Terça-feira, 8 de Maio de 2012

Pretty Woman - A grave questão da prostituição

-

Ele há temas que nos fazem vir à memória um poema pessimista de Jorge de Sena:

Neste vil mundo que nos coube em sorte/por culpa dos avós e de nós mesmos tão ocupados em esperanças de salvá-lo...

E se há temas que nos fazem dizer que o mundo está às avessas, um desses temas é sem dúvida nenhuma «a prostituição».

Com a ajuda da indústria cinematográfica cor de rosa, através do filme Pretty Woman (1), somos levados mesmo a pensar que a prostituição é uma coisa bela, romântica... E viva a liberdade de a mulher se prostituir pois que no final ela transforma-se numa nova cinderela made in mundialização neoliberal.

-

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 18:40
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Sexta-feira, 2 de Abril de 2010

Sinais de Fogo: A Revolta dos Marinheiros de 8 de Setembro de 1936 (3)

(...)

Saí, atirando com a porta que logo se abriu para a minha mãe me lançar maldições lacrimosas, entremeadas de aterrorizados avisos pelos riscos que eu corria; e, do alto do patamar, os clamores seguiram-me até à rua. Na rua, não tinha para onde ir, e fui des­cendo a caminho da Baixa.

Não se sentia nas pessoas e nas coisas alteração alguma. Talvez em tudo um ar de acontecimento, certa movimentação à porta das mercearias e outras lojas, pessoas que ostensivamente paravam na rua de jornal aberto (para darem ênfase à atmosfera que pressen­tiam ou que desejavam pressentir) e depois procuravam os olhos dos restantes transeuntes, em busca de tácito calor comunicativo. Mas, e seria talvez impressão minha, os outros olhares furtavam-se. Era como se dois pares de olhos se levantassem de um jornal, ou se cruzassem para comunicar um silencioso acordo ou um começo de conversa, e logo recuassem a refugiar-se numa cauta reserva. Subitamente, senti que a solidão que era a minha, a de saber que sabia e não sabia o quanto sabia, não era senão um caso parti­cular de outra solidão maior que se abatera sub-reptícia sobre tudo e todos, e a que todos se sujeitavam sub-repticiamente. Não era que as pessoas fossem coniventes de uma revolução falhada, uma rebelião, uma «intentona», como eu me lembrava de ouvir dizer quando era pequeno, e temessem denunciar-se com um gesto ou uma palavra. Algumas, por certo, leriam o jornal com o mesmo ansiado prazer de a ordem e a disciplina serem mantidas, que houvera na voz de minha mãe. E, todavia, essas mesmas sentiam-se sós e incomuni­cáveis, por terem aceitado que a ordem e a disciplina fossem uma coisa exterior a elas, defendida por outros, em nome de um governo que tomara sobre si o defini-las e se atribuía a omnisciência mesmo de revoluções que chegavam a sair e causavam mortos e feridos. Ainda que se entusiasmassem umas às outras, seria sempre um entusiasmo triste, como forçado pela necessidade de compensar o que nem saberiam haver perdido ou abandonado.

Jorge de Sena, Sinais de fogo

_
adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

_

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 12:06
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 1 de Abril de 2010

Sinais de Fogo: A Revolta dos Marinheiros de 8 de Setembro de 1936 (2)

(...)

Vesti outra vez o pijama, fui tomar café. Sentada à mesa, minha mãe lia atentamente o jornal. Debrucei-me por cima do ombro dela, para ler também.

— Senta-te e come primeiro, que são mais do que horas — por­que embirrava que alguém lesse por cima do ombro dela, e nem o sensacionalismo do caso lhe alterava o reiterado hábito.

Enquanto eu comia, ia-me recitando excertos de noticiário. Mas eu detestava ouvir ler por fracções: — Leia, que eu leio depois.

