Sábado, 5 de Novembro de 2016

OE-2017: um orçamento que amordaça as funções sociais do Estado

Debate OE 2017

 

Neste estudo, utilizando os dados divulgados pelo governo no OE-2017, analisam-se aspetos do orçamento que terão um impacto grande na vida não só dos trabalhadores da Função Pública mas também de todos os portugueses em 2017, nomeadamente

 

  • (1) O valor insuficiente do orçamentado em 2017 para despesas com pessoal, para o SNS, para o ensino público e para a segurança social para recuperar a destruição feita pelo governo PSD/CDS e pela “troika”, o que determinará que, em 2017, a contratação de trabalhadores e as “Funções sociais do Estado” vão continuar a enfrentar dificuldades para satisfazer de uma forma adequada necessidades essenciais dos portugueses;
  • (2) O investimento público insuficiente para combater a anemia económica, promover a recuperação da economia e o desenvolvimento do país e para criar emprego suficiente;
  • (3) Os elevados encargos com divida pública (8.297 milhões € em 2017) que sufocam o país, com um valor superior às transferências do OE para o SNS, ou para a Segurança Social para combater a pobreza, sendo praticamente igual ao que se gasta em Portugal com o ensino básico, secundário e superior, e o dobro do investimento público em 2017.

 

«A análise da proposta de Orçamento do Estado para 2017 é difícil mesmo para aqueles que estão habituados a analisar orçamentos do Estado.

E isto porque o Relatório explicativo que acompanha o OE-2017 está elaborado tendo como base comparativa um “orçamento ajustado de 2016”, que tem valores diferentes dos valores que o ministro das Finanças mais tarde apresentou na Assembleia da República, e que constam de dois documentos, designados Anexo I e II. fazer.»

 

Funções sociais do Estado1

Funções sociais do Estado2

Funções sociais do Estado3

Investimento público 2015-2017

Emprego 09-2015 09-2016

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Domingo, 29 de Março de 2015

Como são financiados os «cofres cheios» da Ministra das Finanças?

«Numa reunião da juventude do PSD, a ministra das Finanças gabou-se de ter os "cofres cheios" de dinheiro. No entanto, ela "esqueceu-se" de explicar como conseguia isso. E isso foi conseguido à custa dos enormes aumentos de impostos, nomeadamente IRS e IVA, que é atualmente uma das causas mais importantes dos enormes cortes nos rendimentos dos portugueses, e de cortes brutais nas prestações sociais. É isso que vamos provar de uma forma quantificada neste estudo utilizando apenas dados oficiais.

EM JANEIRO DE 2015, OS DEPOSITOS DO ESTADO SOMAVAM 23.940 MILHÕES €, CUSTANDO AOS CONTRIBUINTES PORTUGUESES 478,8 MILHÕES € POR ANO SÓ DE JUROS

O quadro 1, com os dados mais recentes do Banco de Portugal sobre a divida pública, permite ficar a saber qual o montante de depósitos financiados por empréstimos obtidos pelo governo no período 2010-2015, e estimar o custo para os contribuintes portugueses dessa política de "cofres cheios", que encanta a ministra Maria Luís.
»

 

Dívida 2015-03-29

 

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Terça-feira, 9 de Outubro de 2012

Os «êxitos» de Vitor Gaspar

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O "salazarinho", desenho de Fernando Campos (o sítio dos desenhos)

