Terça-feira, 14 de Abril de 2015

A acção anti-comunista e de promoção do fascismo na Ucrânia

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O PCP condena firmemente a aprovação pelo Parlamento ucraniano, no passado dia 9 de Abril, de uma lei que visa condicionar e, mesmo impedir a actividade do Partido Comunista da Ucrânia, assim como de outras forças democráticas – lei que não pode deixar de merecer o repúdio de todos os democratas e anti-fascistas.

Trata-se de um novo e gravíssimo passo na escalada anti-comunista, que é acompanhado pela recuperação e promoção do fascismo na Ucrânia, como testemunha a decisão do Parlamento ucraniano de, no mesmo momento, ter reconhecido os membros da denominada Organização de Nacionalistas Ucranianos-Exército Rebelde Ucraniano – colaboradores das SS nazis durante a Segunda Guerra Mundial e responsáveis por inúmeras atrocidades cometidas contra as populações da URSS e da Polónia –, atribuindo aos seus veteranos regalias sociais.

Quando se comemora no próximo dia 9 de Maio o 70º aniversário da Vitória sobre o nazi-fascismo, as ultrajantes decisões do Parlamento ucraniano representam um insulto à memória dos milhões de comunistas que com outros democratas e anti-fascistas – em que se incluem vários milhões de ucranianos – deram as suas vidas para libertar o mundo da barbárie nazi-fascista, assim como uma tentativa de ocultar o papel determinante da União Soviética nesta Vitória.

PCP denuncia e rejeita a ignóbil tentativa de equiparar o comunismo com o nazi-fascismo, através da qual se procura branquear a natureza exploradora, opressora e brutal do nazi-fascismo e esconder o papel dos comunistas na luta pela liberdade, pela democracia, pela emancipação social e nacional, pela construção de uma sociedade mais justa, livre da exploração do homem pelo homem.

PCP salienta que a decisão do Parlamento ucraniano se insere na campanha de repressão política e anti-democrática desencadeada com o golpe de Estado de Fevereiro de 2014, em Kiev, que foi fomentado e apoiado pelos EUA, a UE e a NATO.

PCP recorda que as forças golpistas – que integram organizações que reivindicam abertamente a herança nazi-fascista – são responsáveis pela violação de direitos, liberdades e garantias e por brutais actos de violência, de que são exemplo a chacina perpetrada a 2 de Maio de 2014 na Casa dos Sindicatos, em Odessa, e a guerra desencadeada contra as populações da região do Donbass.

PCP repudia os actos de perseguição e de violência – incluindo agressões físicas e assassinatos – contra os comunistas e outros democratas e anti-fascistas ucranianos e denuncia as inaceitáveis tentativas de criminalizar a ideologia comunista e de ilegalização do Partido Comunista da Ucrânia e de outras forças democráticas na Ucrânia.

PCP considera que o Governo português – de um país que sofreu 48 anos de ditadura fascista – não pode deixar de condenar esta medida do Parlamento ucraniano.

Alertando para o carácter anti-comunista e anti-democrático da decisão do Parlamento ucraniano – que visa não só os comunistas, mas igualmente todos os democratas que resistem e se erguem em defesa dos seus direitos e contra a opressão e a ameaça neofascista dos oligarcas e do grande capital na Ucrânia –, o PCP apela à solidariedade com o Partido Comunista da Ucrânia e as forças democráticas e anti-fascistas ucranianas.

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publicado por António Vilarigues às 09:03
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Domingo, 28 de Dezembro de 2008

Golodomor: A cortina de fumo do regime*

    As perdas demográficas na Ucrânia dos nossos dias ultrapassam várias vezes a mortalidade causada pela fome de 1932-1933, mas sobre isto o governo cala-se. Porquê? A resposta a esta pergunta foi-nos dada por reputados cientistas ucranianos no decorrer de uma «mesa redonda» promovida pelo Partido Comunista da Ucrânia.

Abrindo a «mesa redonda», o secretário do CC do PCU, Gueorgui Vladímirovitch Buíko, salientou: «O que está em causa não é o facto em si da fome, o qual ninguém nega, mas apenas a sua interpretação como genocídio». Gueorgui Vladímirovitch observou que «apesar de a palavra golodomor ter a mesma raiz da palavra golog [fome em ucraniano], o conteúdo de ambas é substancialmente distinto. Golodomor [com frequência nos meios ocidentais é utilizada a expressão holodomor devido à sua maior semelhança com a palavra holocausto (N.T)], não significa apenas uma fome grande, mas é uma concepção ideológica que age sobre a consciência de massas, mais precisamente é um extermínio consciente do povo ucraniano através da fome. E por isso é conveniente começar por ver a partir do quê, onde e como foi engendrado o conceito de golodomor-genocídio».

