Que tudo isto sabereis serenamente,
    sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
    e sobretudo sem desapego ou indiferença,
    ardentemente espero. Tanto sangue,
    tanta dor, tanta angústia, um dia
    - mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga -
    não hão-de ser em vão. Confesso que
    multas vezes, pensando no horror de tantos séculos
    de opressão e crueldade, hesito por momentos
    e uma amargura me submerge inconsolável.
    Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,
    quem ressuscita esses milhões, quem restitui
    não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
    Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes
    aquele instante que não viveram, aquele objecto
    que não fruíram, aquele gesto
    de amor, que fariam «amanhã».
    E. por isso, o mesmo mundo que criemos
    nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
    que não é nossa, que nos é cedida
    para a guardarmos respeitosamente
    em memória do sangue que nos corre nas veias,
    da nossa carne que foi outra, do amor que
    outros não amaram porque lho roubaram.

    Jorge de Sena

     

     

    Este quadro, pintado por Francisco de Goya em 1814, chama-se "El Tres de Mayo" e refere-se ao 3 de Maio de 1808, fez agora 200 anos


    Para ouvir Mário Viegas a declamar «CARTA A MEUS FILHOS Sobre os fuzilamentos de Goya» de Jorge de Sena clicar AQUI e AQUI

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