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«Quem tenha ouvido ou lido o discurso escrito de Vítor Gaspar feito na conferência de imprensa de 3/10/2012, certamente terá ficado surpreendido com a cegueira ideológica deste ministro e com a sua total submissão aos credores externos. Metade do discurso (6 de 12 páginas) foi dedicado a mostrar que a confiança dos mercados tinha aumentado com os "êxitos" da política do governo ("presunção e água benta, cada qual toma a que quer", já diz o ditado). Mas ficou claro que o objetivo principal deste governo é agradar os mercados. Os portugueses e o país estiveram completamente ausentes do discurso e das preocupações deste ministro e, consequentemente, também deste governo. A provar também isso, está a 2ª parte do discurso, em que anunciou mais medidas para agradar os mercados (credores), mas que vão lançar o país numa recessão económica mais prolongada e profunda, e agravar ainda mais as dificuldades já muito grandes dos portugueses. O ministro dá o dito por não dito, pois anuncia medidas adicionais que desmentem os "êxitos" que tinha anteriormente referido. E o grave é que Vítor Gaspar, devido à cegueira ideológica e à submissão aos interesses externos, sejam eles credores ou governos estrangeiros, não consegue ver que as medidas anunciadas por ele próprio são a prova clara do completo falhanço da politica que está a ser seguida. Se os êxitos que anunciou fossem reais certamente não seriam necessárias medidas tão gravosas.

E é isso que vamos provar de uma forma quantificada, utilizando os próprios dados oficiais. Se o "Memorando de entendimento" inicial (versão 17/5/2011), já era gravoso para os portugueses e para o país, as medidas "cozinhadas" por este governo e pela "troika" são ainda mais graves.»

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Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011

Recessão económica dispara taxa de desemprego efectivo

 São de leitura obrigatória os estudos de Eugénio Rosa sobre a realidade económica e social de Portugal:

«A política deliberada da "troika" FMI-BCE-CE e do governo PSD/CDS de recessão económica, e de destruição do tecido económico e social do país, para tranquilizar os credores, está a fazer disparar o desemprego. Segundo os dados que o INE acabou de divulgar, referentes ao 3º Trimestre de 2011, a taxa oficial de desemprego subiu para 12,4%, mas a taxa de desemprego efectivo, calculada utilizando também dados do INE (soma-se ao desemprego oficial os "inactivos disponíveis" e o "subemprego visível" que são trabalhadores que, apesar de estarem na situação de desemprego real, não são considerados nos números do desemprego oficial), atingiu 18,2%. É um aumento muito grande como mostra o gráfico seguinte construído com dados do INE.

No período 2005-2011, a taxa de desemprego em Portugal não tem parado de crescer. Primeiro (2005-2010), devido a um crescimento económico anémico inferior a 1% ao ano; e agora, como consequência da recessão económica cada vez maior. Entre o 2º Trimestre de 2005 e o 3º Trimestre de 2011, a taxa oficial de desemprego aumentou de 7,2% para 12,4% (+72,2%), mas a taxa de desemprego efectivo subiu de 9,6% para 18,2% (+89,6%). Portanto, um valor muito próximo já da taxa de desemprego espanhola, que é a mais elevada da União Europeia.»

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Segunda-feira, 7 de Novembro de 2011

O ministro das Finanças engana os portugueses

 São de leitura obrigatória os estudos de Eugénio Rosa sobre a realidade económica e social de Portugal:

«O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, quando é confrontado com a questão de que as medidas que está a tomar são contraccionistas e levarão inevitavelmente o país à recessão económica papagueia, de uma forma monocórdica, aquilo que chama "Agenda de transformação estrutural" que, no fundo, se resume ao seguinte: liberalização dos preços; desregulamentação das leis do trabalho; maior facilitação em despedir e diminuição das indemnizações por despedimento; privatização das empresas públicas e sua venda a estrangeiros.

Quem conheça minimamente a situação da economia portuguesa sabe bem que um programa desta natureza apenas agravará muito mais a sua situação, e tornará a nossa economia mais dependente do estrangeiro. No entanto, apesar dessa evidência, o ministro das Finanças promete o crescimento económico já a partir de 2012 e a prosperidade para os portugueses. No "Documento de Estratégia Orçamental para 2011-2015», por ex., na pág. 9, ele próprio escreve textualmente o seguinte:

"Quero concluir fazendo um ponto que julgo de grande importância. A consolidação orçamental e a diminuição ordeira do endividamento são incontornáveis. São condições necessárias para retomar uma trajectória de prosperidade crescente em Portugal".»