Um projecto especial de Harvard

Sobre as origens do termo golodomor, Gueorgui Tkatchenko referiu que «este conceito surgiu como parte integrante de um projecto especial da Universidade de Harvard que foi utilizado para diversões informativo-psicológicas contra a URSS. Alguns investigadores atribuem a autoria do termo golodomor ao americano James Meiss. Apesar de os seus trabalhos não serem considerados nos meios científicos americanos, os artífices da guerra-fria repararam nele e obteve um lugar de professor na Universidade de Harvard. Todavia, na opinião da maioria dos investigadores, os verdadeiros autores da troca de conceitos foram os nacionalistas ucranianos dos meios da emigração da Galícia [região actualmente no Sul da Polónia, situada a Oeste da Ucrânia]. Nomeadamente, um tal Dmitro Solovei, que em 1944 fugiu da Ucrânia com os alemães. Depois de trocar os patrões alemães pelos americanos, consegue publicar em 1953 nos EUA o livro A Fome na Ucrânia, no qual garante que a fome foi um instrumento de extermínio dos ucranianos. Mais tarde, o tema da “fome-genocídio” foi desenvolvido pelo diplomata e espião britânico Robert Conquest. Pelo seu livro The Harvest of Sorrow, [A Colheita da Dor (1986)], recebeu honorários dos nacionalistas ucranianos. Cientistas ocidentais que analisaram este livro demonstraram que o autor utilizou materiais das crónicas da I Guerra Mundial e fotografias da fome que atingiu a região de Povoljia [Bacia do Volga no Sul da Rússia] em 1921

Sobre a alegada negação da fome do início dos anos 30 pelo PCU, Gueorgui Buíko considerou tal afirmação mais do que estranha e citou uma nota redigida por Gueorgui Kriutchkov, deputado do povo eleito em legislaturas anteriores, na qual se recorda que «ainda em 1990, o Politburo do CC do PCU aprovou uma resolução sobre a fome, decidindo a publicação de materiais de arquivo sobre este assunto. A apreciação política contida neste documento assinala que a fome de 1932-1933 constituiu uma tragédia para o povo ucraniano. Para além disso, foram condenados os actos ilegítimos e abusos cometidos no decurso da colectivização. É interessante verificar que se diz praticamente o mesmo na resolução da Conferência Geral da UNESCO de 2007

Os imigrantes e a ajuda

Existe também muita especulação em torno do número de vítimas da fome. Evocam-se números incríveis e veicula-se um facto «mortífero»: a colheita de 1933 foi feita por imigrantes vindos da Rússia e da Bielorrússia. Aparentemente até existe um decreto que o comprova. «Efectivamente, tal decreto existe», afirmou o professor Vitáli Khartchenko, chefe de redacção da revista Kommunist. «Mas só foi aprovado em 31 de Agosto [de 1933] e aplicado em Novembro quando a colheita já tinha terminado». E quantos imigrantes vieram? «Existem nos arquivos dados absolutamente exactos: 117 mil pessoas. Ora, é evidente que um tal número de pessoas não poderia suprir perdas de “muitos milhões».

De acordo com Vitáli Khartchenko, «uma das razões da tragédia de 1932-33 na Ucrânia foi a muito má colheita no Povoljie, Sibéria Ocidental e em algumas outras regiões da Federação Russa em 1931. A estas regiões foi prestada ajuda no fornecimento de sementes como determinou uma resolução do CC do PCU(b) [Partido Comunista de Toda a União (bolchevique)]. Uma vez que se considerou que o ano tinha sido relativamente bom na Ucrânia, esta república não recebeu este tipo de ajuda. Para além disso, nas condições da industrialização acelerada, foi estabelecido um plano de aprovisionamento de pão muito exigente. Contudo, se não tivesse havido a fome de 1931 na Rússia e uma brusca queda dos preços dos cereais nos mercados internacionais (o que obrigou a aumentar as exportações de cereais), o mais certo é que teria sido evitado um tão trágico desenvolvimento dos acontecimentos

«Na revista Kommunist foram publicadas todas as resoluções do CC do PCU(b) respeitantes à Ucrânia. Desde 1932, a Ucrânia recebeu ajuda permanente: sementes, víveres e rações. Da mesma forma, o plano de aprovisionamento de cereais foi reduzido em 200 milhões de puds [antiga medida russa equivalente a 16,3 kg], em comparação com 1931. Posteriormente, por ordem de Stáline, baixaram mais 40 milhões e, mais tarde, ainda mais em 70 milhões.»

