Domingo, 11 de Março de 2018

O BE e as agressões imperialistas

Bloco de Esquerda.jpg

 

DESINFORMAÇÃO O texto sobre a Síria apresentado pelo Bloco de Esquerda na Assembleia da República e aprovado com os votos favoráveis de CDS, PSD, PS, BE e PAN «poderia ter sido subscrito pelo próprio Donald Trump», como disse eloquentemente João Oliveira, ao apresentar a declaração do voto contra do PCP. O texto do BE reproduz todas as patranhas da propaganda de guerra de agressão à Síria.

Nada diz sobre as causas de fundo daquela guerra, mais uma no infindável rol de guerras e ingerências do imperialismo. Nem sobre a natureza terrorista dos exércitos fundamentalistas, armados e financiados pelo imperialismo para impor o seu domínio na região, através da morte e da destruição dos estados que recusam submeter-se. É uma vergonha. Mas é uma opção cujas causas importa compreender.

Como todas as guerras de agressão do imperialismo, a guerra contra a Síria não se combate apenas no plano militar. Combate-se também através de enormes e mentirosas campanhas propagandísticas que diariamente nos entram em casa, em tudo análogas às patranhas já usadas noutras guerras. Foi assim com as inexistentes ‘armas de destruição em massa de Saddam Hussein’. Foi assim com os inexistentes ‘bombardeamentos de Kadafi sobre o seu povo’, explicitamente desmentidos na altura pelo embaixador de Portugal na Líbia, Rui Lopes Aleixo (Antena 1, 23.2.11) e mais tarde pelo Relatório da Comissão dos Negócios Estrangeiros da Câmara dos Comuns britânica (Setembro 2016). Foi assim com a campanha de demonização de Milosevic, apresentado como ‘carniceiro dos Balcãs’ e ‘novo Hitler’, para ‘justificar’ a guerra da NATO contra a Jugoslávia, não sendo porém manchete que dez anos após a sua morte nos calabouços do Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia, este mesmo ‘tribunal dos vencedores’ acabou por confessar que Milosevic não tinha patrocinado qualquer genocídio (Avante!, 18.8.16).

Ler texto integral

 

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Terça-feira, 20 de Setembro de 2016

A via da guerra é um perigo enorme - Milosevic e a actualidade

Slobodan Milosevic_prisão 2001-04-01

Slobodan Milosevic morreu há dez anos nos calabouços do «tribunal» especial criado pelos carrascos da Jugoslávia, o ICTY.

Seguindo o guião usual, o presidente (repetidamente eleito) Milosevic fora pessoalmente demonizado e caluniado como prelúdio à destruição do seu país.

Pela calada, o ICTY acaba agora de reconhecer a falsidade das calúnias (ilibando os mortos para condenar os vivos).

Importa romper as barreiras de silêncio cúmplice da comunicação social de regime sobre este reconhecimento envergonhado – que contrasta de forma flagrante com o unanimismo estridente das acusações de há duas décadas.

E importa extrair as lições que tudo isto encerra. Lições que são de tremenda actualidade.

Novas campanhas belicistas, de consequências potencialmente muito mais dramáticas, estão hoje em curso.

 

Ataque_aereo_eua_siria_2014-09

«O alegado «genocídio» e «limpeza étnica» de que a Jugoslávia e Milosevic foram acusados são como as «armas de destruição em massa de Saddam Hussein»: uma fabricação monstruosa.

(...)

Há mais duma década que se reconhecia não haver bases plausíveis para condenar Milosevic.

(...)