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Sexta-feira, 10 de Junho de 2011

Um Presidente da República desestabilizador

 

     O cidadão Aníbal Cavaco Silva é, de entre os actuais responsáveis políticos, dos que mais responsabilidade tem na situação do país. Dois anos como Ministro das Finanças. Dez anos como Primeiro-ministro (pós 25 de Abril de 1974 aquele com mais tempo em funções). Seis anos como Presidente da República. Um «homem do aparelho» do PPD/PSD com responsabilidades políticas durante 18 anos dos 37 que leva a democracia em Portugal. Nos últimos 26 anos este cidadão desempenhou as mais altas funções de Estado durante 16 e nada fez para corrigir o que previu e escreveu.

Pois este mesmo cidadão, como Presidente da República (PR), em «mensagem ao País», no chamado «dia de reflexão», apelou descaradamente ao voto na política de direita. O pretexto foi o combate à abstenção. Na realidade, no contexto em que o foi proferido, o que o PR fez foi apelar «aos milhares de portugueses que estão desempregados» e às «novas gerações», para que votassem nas políticas que conduziram o país à beira do abismo.

Mas o PR foi ainda mais longe. Exorbitou claramente dos poderes que a Constituição da República Portuguesa lhe confere. Constituição que, sublinhe-se, ele jurou cumprir e fazer cumprir.

Afirmou, peremptório, que os cidadãos que não fossem votar «não têm depois autoridade para criticar as políticas públicas». E acrescentou: «Só quem vota poderá legitimamente exigir o melhor do próximo Governo».

Lê-se e não se acredita! Uma coisa, legítima, é combater a abstenção, apelando aos cidadãos para que exerçam o direito de votar. Outra bem diferente, ilegítima e inadmissível, é ameaçá-los de penalizações por exercerem um direito, que a lei lhes confere, o da abstenção.

Em ambos os casos, votar ou abster-se, os cidadãos têm o legítimo e pleno direito de ter opinião sobre a política que o futuro governo fará. Era o que faltava! E quanto a isso, por muito que lhe custe, o actual inquilino do Palácio de Belém nada pode fazer. Felizmente não tem esses poderes. Ninguém lhos conferiu. E, em democracia, ninguém lhos pode conferir.

O combate à abstenção é necessário e é indispensável. Mas não se faz com ameaças repressivas. Faz-se com políticas que sirvam os interesses dos trabalhadores, do povo e do País. Faz-se assegurando a todos que a opinião de cada um conta. Faz-se estimulando a participação dos cidadãos na vida nacional. Só assim a democracia o é de facto.

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

In "Jornal do Centro" - Edição de 9 de Junho de 2011

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Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2011

BPN: algumas perguntas

 O chamado caso BPN é um exemplo lapidar de, como aqui escrevi em Dezembro de 2008, a realidade ultrapassa a ficção. Passados mais de 2 anos tenho algumas certezas, e muitas, muitas interrogações.

Quem são os 390, número referido na comunicação social, accionistas do BPN e/ou da Sociedade Lusa de Negócios (SLN)? O Banco de Portugal (BP) afirmava ter dificuldades em os conhecer (???). E hoje, qual é a situação?

O (BP) revelava no final de 2008 ter seis processos abertos e admitia, só nessa altura (?!), que as irregularidades remontavam ao ano 2002. A que conclusões chegou entretanto? De quem foi a responsabilidade por não ter fiscalizado em condições? Ou a culpa, para variar, vai morrer solteira?

Os órgãos sociais do BPN e da SLN, sublinhe-se, saíram durante anos a fio do bloco central do poder, com predominância para o PSD. Administradores executivos e não executivos, membros dos órgãos sociais, que nada viam, nada ouviam, nada liam, logo nada sabiam. Eram (são) todos uns incompetentes? Ou foi só um estranho fenómeno passageiro? Apetece perguntar: eram pagos pelos accionistas, a peso de ouro, para serem assim?