Goebbels e os SBU

Vitáli Khartchenko chamou ainda a atenção para o facto de que «até alguns adeptos da histeria iniciada pelo actual presidente da Ucrânia começaram a evitar a palavra genocídio. Isto apenas testemunha a fragilidade das suas posições.»  

Um interessante exemplo, que refuta o carácter planeado da fome, foi dado pelo responsável pelo departamento de ideologia do CC do PCU, Vladimir Pustoboitov: «Ao longo da guerra a Alemanha de Hitler praticamente não utilizou o tema do “terror pela fome”, do qual, dir-se-ia, poderia ter tirado proveito em termos propagandísticos. Todavia, eles conheciam as informações autênticas sobre o assunto. O consulado da Alemanha na Ucrânia preparou nesses anos relatórios escritos para o Ministério dos Negócios Estrangeiros. Estes documentos estão publicados. O que neles se diz é que o governo soviético não calculou bem os seus recursos. Nunca é sequer referida a possibilidade de uma fome planeada. Estes documentos eram conhecidos nos serviços de Goebbels e após a sua análise desistiram do assunto.»    Os participantes na «mesa redonda» recordaram ainda as exposições sobre o golodomor, realizadas regularmente pelos Serviços de Segurança da Ucrânia (SBU), onde praticamente todas as fotografias se referem à fome de 1921 na região do Povoljie. Para além disso, o reitor da Universidade Popular Judaica, Aleksandr Naiman, acusou os SBU de anti-semitismo. Apresentou como prova a lista elaborada pelo SBU dos colaboradores do NKVD-GPU [Comissariado dos Assuntos Internos-Direcção Política Estatal da URSS] alegadamente implicados na organização do golodomor. Nesta lista, referiu, «figuram pessoas que nunca poderiam ter sido “organizadores” do golodomor, desde responsáveis dos departamentos de transportes e de estatística ao representante da Crimeia, que nessa altura não fazia parte da Ucrânia. Mas o principal é a selecção cuidadosa dos nomes, quase todos russos e judeus. Acresce que, em relação a estes últimos, fizeram questão de colocar entre parêntesis os seus verdadeiros apelidos nos casos em que a sua origem judaica não era perceptível através dos nomes que haviam adoptado.»   

 

Aleksandr Haiman recordou que «na altura do “Caso dos Médicos” e da luta contra os “cosmopolitas apátridas”, em alguns jornais soviéticos apareceram decifrações semelhantes dos apelidos de pessoas sob investigação. Stáline disse então que “isto tresanda a anti-semitismo”. Hoje os SBU não só tresandam como estão impregnados dessa essência.»


Cobrindo as pistas do crime

Qual é a razão desta acção concertada e sistemática para inculcar na consciência de massas a noção de golodomor-genocídio? O politólogo Viktor Pirojenko assinalou que «as maiores perdas humanas provocadas pela fome ocorreram na população da Ucrânia Ocidental, que está hoje orientada para a amizade com a Rússia. Por isso, este conceito é utilizado antes de mais para desacreditar o passado comum russo-ucraniano e visa associar a Rússia à imagem do inimigo.»      

Além disso, o poder tenta assim cobrir as pistas dos seus próprios crimes contra o povo. A este propósito o professor Mikhail Rodionov observou que «as perdas demográficas da actual Ucrânia ultrapassam largamente a mortalidade nos anos da fome. A população da Ucrânia diminui sistemática e constantemente. Em algumas regiões do Leste do país a população diminuiu 20 por cento. Estamos em presença de uma política orientada para o extermínio dos seus próprios cidadãos. Procurando adiar o momento em que, mais tarde ou mais cedo, terá de responder pelo genocídio real e não mítico, o regime cria uma cortina de fumo sob a forma de golodomor-genocídio

(sublinhados meus)


*Publicado em Rabotchaia Gazeta, n.º 215, de 21 de Novembro de 2008
Original russo disponível
AQUI
Tradução portuguesa: Redacção do Avante!


In jornal "Avante!" - Edição de 24 de Dezembro de 2008

                 

 

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