Mas minha mãe prosseguiu apaixonadamente: — «Uma revolta a bordo do navio Afonso de Albuquerque e do contratorpedeiro Dão...» Ora aí está. «Algumas dezenas de cabos e marinheiros tomaram conta dos navios»... Coisa de gente ordinária... Marinheiros, ui que gente!... Ah, espera, «marinheiros, representando uma pequena parte das guarnições daqueles barcos, tomaram conta dos navios»... Foram poucos, está-se a ver... «prenderam os oficiais de serviço»... Prender os oficiais, que indisciplina... «e tentaram sair a barra para se irem juntar à esquadra marxista espanhola»... Para onde é que eles iam?

—  Juntar-se à esquadra espanhola, à do governo.

—  Qual governo, aquilo não é governo, estás a ver o resultado dos maus exemplos? Ouve, espera. «Um fogo violento e certeiro das baterias de Almada e do Alto do Duque reduziu os rebeldes à impotência»... Bem feito, foi a tempo... «Em poucos minutos»... Durou pouco, por isso não chegámos a ouvir nada... «obrigando-os a arvorar a bandeira branca, quando os navios estavam já a meter água»... Meter água? (Ir ao fundo — expliquei eu). «À parte estes dois navios, toda a esquadra se manteve absolutamente disciplinada.» Afinal foram só dois navios. E não mataram os oficiais (havia na voz de minha mãe como que uma decepção inconsciente que a levou a percorrer o jornal com precipitada atenção). Não, não dizem nada de terem matado os oficiais.

—  Só podiam matar dois, um em cada um.

—  Essa agora! Pois não há tantos em cada navio?

—  Há, mas vão ficar a casa. E como nos quartéis. E é o que aí diz, não é? «Prenderam os oficiais de serviço.» O que quer dizer que só estavam lá os oficiais de serviço.

—  É... não mataram os oficiais de serviço... Mas não diz aqui se os navios foram ao fundo... Foram só dois, porque aqui diz que «dos vinte e um navios que ontem se encontravam surtos no Tejo apenas dois se sublevaram, capitaneados por pequenos comités». Aqui está... «Desembarque dos mortos, dos feridos e dos presos...» Vês?... Houve mortos e feridos.

— Os marinheiros e os cabos.

— Ah, espera... o governo já sabia (estremeci). «O governo, que já conhecia as intenções dos sublevados, tinha tomado as providências necessárias para os reduzir imediatamente à obediência.» Olha, e vão castigar «os oficiais e sargentos que não tenham empregado todos os esforços para dominar a insubordinação».

—   Como é que é isso?

—   Como é? Claro que devem ser castigados.

—   Mas, se eles não estavam a bordo, porque só estavam os oficiais de serviço, é porque não sabiam de nada, e o governo também não. Ou o governo sabia e eles não, e como é que agora pagam pelo que não sabiam?

—   Não me perguntes isso a mim. Mas que confusões estás tu a fazer? Olha, sabes que mais? Quem manda manda. O governo lá tem as suas razões. Oh, que horror... Tinham a bordo exemplares, diz aqui, do Marinheiro Vermelho. Que horror.

—   Horror porquê? A mãe já viu esse jornal alguma vez?

—   Nem preciso, basta o nome. Marinheiro já é gente de bebe­deira e facada, homens cheios de vícios, ainda por cima «vermelho»! Onde é que tu vais?!

—   Vou ver navios.

—   Tu não sais daqui! Bem basta que o teu pai tenha saído, por obrigação. Quem o mandou telefonar para o escritório?! Claro que logo disseram que não havia nada, aquela gente não perdoa nem uma revolução. Mas tu não tens nada que fazer. A tua obrigação é ficares em casa para defenderes a tua mãe.

—   Defender de quê? — e a discussão eternizava-se, com vai­ vém de razões em círculo e a minha mãe dramaticamente já na porta da rua, de braços abertos, e a criada atrás de mim, supli­cando que eu não saísse, a senhora estava tão aflita, eu não me dava conta?

Saí, atirando com a porta que logo se abriu para a minha mãe me lançar maldições lacrimosas, entremeadas de aterrorizados avisos pelos riscos que eu corria; e, do alto do patamar, os clamores seguiram-me até à rua. Na rua, não tinha para onde ir, e fui des­cendo a caminho da Baixa.