A 8 de Março de 2006 Milosevic escreveu uma carta oficial ao Ministério russo dos Negócios Estrangeiros, afirmando desconfiar que, em vez de estar a ser tratado dos seus problemas cardíacos, estaria a ser envenenado. Três dias depois, Milosevic morre na sua cela da prisão NATO-ICTY. As legítimas suspeitas de assassinato reforçam-se se pensarmos no destino de outros alvos das potências imperialistas, como Saddam Hussein ou Muamar Qadafi.
A propaganda de guerra tinha de ser implacável e aterrorizadora porque a dimensão do crime que estava a ser praticado era enorme. A guerra de agressão à Jugoslávia foi a primeira guerra na Europa após 1945. Foi a primeira guerra aberta desencadeada pela NATO e uma violação aberta do Direito Internacional. Mas foi sobretudo a afirmação por parte das potências imperialistas de que a nova correlação de forças resultante da desintegração da URSS e das vitórias contra-revolucionárias no Leste da Europa lhes permitia libertarem-se das amarras que a derrota do nazi-fascismo havia imposto em 1945. A Carta da ONU era coisa do passado. A partir de agora vigorava a lei do mais forte. E o mais forte era o imperialismo norte-americano. Era essa a essência do novo conceito estratégico da NATO, aprovado em plena agressão à Jugoslávia (Cimeira de Washington, 23-24 Abril 1999), que descartou a máscara de organização defensiva, proclamando o «direito» de intervir em qualquer parte do planeta.

(...)

cartoon peter brookes

Teria sido difícil à NATO desencadear os bombardeamentos sobre Belgrado sem a legitimação escandalosa por parte de forças políticas que se auto-proclamam de «esquerda» ou «progressistas».

(...)

Mas os acordos que o imperialismo norte-americano assina não valem sequer o preço da resma de papel em que são impressos.

(...)

Importa lembrar estes factos. Não estamos só a falar do passado. Estamos a falar do presente. Estamos a falar das campanhas de demonização de Assad, Putin ou Kim Jong-Un. A crise do sistema capitalista está prestes a conhecer uma nova explosão. Não há paliativos que consigam esconder que o sistema financeiro está totalmente quebrado. A tentação do sistema responder pela via da guerra é um perigo enorme. É esta a natureza do imperialismo. Trocar oportunisticamente a identificação da verdadeira essência do imperialismo por fáceis mentiras ou ilusões mediáticas significa desarmar os povos e fazer o jogo dos verdadeiros senhores da guerra e do genocídio.»

 

publicado por António Vilarigues às 06:36
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Quinta-feira, 18 de Agosto de 2016

Os verdadeiros criminosos

Slobodan Milosevic_prisão 2001-04-01

O facto foi diluído num relatório de 2590 páginas e convenientemente silenciado. Falamos do reconhecimento da inocência de Slobodan Milosevic dos crimes de que foi acusado pelo Tribunal Penal Internacional para a antiga Jugoslávia – o «tribunal» criado para que os responsáveis e vencedores da guerra do Balcãs impusessem a sua «justiça» sobre os vencidos.

No relatório sobre o «julgamento» de Radovan Karadzic (em que o ex-líder sérvio-bósnio, nacionalista de direita, é condenado a 40 anos de prisão por crimes de guerra nos acontecimentos de Sebrenica em 1995) constam várias passagens que reconhecem que o ex-presidente Milosevic não só não praticou «crimes de guerra» ou «limpeza étnica», como entrou cedo em rota de colisão com Karadzic e outros líderes bósnios-sérvios sobre o rumo da guerra civil incitada e alimentada pela NATO, defendendo o fim da guerra e o respeito pelas «outras nações e etnias».

Passaram 25 anos desde o início do desmembramento da Jugoslávia e 17 anos sobre a guerra de agressão da NATO, na altura a primeira guerra no coração da Europa em meio século. Uma guerra que, é importante recordá-lo, foi realizada à margem e em confronto com a Carta das Nações Unidas, quando a social-democracia participava no governo de 13 dos 15 países da então União Europeia, quando Bill Clinton, do Partido Democrata, era presidente dos EUA e o socialista espanhol, Javier Solana, era secretário-geral da NATO. Uma guerra de agressão em que Portugal se envolveu numa decisão do então governo de António Guterres em confronto com a Constituição da República Portuguesa. Uma guerra que foi uma aplicação concreta do então novo conceito estratégico da NATO, aprovado na cimeira de Washington desse ano, em que esta se auto-atribuiu o «direito» de intervir em qualquer parte do globo para «defender os interesses» e «valores» do bloco político militar agressivo.