Perante este lamaçal de ilegalidades e trafulhices o governo decidiu intervir. Fê-lo de forma precipitada e não salvaguardando o interesse público. No concreto, sem proceder à nacionalização, como se impunha, de todos os bens do grupo SLN. Porquê? Para proteger os respectivos accionistas e o património da sociedade proprietária do BPN? Para nacionalizar os prejuízos deixando de fora os lucros dos mesmos do costume? Ao fazê-lo o governo desconhecia que estava a aumentar a dívida pública? Esta nacionalização do BPN, na sua forma e no seu conteúdo, foi feita para evitar que o assunto fosse a tribunal?

Governo, Presidente da República e Banco de Portugal ignoravam a existência de um buraco financeiro no banco? E a sua dimensão? Foram injectados até hoje, recorde-se, 4,8 mil milhões de euros. Fala-se da necessidade de mais 2,9 mil milhões, atingindo-se assim a astronómica soma de 7,7 mil milhões de euros. Ou quase 5 por cento do PIB de Portugal! Tudo isto num banco que, segundo se notícia, tem depósitos no valor de três mil milhões de euros. E se pretende privatizar por um estranho valor mínimo de 180 milhões!

Como é possível ao governo encontrar tais recursos para salvar um banco insolvente? O mesmo governo que deixou e deixa afundar centenas de empresas produtivas! Quando, onde e como, vão ser contabilizados estes valores obscenos? Quais os seus efeitos nos Orçamentos do Estado de 2012, 2013 e seguintes? Que novos «sacrifícios» vão ser pedidos?

E que operação está em marcha com a criação de 3 empresas Parvalorem, Parparticipações e Parups? São de capitais públicos? Estamos perante mais uma manobra de engenharia financeira que os contribuintes vão ter de pagar mais à frente?

O cidadão Aníbal Cavaco Silva, que é Presidente da República e candidato a novo mandato, também deve algumas explicações. E não basta mandar (de forma autoritária como é seu timbre) ler o sítio na Internet da Presidência da República e a sua declaração de rendimentos. Aliás, em rigor, a resposta não tem que ser dada pelo Presidente da República. E muito menos pelo sítio institucional. É ao cidadão Cavaco Silva que compete o esclarecimento.

O que é preciso esclarecer é se se trata de um enriquecimento ilícito ou de um negócio perfeitamente normal. Pode-se considerar normal um negócio particular que em cerca de dois anos proporciona um lucro de 140%? A quem vendeu Cavaco Silva as acções? A um banco? A uma empresa? A um particular? A Oliveira e Costa em nome individual? À entidade por ele representada? E por quanto se venderam à época as acções da SLN em negócios particulares? Foram todas vendidas ou adquiridas pelo mesmo preço que pagaram a Cavaco Silva?

Há mais vida, para além do BPN e da SLN. Mas quando estão em causa 5% do PIB de Portugal exigem-se respostas claras!

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

In jornal "Público" - Edição de 7 de Janeiro de 2011

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Segunda-feira, 27 de Dezembro de 2010

A pulhice humana revisitada

Pulha – Pessoa sem carácter, bandalho; patife (Dicionário Ilustrado da Língua Portuguesa da Porto Editora).

1. Banco Português de Negócios (BPN). Em 2006 reportou resultados positivos 86 milhões de euros. Em 2007 o valor passou para 77 milhões. Mas a 30 de Outubro de 2008, os prejuízos ascendiam a 700 milhões de euros. Hoje, neste final de ano de 2010, já vamos em 4,8 mil milhões de euros.

Mas o regabofe não acaba aqui. O Orçamento para 2011 destina-lhes mais 400 milhões de euros. Fala-se num «aumento de capital» por parte do estado de 500 milhões. Economistas de vários quadrantes referem que ainda falta contabilizar 2 mil milhões de euros de «activos tóxicos» (forma enviesada de dizer que não valem nada, zero). Tudo somado temos cerca de 7,7 mil milhões de euros. Ou quase 5 por cento do PIB de Portugal! E não nos esqueçamos que a base de licitação do BPN é de 180 milhões de euros!!!

