Segunda-feira, 21 de Abril de 2008

É mesmo uma pipa de massa…

    Em Novembro de 2004, na «Resolução Política» do seu XVII Congresso, o PCP alertava para os perigos da bolha especulativa do imobiliário. Em jeito de prever e prevenir a situação actual escrevia-se, «No mercado imobiliário, cujos preços têm vindo a subir a níveis demasiado elevados, subsistem riscos de um ajustamento abrupto com consequências de expressão mundial.» Na altura quase ninguém leu. E os que leram comentaram: “lá estão eles com a conversa catastrofista do costume”.

Passados três anos desta previsão/prevenção dos comunistas portugueses, no verão de 2007, a crise do chamado subprime rebentava em todo o seu esplendor nos EUA. Logo de seguida estendeu-se a Inglaterra e ao resto do globo. Os mercados financeiros foram apanhados de surpresa.
Os analistas económicos, prisioneiros das cartilhas neo-liberais, foram incapazes de a prever. Como incapazes foram de analisar o seu desenrolar. A maioria subestimou os seus efeitos devastadores. Outros procuraram, e conseguiram, esconder as suas causas, mas sobretudo as consequências. Nunca a censura (não há outro termo) na imprensa económica especializada (e não só), foi tão forte como nestes últimos nove meses. Ficará certamente para a história da comunicação social.
Subida dos juros. Falência das famílias. Casas penhoradas e famílias inteiras a viverem literalmente na rua. Cortejo de misérias. Bancos a anunciarem prejuízos de milhões e dezenas de milhões de euros. Reserva Federal dos EUA pela 1ª vez na sua história a abrir portas num domingo para permitir a compra de um banco por outro por tuta-e-meia. Títulos da dívida do tesouro americano, na posse da China e do Japão, a desvalorizarem-se a olhos vistos. A massa monetária em circulação no nosso planeta a ser quase 10 vezes superior ao PIB Mundial.
E, sobretudo, a injecção pelos grandes bancos centrais (Reserva Federal americana, Banco Central Europeu, Banco de Inglaterra, Banco do Japão) de centenas e centenas de milhões no sistema financeiro. Com o único objectivo de manter a economia de casino e a especulação a funcionarem. Sem pedir contas aos Conselhos de Administração dos bancos, todos eles actores principais desta crise financeira sem precedentes desde 1929.
Mil milhões de milhões de dólares diz o Fundo Monetário Internacional (FMI). Escreve-se 1 000 000 000 000. É um 1 seguido de doze zeros. Quase 5 vezes o PIB de um país como Portugal. Ou 3 apartamentos com 150 metros quadrados de área cheios de notas de 500€ até ao tecto.
Dava e sobrava para acabar com a fome e a pobreza em todo o mundo. E para erradicar de vez com doenças como a malária, a poliomielite, a varíola, ou a cólera.
E só a semana passada os governos dos países mais ricos, o chamado G7, se vieram armar em fortes, «exigindo» contas aos banqueiros. Mas só daqui a 100 dias. Isto depois de terem estado 9 meses a assobiar para o lado a ver em que é que paravam as modas.
A educação e o decoro impedem-me de escrever o que penso…

           

In "Jornal do Centro" - Edição de 18 de Abril de 2008

                       

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publicado por António Vilarigues às 00:02
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Terça-feira, 25 de Março de 2008

Luta de classes nos conceitos

    Anda pela blogosfera uma luta de classes acesa no que aos conceitos diz respeito. Mas não é de agora. Já vem de longe, de muito longe. Tem mais de 160 anos. Está na matriz da ideologia dominante. Expressa-se em conceitos veiculados através de decénios na comunicação social escrita, na rádio, na televisão.
O detentor do capital tem quem estude, analise, desenvolva, proponha e execute as suas políticas. Desde logo os governos, os partidos políticos,
as associações patronais, as universidades, o sector financeiro, o sector produtivo. Mas também jornalistas, comentadores, analistas, assessores, consultores e mais recentemente os chamados think tanks (em inglês é mais intelectual, é mais in).  Tudo «intelectuais de topo», pagos a peso de ouro em alguns (muitos) casos.
Já o trabalho tem os seus partidos políticos, os sindicatos, as suas associações de diverso tipo. E tem os «que não têm nada para fazer», os «que se exprimem por chavões ou cassetes», enfim os dirigente sindicais, os sindicalistas, os dirigentes partidários. Tem os seus partidos políticos, os sindicatos, as suas associações de diverso tipo. E quem nelas estude, analise, desenvolva, proponha e execute as suas políticas.

O que é curioso, ou nem por isso, é se algum  paladino do capital transpõe a fronteira para o lado do trabalho, passa logo de bestial a besta. De competente a incompetente. De trabalhador exemplar a calão e preguiçoso.

Mas se algum defensor do trabalho faz o seu caminho em direcção ao capital logo se cantam loas e hossanas à sua lucidez. De besta transmuta-se, milagre dos milagres, em bestial. Os «chavões e cassetes», por obra e graça do Espírito Santo, metamorfoseiam-se em pensamentos criativos e profundos.