A realidade actual daquela região da Europa comprova os verdadeiros «interesses» por detrás daquele crime: o estacionamento na região de dezenas de milhares de soldados da NATO, e em particular dos EUA; a criação de protectorados, como o Kosovo, fiéis representantes dos interesses económicos, energéticos e geo-estratégicos das principais potências europeias – com destaque para a Alemanha –, dos EUA e da NATO; e a destruição de um País que bateu o pé ao imperialismo e teve um importante papel no Movimento dos Não Alinhados.

Slobodan Milosevic1

A guerra imperialista dos Balcãs foi uma sucessão de mentiras e manipulações e de verdadeiros crimes… mas praticados pela NATO. Não cabe neste espaço uma ínfima parte da enumeração desses crimes. Contudo, para memória histórica colectiva, é importante pelo menos referir que a NATO instigou e manipulou as divisões étnicas nos Balcãs; financiou e armou e treinou o «Exército de Libertação do Kosovo» – uma organização terrorista que forjou crimes como o Massacre de Racak, depois atribuído às forças sérvias, a «gota de água» que «justificou» os bombardeamentos durante 78 dias. É importante lembrar que para manter a campanha contra Milosevic – apresentado como um monstro comparado a Hitler – a NATO bombardeou a RTS, a televisão sérvia, matando dezenas de jornalistas; que para deixar bem claro quais os objectivos políticos daquela intervenção bombardeou a embaixada da China; e que perseguiu e sequestrou Milosevic que acabaria por morrer (tudo indica que envenenado) nos calabouços do tribunal que agora reconhece a sua inocência. Não podem ainda esquecer-se crimes como a utilização de armas de urânio empobrecido, que tal como no Iraque continuam a matar e a condenar a várias doenças milhões de seres humanos.

O relatório do TPI para a ex-Jugoslávia vale o que vale, será a história a encarregar-se, e já o está a fazer, de sentar no banco dos réus os verdadeiros criminosos – a NATO e os responsáveis por aquele hediondo crime.

(sublinhados meus)

 AQUI

 

«O Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia (TPII), em Haia, reconheceu que Slobodan Milosevic, que foi presidente jugoslavo, não teve responsabilidades em crimes de guerra na Bósnia, entre 1992 e 1995. Uma ilibação tardia.»

 

«O Tribunal Criminal Internacional criado em Haia pelos Estados Unidos para julgar antigos dirigentes da ex-Jugoslávia reconheceu finalmente que as acusações contra o ex-presidente eram improcedentes.

Milosevic, que faleceu na prisão, negou sempre os crimes que lhe eram atribuídos.

A sentença, tardia, confirmou que o julgamento foi, na fase inicial da audiência, uma farsa dirigida pelos EUA

 

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publicado por António Vilarigues às 14:53
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Segunda-feira, 2 de Março de 2015

27 de Fevereiro de 1953: 62% de perdão de dívida à R.F.A. ...

Mapa RDA_RFA.jpg   A 27 de Fevereiro de 1953, faz agora 62 anos, foi assinado um acordo em Londres que tem o maior significado. 20 países decidiram perdoar mais de 60% da dívida da República Federal da Alemanha.

Assinaram o «acordo sobre as dívidas externas alemãs» com a R.F.A. os seguintes países: Bélgica, Canadá, Ceilão, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Irão, Irlanda, Itália, Jugoslávia, Liechtenstein, Luxemburgo, Noruega, Paquistão, Suécia, Suíça, Reino Unido, República da África do Sul.

AQUI

 

O tratado foi determinante para o país se tornar numa grande potência económica mundial e num importante aliado dos Estados Unidos durante as décadas da Guerra Fria...