O Ministro das Finanças jura a pés juntos que, até agora, «não gastou dinheiro dos contribuintes». Longe de mim duvidar da palavra do ministro. Mas os 400 milhões que estão no orçamento para 2011 são dinheiro de quem? E, mais importante, donde vem todo este dinheiro? Ao que parece da Caixa Geral de Depósitos (CGD). O ministro pretende dar um rombo nas contas da CGD? Quando, onde e como, vão ser contabilizados estes valores obscenos? Quais os seus efeitos nos Orçamentos do Estado de 2012, 2013 e seguintes? Que novos «sacrifícios» vão ser pedidos?

2. No passado dia 13 de Outubro de 2010, 5 militantes (4 raparigas e 1 rapaz) da Juventude Comunista Portuguesa (JCP) viram ser impedida a pintura de um mural junto à Rotunda das Olaias, em Lisboa. Os elementos da PSP detiveram e insultaram os jovens. Na esquadra obrigaram as raparigas (menores) a despirem-se integralmente com o argumento que procuravam drogas. Sublinhe-se que nem as mochilas, nem o rapaz foram revistados. Durante várias horas ficaram retidos na esquadra, sem a presença de defensor ou dos pais.

Sobre tudo isto a JCP enviou uma nota para as redacções. NENHUM, repito, NENHUM órgão da comunicação social dominante noticiou estes acontecimentos. Que critérios jornalísticos conduziram a que o comportamento a vários títulos abusivo e intolerável da PSP (a pintura de murais em locais públicos é um direito reconhecido por lei e um parecer do Tribunal Constitucional condena impedimentos ao seu exercício) tenha merecido o silêncio da imprensa escrita e falada? Será pelo facto de os cinco jovens serem militantes de uma organização comunista?

Só depois destes acontecimentos terem sido divulgados na blogosfera alguns arrepiaram caminho e noticiaram estes factos. Questionada, a PSP considerou naturalíssimo e «decorre[nte] das medidas cautelares de polícia» que as jovens detidas tenham sido obrigadas a despir-se completamente na esquadra. O objectivo seria fazer-lhes uma «revista sumária» (imagine-se se tivesse sido uma «revista completa») à procura de «armas, de fogo ou brancas» ou «produtos cujo transporte pode ser considerado crime, nomeadamente drogas».

Dois meses depois as autoridades competentes ainda não averiguaram o que aconteceu. O anunciado inquérito aberto pelo IGAI ainda não tem qualquer conclusão. Mas os menores, após terem apresentado queixa da PSP de Lisboa, estão a ser sujeitos a um processo de inquérito, de avaliação da sua personalidade, de inquisição à sua família e ambiente escolar e social. Chega-se ao cúmulo de a mãe de uma das menores estar a ser investigada para ver se tem condições para criar a filha! A que título? Por ter pintado um mural?

Estamos, objectivamente, perante sucessivos comportamentos abjectos e execráveis de cariz fascizante. O que tem o ministro da tutela a dizer sobre o assunto? E todos aqueles e aquelas sempre tão céleres a expressarem a sua indignados com as violações dos direitos humanos noutras paragens?

Pessoas sem carácter…

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

In jornal "Público" - Edição de 24 de Dezembro de 2010

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Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010

2 de Dezembro de 2010

Não esqueçam esta data: 2 de Dezembro de 2010. O dia em que, como alguém já escreveu, os deputados do PS, do PSD e do CDS se comportaram na Assembleia da República (AR) como accionistas de uma grande empresa.

A história é escabrosa e conta-se em poucas palavras. O Orçamento do Estado (OE) para 2011 aprovado há poucos dias inclui novas normas sobre a tributação dos dividendos. Sabedores destas novas regras os conselhos de administração (CA) de alguns grandes grupos económicos decidiram antecipar para este ano a distribuição de dividendos, em regra feita em Abril ou Maio do ano seguinte. O primeiro-ministro e o ministro das Finanças manifestaram na AR a sua indignação perante esta descarada manobra de fuga ao fisco. Os deputados do PCP, confrontados com esta realidade, limitaram-se a propor a antecipação da entrada em vigor das referidas normas de tributação. Os mesmos deputados que as aprovaram (ou se abstiveram) para 2011 saíram em defesa dos seus mandantes com argumentos perfeitamente soezes. Se em 2 de Dezembro pensavam efectivamente o que disseram, como justificam a sua anterior aprovação? Não leram o que votaram? Ou ajoelharam-se perante o poder económico?