(...)

Jorge de Sena, Sinais de fogo

_
adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge
_

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 12:01
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 31 de Março de 2010

Sinais de Fogo: A Revolta dos Marinheiros de 8 de Setembro de 1936 (1)

(...)
Minha mãe mandou a criada para a cozinha, arrastou-me para a sala de jantar e fechou a porta.
—   Valha-nos Deus! O coração bem me dizia! E agora?
— E agora o quê? A mãe não entende. Eu não estou metido nisto, em revolução nenhuma, é outra coisa.
— Que outra coisa? Eu logo vi que toda esta vadiagem havia de acabar mal.
— Não faça misturas nem confusões (e eu sentia que em mim tudo era mistura e confusão), deixe-se de romances. Já disse que não tenho nada que ver com coisa nenhuma e — foi uma inspiração — acha que, se tivesse, tinha ficado em casa esta noite?
O argumento impressionou-a: — Não sei... Talvez não... Juras que não andas com gente perigosa?
— Juro — e, ao mesmo tempo, perguntava-me quem seria ou não perigoso.
— Tem cuidado, não te desgraces, nem nos desgraces a nós.
Fui para a casa de banho, a pensar naquela filosofia: «não te desgraces, nem a nós», como se desgraçar voluntariamente ou por inadvertência, ou por inesperada consequência, os outros fosse decidi­damente secundário. Tremi, reconhecendo naquilo o pior dos egoísmos, sem dúvida. O egoísmo da inocência, da ignorância, do conformismo, o egoísmo pavoroso dos que se querem, e querem os outros, inocentes, ignorantes, e conformados, cada um fechado sossegadamente na sua paz, e defendendo, pior que com ferocidade, com bondade e até honesta doçura, as fronteiras invioláveis do seu primeiro, segundo ou terceiro andar, mais as pratas e os filhos, contra a invasão de qualquer grito de angústia. Estendido no banho, deixando-me embebedar de ensaboado calor, não me sen­tia lavado ou repousado. E o próprio parcial flutuar na banheira dava-me uma sensação de horror. Mas recusava-me a recordar fosse o que fosse, a fazer ligações entre os acontecimentos e as pessoas. De súbito, levantei-me, ou uma ideia levantou-me: se o forte, um dos fortes que tinham entretanto afundado os navios, estava de prevenção na véspera, era porque o governo sabia o que ia acon­tecer — e ou não sabia a extensão do que ia acontecer, e esperara pela saída da revolução, para agir depois, ou sabia perfeitamente a extensão dela, e deixara que tudo acontecesse, porque isso muito melhor servia os seus fins. E navios iam ao fundo, pessoas eram mortas, por um frio cálculo de vantagens políticas. Estava eu, porém, isento de ter feito cálculos semelhantes? E tinha sequer a desculpa de um plano de acção, que, por idealismo ou por reles cálculo, ou mesmo por obediência a sórdidos interesses que tivesse por missão defender, me justificasse? Mas justificar era afinal o mesmo que estar dentro da justiça e da razão? Mas que justiça e que razão não serviam para justificar tudo?
(...)
Jorge de Sena, Sinais de fogo
_
adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge
_

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 12:07
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010

Sinais de Fogo: há os originais e há os que copiam

Há os originais...

RTP:

Sinais de Fogo - Grandes Livros

Sinais de Fogo (1995)

... e há os que copiam...

Vídeo:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

                                                                   

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 00:05
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010

José Afonso canta Jorge de Sena: Epígrafe para a arte de furtar

Epígrafe para a Arte de Furtar

Roubam-me Deus,
outros o Diabo
- quem cantarei?

roubam-me a Pátria;
e a Humanidade
outros ma roubam
- quem cantarei?

sempre há quem roube
quem eu deseje;
e de mim mesmo
- todos me roubam

roubam-me a voz
quando me calo,
ou o silêncio
mesmo se falo
- aqui d'El Rei!