 

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Quinta-feira, 11 de Setembro de 2014

Alucinações bélicas

   Não é demais lembrar que os países da NATO são responsáveis por todas as grandes guerras das últimas décadas e por mais de 75% das despesas militares do globo. Quando não podem vergar a ONU aos seus planos de guerra, atacam na mesma (Jugoslávia, Iraque). Financiam, treinam e armam os mais bárbaros bandos terroristas para servir como tropa de choque (como na Líbia, Síria, Ucrânia). Destruídos os países e chacinada a população, culpam as vítimas.

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Domingo, 20 de Maio de 2012

Lutemos pela Paz, contra a NATO!

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A Aliança do Tratado do Atlântico Norte (NATO) realiza uma nova Cimeira em Chicago, a 20 e 21 de Maio.

A NATO é uma estrutura militar ofensiva, responsável por guerras injustas e ilegítimas, por graves violações dos direitos do homem, por autênticos crimes – na Jugoslávia, no Afeganistão, no Iraque ou na Líbia.

Sob o pretexto do «combate ao terrorismo», da não proliferação de «armas de destruição massiva» ou da dita «ingerência humanitária», a NATO tem promovido a militarização das relações internacionais, a corrida aos armamentos, a ameaça do terror nuclear, a ingerência, as agressões e ocupações militares, tornando o mundo mais inseguro e violento e comprometendo a paz mundial.

Liderada pelos EUA e tendo a União Europeia como seu «pilar europeu», a NATO tem vindo a aumentar o número de países membros e a reforçar as suas parcerias e meios, no sentido de ampliar a sua área de intervenção.

A revisão do seu conceito estratégico na sua última cimeira, realizada em Lisboa, em Novembro de 2010, definiu a intervenção em todas as regiões do mundo como objectivo da NATO e alargou o leque de pretextos a serem usados para «justificar» a sua acção belicista.

Através da NATO, os EUA e os seus aliados procuram impor pelo domínio militar o controlo de recursos naturais e de mercados e a superioridade geoestratégica – liquidando milhares de vidas humanas, destruindo países e recursos, espalhando a violência e o sofrimento; desrespeitando os direitos dos povos e as soberanias nacionais; instrumentalizando a Organização das Nações Unidas e subvertendo a sua Carta.

Num momento em que a crise tem servido de desculpa para atacar os direitos e as conquistas dos trabalhadores e dos povos, as despesas e o investimento em novas tecnologias militares não cessam de aumentar, sendo que cerca de 70% dos gastos militares no mundo são dos países membros da NATO – os grandes responsáveis pela agudização da situação económica e social são os mesmos que promovem a corrida aos armamentos, a militarização das relações internacionais e a guerra.

Portugal, membro fundador da NATO pela mão do regime fascista, tem vindo a pautar a sua política externa pela submissão a interesses alheios às aspirações e anseios de paz do povo português.

A Constituição da República Portuguesa – nascida da libertação do fascismo e do anseio do fim da guerra colonial e da paz, conquistadas após o 25 de Abril de 1974 – preconiza a resolução pacífica dos conflitos internacionais, o desarmamento, a soberania e a independência nacional, a não-agressão e a não-ingerência, a dissolução dos blocos político-militares, a abolição do imperialismo, do colonialismo e de quaisquer outras formas de agressão, domínio e exploração dos povos.

Contrariando a Lei Fundamental, os sucessivos governos têm vindo a comprometer Portugal com a NATO e os seus crimes, enviando tropas portuguesas para actos de agressão a outros povos. Enquanto se impõem sacrifícios ao povo português e se corta nas despesas sociais, utilizam-se milhões de euros para adaptar e dispor as Forças Armadas Portuguesas às exigências da NATO.

Na sua Cimeira de Chicago, a NATO – ao mesmo tempo que procura assegurar a sua «retirada» ordenada do atoleiro do Afeganistão –, reafirma a instalação do sistema antimíssil dos EUA na Europa e o compromisso dos países membros da NATO na manutenção e no desenvolvimento de capacidades militares e na partilha de meios e de custos da sua política belicista - o que já mereceu a aceitação do governo português.