A Constituição da República estipula no seu artigo 80 a «subordinação do poder económico ao poder político democrático». Em 2 de Dezembro de 2010 assistimos (mais uma vez) à completa subversão deste princípio.

Os mesmos deputados do PS e do PSD entenderam em Julho que não havia retroactividade para aumentar o IRS sobre os salários e as reformas em 1 e 1,5 por cento. Nem para aumentar o IVA. Mas em Dezembro, para tributar os dividendos dos lucros de grandes empresas, já havia retroactividade!

No Portugal onde se fala até à exaustão de «sacrifícios para todos», os grandes grupos económicos da banca, energia e telecomunicações, grande distribuição, obras públicas, auto-estradas, cimentos e pasta de papel acumularam, nos primeiros nove meses de 2010, nove mil milhões de euros de lucros. Ou mais de 33 milhões de euros por dia!

No Portugal onde se repete até à náusea que «a crise toca a todos», a venda de carros de luxo não está a ser afectada. As marcas de maior prestígio nunca venderam tanto: a Porsche subiu as vendas em 71,2 %, em relação a 2009; a Jaguar aumentou 36,1 %; a BMW, 25,5%; a Mercedes, 23,2%.

No Portugal onde se pretende dar o dito por não dito num acordo assinado sobre o salário mínimo que prevê um aumento de 80 cêntimos por dia (!!!), há quem não tenha esse tipo de problemas. Um jovem nomeado pelo Governo do PS para o CA da PT em 2002 recebia 20 mil euros. Em 2009 passou para um milhão e meio de euros, o correspondente a um aumento de 1329% no ordenado! Ou a 3158 salários mínimos de 475 euros!!! E não é caso único. Um gestor executivo de uma empresa do PSI20 ganha, em média, mais de 1666 euros por dia. E há quem chegue aos 8500 euros/dia.

Sobre o que se passou no Parlamento a 2 de Dezembro de 2010 o cidadão que, de entre os actuais responsáveis políticos, é dos que mais responsabilidade tem na situação do país remeteu-se ao silêncio. Aquele que ao longo de uma dezena de anos foi primeiro-ministro e é Presidente da República há cinco calou-se. Bem podem os «fazedores de opinião», mais os «fazedores de imagem», ao serviço da candidatura de Cavaco Silva, tentar vendê-lo como um tecnocrata não político. E nem era preciso um seu colega de partido compará-lo a um eucalipto que seca tudo à sua volta. Os seus actos falam por si.

Em 2 de Dezembro de 2010 os deputados do PS, do PSD e do CDS renunciaram a defender o interesse colectivo. Vergaram-se perante o interesse de um punhado de accionistas. E com eles o Governo e o Presidente da República. Lembrem-se sempre!

Nota final: em números redondos o Estado está endividado em 146 mil milhões de euros. As empresas em 177 mil milhões de euros. A banca privada em 188 mil milhões de euros. Estes dados, do Banco de Portugal, reportam-se a Junho de 2010 e referem-se, exclusivamente, à dívida externa bruta. Porque será que os «especialistas» de serviço só escrevem e falam sobre a dívida do Estado?

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

In jornal "Público" - Edição de 10 de Dezembro de 2010

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Quinta-feira, 1 de Abril de 2010

Medina Carreira e a saída da crise

O Castendo está em condições de revelar em, primeira mão, o mais recente estudo de Medina Carreira sobre a saída da crise. Na opinião deste ex-ministro das finanças Portugal só poderá sair da crise se o Sport Lisboa e Benfica ganhar este ano a Liga Sagres e a Liga Europa. E mais não disse. O Castendo aguarda os desenvolvimentos...

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