(
3/6/1952)

Para ver e ouvir José Afonso a cantar «Epígrafe para a arte de furtar» de Jorge de Sena:

adaptado de um e-mail enviado pelo Jorge

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 12:03
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 28 de Maio de 2008

Jorge de Sena: Carta a meus filhos Sobre os fuzilamentos de Goya (por Mário Viegas)

CARTA A MEUS FILHOS

Sobre os fuzilamentos de Goya


Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é possível,
ainda quando lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
ou mais que qualquer delas uma fiel
dedicação à honra de estar vivo.
Um dia sabereis que mais que a humanidade
não tem conta o número dos que pensaram assim,
amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente â secular justiça,
para que os liquidasse «com suma piedade e sem efusão de sangue.»
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento,
a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas
à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido,
ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras
por serem de urna classe, expiaram todos
os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência
de haver cometido. Mas também aconteceu
e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,
aniquilando mansamente, delicadamente,
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
que tinha um coração muito grande, cheio de fúria
e de amor. Mas isto nada é, meus filhos.
Apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadela de que sois um elo (ou não sereis)
de ferro e de suor e sangue e algum sémen
a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de té-la.
É isto o que mais importa - essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém
está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero. Tanto sangue,
tanta dor, tanta angústia, um dia
- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga -
não hão-de ser em vão. Confesso que
multas vezes, pensando no horror de tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objecto
que não fruíram, aquele gesto
de amor, que fariam «amanhã».
E. por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram.

Jorge de Sena

 

 

Este quadro, pintado por Francisco de Goya em 1814, chama-se "El Tres de Mayo" e refere-se ao 3 de Maio de 1808, fez agora 200 anos


Para ouvir Mário Viegas a declamar «CARTA A MEUS FILHOS Sobre os fuzilamentos de Goya» de Jorge de Sena clicar AQUI e AQUI

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 12:02
link do post | comentar | ver comentários (6) | favorito

.mais sobre mim


. ver perfil

. seguir perfil

. 26 seguidores

.pesquisar

.Agosto 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. Pretty Woman - A grave qu...

. Sinais de Fogo: A Revolta...

. Sinais de Fogo: A Revolta...

. Sinais de Fogo: A Revolta...

. Sinais de Fogo: há os ori...

. José Afonso canta Jorge d...

. Jorge de Sena: Carta a me...

.arquivos

. Agosto 2019

. Julho 2019

. Fevereiro 2019

. Janeiro 2019

. Dezembro 2018

. Outubro 2018

. Julho 2018

. Maio 2018

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

.tags

. álvaro cunhal

. assembleia da república

. autarquia

. avante!

. bce

. benfica

. blog

. blogs

. câmara municipal

. capitalismo

. caricatura

. cartoon

. castendo

. cds

. cdu

. cgtp

. cgtp-in

. classes

. comunicação social

. comunismo

. comunista

. crise

. crise do sistema capitalista

. cultura

. cultural

. democracia

. desemprego

. desenvolvimento

. desporto

. dialéctica

. economia

. economista

. eleições

. emprego

. empresas

. engels

. eua

. eugénio rosa

. exploração

. fascismo

. fmi

. futebol

. governo

. governo psd/cds

. grupos económicos e financeiros

. guerra

. história

. humor

. imagens

. imperialismo

. impostos

. jerónimo de sousa

. jornal

. josé sócrates

. lénine

. liberdade

. liga

. lucros

. luta

. manifestação

. marx

. marxismo-leninismo

. música

. notícias

. parlamento europeu

. partido comunista português

. paz

. pcp

. penalva do castelo

. pensões

. poema

. poesia

. poeta

. política

. portugal

. precariedade

. ps

. psd

. recessão

. revolução

. revolucionária

. revolucionário

. rir

. salários

. saúde

. segurança social

. sexo

. sistema

. slb

. socialismo

. socialista

. sociedade

. sons

. trabalhadores

. trabalho

. troika

. união europeia

. vídeos

. viseu

. vitória

. todas as tags

.links

.Google Analytics

blogs SAPO

.subscrever feeds