Este é um rumo que contraria as aspirações e os direitos dos povos a um mundo de paz, de solidariedade e cooperação e que constitui a maior ameaça à paz e à segurança internacional.

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Assim, por ocasião da Cimeira da NATO em Chicago, e dando continuidade aos objectivos e aos compromissos da Campanha «Paz Sim! NATO Não!», realizada em Portugal em 2010, afirmamos:

  • A exigência da retirada imediata das forças portuguesas envolvidas em agressões da NATO, nomeadamente do Afeganistão;

  • A rejeição da instalação do sistema míssil dos EUA na Europa e de qualquer participação de Portugal neste;

  • A rejeição da escalada de guerra no Médio Oriente, nomeadamente contra a Síria e o Irão;

  • A reclamação do fim das bases militares estrangeiras e das instalações da NATO em território nacional;

  • A reclamação da dissolução da NATO;

  • A exigência do desarmamento e do fim das armas nucleares e de destruição massiva;

  • A exigência do cumprimento dos princípios da Carta das Nações Unidas e da Constituição da República Portuguesa, em respeito pela soberania e igualdade dos povos.

Maio de 2012

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Organizações que subscreveram até o momento:
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Associação de Intervenção Democrática – ID
Associação dos Agricultores do Distrito de Lisboa
Associação Portuguesa de Amizade e Cooperação Iúri Gagárin
Associação Projecto Ruído
Casa do Alentejo
Colectivo Mumia Abu-Jamal
Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional
Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura Recreio e Desporto
Conselho Português para a Paz e Cooperação
Ecolojovem – Os Verdes
Frente Anti-Racista
Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra
Iniciativa Jovem
Interjovem – CGTP-IN
Juventude Comunista Portuguesa
Movimento Democrático de Mulheres
Sindicato dos Trabalhadores Civis das Forças Armadas
Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal
União de Resistentes Antifascistas Portugueses
União dos Sindicatos de Lisboa – CGTP/IN
Voz do Operário

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publicado por António Vilarigues às 12:16
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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011

Síria e Irão no centro da campanha de mentiras

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Imersas nas contradições de um sistema em crise profunda, as potências imperialistas procuram nas guerras de agressão garantir a sua hegemonia planetária. Síria e Irão são os alvos que mais sobressaem numa campanha de mentiras cujo guião recorda o seguido nos casos da ex-Jugoslávia, Iraque e Líbia.

Na Síria, as botas cardadas que na última década o imperialismo fez soar nos Balcãs, Médio Oriente e Norte de África já ecoam. Episódio mais próximo foi a conferência de imprensa que a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, promoveu antes da sessão especial do Conselho dos Direitos Humanos, realizada sexta-feira, dia 2, em Genebra.

(...)

No Irão, a investida militar encontra-se em fase menos acelerada, embora, como sublinhou, quinta-feira, à rádio pública do país o ministro da Defesa israelita, Ehud Barak, todas as opções se encontrem em cima da mesa.

(...)

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publicado por António Vilarigues às 00:04
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Sexta-feira, 8 de Abril de 2011

Truques de um jornalista

    O jornalista do «Diário de Notícias» e bloguista Pedro Correia (ver também AQUIe AQUI) nestes 3 posts insiste na atoarda e na mentira sobre o pretenso apoio do PCP e dos comunistas portugueses a Muammar Khadafi «na guerra civil em curso na Líbia». Para isso socorre-se do jornal «Avante!».

Respondi-lhe primeiro neste post  e depois neste. Desmascarado no seu «trabalho» de manipulação informativa optou por fugir ao debate de ideias. O pretexto, pasme-se, o conteúdo de um comentário de um leitor (Frantuco), ainda por cima devidamente identificado.

Qual virgem vestal, parece ignorar o que camaradas seus de profissão escrevem e dizem: Vasco Valente Correia Guedes (Vasco Pulido Valente), Ferreira Fernandes, Alberto Gonçalves, António Ribeiro Ferreira, Miguel Sousa Tavares, Fernanda Câncio para só citar seis. Ou os conteúdos de caixas de comentários do Blasfemias, do Jugular, ou do Cinco Dias, para só citar três. Ou os mimos com que já fui tratado aqui mesmo neste blog ou no Salazarices.