Querem um exemplo? Imaginem o que sucederia se o doutorado secretário-geral da CGTP-IN se transferisse com armas e bagagens para a CIP?

                                  

Depois venham dizer que a luta de classes não existe...

                                                                                                                   

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publicado por António Vilarigues às 16:04
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Segunda-feira, 24 de Março de 2008

O PAÍS QUE BUSH HERDOU, O PAÍS QUE DEIXA ATRÁS DE SI

 

 

Documento recebido de um amigo português a residir nos EUA, em Março de 2008
Fonte ECONOMIA EM 20 DE JANEIRO DE 2001 HOJE, DEPOIS DE BUSH
1 Crescimento do PIB 4,09 % nos últimos 8 anos 2,65 % nos últimos 7 anos
2 Dívida Externa 5,7 milhões de milhões de dólares 9,2 milhões de milhões de dólares
3 Défices no Orçamento 431 milhares de milhões de dólares 734 milhares de milhões de dólares
4 Novos empregos no sector privado 1,76 milhões por ano, nos últimos 8 369 mil por ano, nos últimos 7
5 Americanos abaixo do nível de pobreza 31,6 milhões 36,5 milhões
Fonte QUALIDADE DE VIDA EM 20 DE JANEIRO DE 2001 HOJE, DEPOIS DE BUSH
6 Americanos sem seguro de saúde 38 milhões 47 milhões
6 Alteração do nível de seguro 4,5 milhões menos em 2 anos 8,5 milhões mais em 6 anos
7 Custo do prémio anual total 6.230 dólares / família 12.106 dólares / família
8 Receita familiar média 49.163 dólares 48.023 dólares
8 Alteração da receita familiar 6.000 dólares de aumento, nos últ. 8 1.100 dólares de redução, nos últimos 6
9 Preço da gasolina 1,39 dólares por galão 3,07 dólares por galão
10 Custo da universidade 3.164 dólares por ano 5.192 dólares por ano
11 Taxa de poupança individual  + 2,3 %  - 0,5 %
12 Dívida no consumo a crédito 7,65 milhões de milhões de dólares 12,8 milhões de milhões de dólares
Fonte OS EUA E O MUNDO EM 20 DE JANEIRO DE 2001 HOJE, DEPOIS DE BUSH
13 Défice domercial americano 380 milhares de milhões de dólares 759 milhares de milhões de dólares
14 Força do Dólar 1,07 Euros por Dólar 0,68 Euros por Dólar
15 Prontidão de resposta militar Todas as Divisões classificadas ao mais alto nível Nenhuma Divisão ou Brigada de Reserva preparada
16 Dependência do petróleo importado 52,75 % 60,38 %
17 Opinião ácerca dos EUA (10 países) 58,3 % favorável 39,2 % favorável
17 Idem no Reino Unido 83 % favorável 56 % favorável
17 Idem na Indonésia 75 % favorável 30 % favorável
17 Idem na Turquia 52 % favorável 12 % favorável
17 Idem na Alemanha 78 % favorável 37 % favorável
FONTES
1 Bureau of Economic Analysis
2 Department of Treasury
3 Congressional Budget Office
4 Bureau of Labor Statistics
5 United States Census Bureau
6 United States Census Bureau
7 Kaiser Study of Employer Health Care Benefits
8 United States Census Bureau
9 Energy Information Administration
10 Higher Education Coordinating Board of Washington State
11 Bureau of Economic Analysis
12 Insurance Information Institute
13 United States Census Bureau
14 OANDA.com: The Currency Website
15 Speaker of the House Fact Sheet, 11/29/07
16 Energy Information Administration
17 Testimony of Andrew Kohut, President of Pew Research Center, 3/17/07  

            

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publicado por António Vilarigues às 16:11
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Domingo, 6 de Janeiro de 2008

Quem me explica - os Neo-liberais?

    Crise do imobiliário nos EUA:

  • Quem me explica como ainda hoje alguns ditos neo-liberais defendem a velha tese liberal de que a economia e a sociedade, se deixadas a si próprias, confiadas à mão invisível ou às leis naturais do mercado, proporcionam a todos os indivíduos, em condições de liberdade igual para todos (a igualdade perante a lei), as melhores condições de vida, para além do justo e do injusto (pondo-se fim à história, como ironizou Karl Marx em comentário a Ricardo)?

  • Quem me explica porque na actual crise do sistema financeiro mundial, acelerada pela crise do imobiliário, não defenderam as «suas» leis do mercado segundo as quais se uma empresa não dispõe de fundos, entra em falência?
  • Quem me explica porque não defenderam a «sua» doutrina segundo a qual se uma empresa não é rentável, deve-se permitir que ela feche e, desta forma, toda a economia será mais "ágil e automática"?
  • Quem me explica porque não defenderam a «sua» tese de que o Estado não deve gastar o dinheiro dos contribuintes para ajudar empresas em dificuldades? 
  • Quem me explica porque, pelo contrário, defenderam a injecção nos mercados financeiros de centenas de milhares de milhões de euros pelo BCE, a Reserva Federal, o Banco do Japão e o Banco de Inglaterra para salvar os donos dos bancos e das sociedades financeiras?
                                     
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publicado por António Vilarigues às 08:37
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