Como disse e escreveu um dia um Prémio Nobel da literatura, o escritor alemão Thomas Mann, o anti-comunismo é “a maior estupidez humana”. Eu não sou tão radical…

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publicado por António Vilarigues às 14:06
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Quarta-feira, 6 de Abril de 2011

Líbia: o toucinho e a velocidade e a desonestidade intelectual

O jornalista e bloguista Pedro Correia está todo abespinhado porque afirmei:

«Já o caso de Pedro Correia é diferente. AQUI e AQUI conclui sobre o pretenso apoio do PCP e dos comunistas portugueses a Khadafi. Quando em TODOS os textos e tomadas de posição é claramente feita a distinção entre o líder líbio e o seu povo. E são claras e inequívocas as críticas a Khadafi. Ao misturar o toucinho com a velocidade e ao esconder esses factos dos seus leitores, o jornalista Pedro Correia está a entrar numa área «repugnante» (para utilizar um termo dele): a manipulação informativa e a desonestidade intelectual.»

Vamos por partes:

1. Pedro Correia manifestou-se interessado em conhecer a minha posição sobre a situação na Líbia. Satisfiz-lhe a curiosidade num extenso post de quase 6 500 caracteres. Sobre o que escrevi Pedro Correia diz nada, nepia, nickles. Ou melhor, acusa-me de «querer matar à nascença qualquer debate de ideias». Com seis mil e quinhentos caracteres? Espantoso!

2. Pedro Correia, insiste, insiste, insiste sobre a tese de que o PCP apoia Muammar Khadafi «na guerra civil em curso na Líbia». E socorre-se do jornal «Avante!». Façamos o mesmo (por ordem cronológica».

3. «É 'vendido' por aqueles que venderam a Kadhafi os programas de ajuste do FMI e que estão na origem da deterioração da situação social no país; (...)

Kadhafi está enganado quando diz que o seu povo o ama, e uma das razões reside no facto de ao abraçar a «guerra contra o terrorismo» ter voltado as costas ao seu próprio povo

e

«Longe vai o tempo em que o regime líbio se caracterizava pelo anti-imperialismo. Há anos que predomina a colaboração económica, mas também política e entre serviços secretos, com as potências imperialistas. Hoje Kadafi colecciona inimigos entre as forças progressistas do mundo árabe e Médio Oriente. Mas a sua colaboração com o imperialismo não impede que este o sacrifique.»

e

«É óbvio que uma parte da população líbia já não se revê em Kadhafi e no seu regime «unificador de todos os clãs» – o mesmo regime que (sobretudo após 1993) abraçou os programas de ajuste estrutural do FMI e a sua política de privatizações; os grandes negócios com as principais potências imperialistas e a «guerra contra o terrorismo» de Bush.»

e

«A agressão contra a Líbia é hipócrita, pois faz parte da estratégia do imperialismo de tentar subverter as aspirações democráticas, sociais e de independência nacional do movimento de libertação dos povos árabes, e simultaneamente confundir e esconder o carácter antidemocrático, explorador e opressor dos regimes ditatoriais e apátridas que durante décadas e décadas têm sido e continuam a ser alimentados, armados e protegidos pelo Ocidente para servir os seus interesses.»

e

«O dirigente líbio não me inspira hoje respeito. Acredito que muitos dos seus compatriotas que participam na rebelião da Cirenaica e exigem o fim do seu regime despótico actuam movidos por objectivos louváveis.

Mas invocar a personalidade e os desmandos de Muamar Khadafi no esforço para apresentar como exigência de princípios e valores da humanidade a criminosa agressão ao povo de um país soberano é o desfecho repugnante de uma ambiciosa estratégia imperialista.»

Chega ou quer mais? Pedro Correia não sabe ler? Não consegue distinguir o apoio por parte do PCP à luta do povo líbio?


4. E o que diz o PCP sobre o assunto (também por ordem cronológica):

«O PCP condena a repressão que se faz sentir em países como o Iémen, Bahrein, Argélia, Marrocos e Líbia.»

e

«Longe de corresponder a qualquer genuíno sentimento de solidariedade para com o povo da Líbia e de defesa dos seus legítimos direitos, a Resolução adoptada pelo CS da ONU visa dar cobertura aos objectivos das grandes potências ocidentais de intervenção directa nos assuntos internos deste Estado soberano e de controlo geoestratégico e dos recursos naturais da Líbia.»

e

Nota da Comissão Política do Comité Central do PCP. Nem uma linha sobre Muammar Khadafi.

Percebido? Ou é preciso fazer um desenho? Onde é que Pedro Correia enxerga o apoio do PCP ao «camarada»  Khadafi? (já agora: Khadafi, não é, nem nunca foi, camarada do PCP)

Isto é ou não  manipulação informativa e a desonestidade intelectual? Ao leitor de decidir...

5. E como não quero que falte nada ao Pedro Correia aqui vai um conselho (à borla) de leitura sobre a temática em apreço: Cravo de Abril.

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Terça-feira, 22 de Março de 2011

Líbia: o toucinho e a velocidade

Os jornalistas e bloguistas Daniel Oliveira e Pedro Correia estão curiosos sobre a minha posição sobre a situação na Líbia. Por uma vez vou satisfazer-lhes a curiosidade.

1. A minha posição, como comunista, como marxista-leninista, parte de uma posição de classe: a quem serve a actual escalada política e militar neste país?

Dois objectivos motivaram o ataque à Líbia: por um lado, o saque dos recursos naturais – petróleo e gás. Por outro, a necessidade de controlar através do medo, o rumo das rebeliões populares que na Tunísia e no Egipto derrubaram as ditaduras de Ben Ali e Mubarak, ambos aliados de Washington.

2. É óbvio que uma parte da população líbia já não se revê em Kadhafi e no seu regime «unificador de todos os clãs». O mesmo regime que (sobretudo após 1993) abraçou os programas de ajuste estrutural do FMI e a sua política de privatizações. Que abraçou os grandes negócios com as principais potências imperialistas e a «guerra contra o terrorismo» de Bush.

Kadhafi está enganado quando diz que o seu povo o ama. E uma das razões reside precisamente no facto de ao abraçar a «guerra contra o terrorismo» ter voltado as costas ao seu próprio povo.

Mas também há dados que nos indicam continuar a haver sectores que apoiam o actual regime, seja do ponto de vista político e militar, seja popular.

3. Estamos pois perante um conflito interno que se desenrola num país com características muito particulares e em que os clãs, e o acesso que têm ao armamento, pesaram determinantemente no facto de o conflito ter rapidamente resvalado para um confronto militar interno, com as terríveis consequências que isso acarreta.

4. É conhecida a formidável capacidade de espionagem nesta zona por parte dos EUA e das antigas potências coloniais europeias, bem como de Israel, do Egipto, da Arábia Saudita e dos Emiratos Árabes Unidos. É extremamente significativo que não tenham conseguido divulgar durante estas semanas informações e imagens credíveis sobre genocídios da parte governamental. Nem sobre a verdade das operações realizadas que tornaram Benghazi a zona rebelde por excelência.

A invasão do Iraque teve como pretexto uma enorme mentira. Nada está a ficar diferente no ataque à Líbia.

5. A captura de militares holandeses em território Líbio pelas forças leais a Kadhafi e a captura de militares britânicos pelos próprios rebeldes foram dois acontecimentos elucidativos. Estes dois factos, por si só, tornaram clara a estratégia da NATO e das suas principais potências. Tratava-se de desenvolver, num quadro de uma situação de conflito interno, uma ilegal e criminosa acção de ingerência, espionagem, incitamento, treino e armamento de alguns sectores rebeldes. Tratava-se de criar o «caos humanitário» no País e, finalmente, abrir o campo ao grande objectivo: a intervenção militar e domínio sobre aquele imenso território.


6. Perante este cenário qual deveria ter sido a actuação da chamada comunidade internacional?

A atitude do Conselho de Segurança das Nações Unidas e do Secretário Geral da ONU deveria, à luz da Carta das Nações Unidas, ser a de promover e apoiar iniciativas diplomáticas de países como a Venezuela e de organizações, como a União Africana, visando uma resolução pacífica do conflito interno na Líbia.

A realidade foi outra. Assistimos, isso sim, a uma actuação de apoio a uma estratégia que visou iniciar mais uma guerra imperialista de agressão. Guerra essa que, inevitavelmente, agravará o conflito interno e provocará ainda maior instabilidade em toda a região do Magrebe e Médio Oriente.

De sublinhar a abstenção na votação dos quatro países do chamado BRIC: Brasil, Rússia, Índia e China. Bem como a idêntica posição por parte da Alemanha.

7. EUA, Inglaterra e França preparam-se para «salvar» o povo Líbio do «ditador louco». Apesar das sucessivas declarações dos rebeldes contra uma intervenção militar estrangeira no conflito Líbio. O discurso da «intervenção humanitária» volta às parangonas. É «vendido» pelos mesmos que venderam a Kadhafi os programas de ajuste do FMI e que estão na origem da deterioração da situação social no país.

Enquanto invocam a defesa da liberdade e da democracia e motivos humanitários para bombardear a Líbia, os EUA apoiam as matanças praticadas pela ditadura feudal do Iémen e incentivaram a monarquia islamista da Arábia Saudita a invadir o Bahrein, sede da V Esquadra da US Navy – para reprimir a insurreição do seu povo.

A contradição ilumina bem o farisaísmo de Washington. Aliás como sempre ao longo da sua história (ver The National Security Archive).

8. A presença na dita coligação de Marrocos, Qatar, Emiratos Árabes Unidos, Jordânia e Iraque, tudo, como se sabe, regimes que são extremosos defensores dos «direitos humanos» é elucidativa. Como elucidativa é a afirmação arrogante do embaixador francês que o Conselho de Segurança «não é um quartel-general» e que «este Conselho deve dar autorização política e depois os países devem trabalhar juntos para a [a dita «zona de exclusão aérea»] impor».

A promessa de Berlusconi, outro impoluto humanista, de se juntar aos agressores, só arrastará ainda mais esta agressão pela lama da ignomínia.

9. Na Líbia, como na Palestina, no Líbano, na Jugoslávia, no Iraque, no Afeganistão e em tantos outros lugares, as potências imperialistas acenam cinicamente com preocupações de «direitos humanos» e defendem a dita «ingerência humanitária». Mas, na prática, apenas semeiam a morte e a destruição como forma de assegurar a exploração dos povos e dos seus recursos.

O verdadeiro amor ao povo Líbio passa neste momento por impedir mais um crime «humanitário» do imperialismo e afirmar sem tibiezas que lhe caberá decidir do seu próprio destino.


Para terminar, apenas duas notas:

Este texto de Daniel Oliveira enferma de demasiados erros factuais (ler os comentários). Erros esses que servem de fundamento a algumas das conclusões. O jornalista Daniel Oliveira deveria saber que quando as premissas estão erradas as conclusões também.

Já o caso de Pedro Correia é diferente. AQUI e AQUI conclui sobre o pretenso apoio do PCP e dos comunistas portugueses a Khadafi. Quando em TODOS os textos e tomadas de posição é claramente feita a distinção entre o líder líbio e o seu povo. E são claras e inequívocas as críticas a Khadafi. Ao misturar o toucinho com a velocidade e ao esconder esses factos dos seus leitores, o jornalista Pedro Correia está a entrar numa área «repugnante» (para utilizar um termo dele): a manipulação informativa e a desonestidade intelectual.

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publicado por António Vilarigues às 13:13
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