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O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Os apoios de Hillary Clinton

Hillary Clinton_caricatura

Desenho de Fernando Campos (o sítio dos desenhos)

 

A candidata democrata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, foi executiva de uma empresa [o gigante industrial francês Lafarge ] que financiou o denominado «Estado Islâmico».

A companhia, a cujo conselho de administração a candidata pertenceu entre 1990 e 1992, é dadora financeira habitual da Fundação Clinton.

 

White_house_south.jpg

«Nem mesmo a revelação de que o Comité Nacional do Partido Democrata (PD) sabotou a campanha de Bernie Sanders fez o senador do Vermont retirar o apoio político que, no dia 12, entregara a Hillary Clinton.

Se já todos sabíamos que as primárias democráticas foram tudo menos democráticas, a fuga de mais de dez mil emails da Comissão Nacional, prontamente atribuída por Hillary à Rússia, veio revelar os requintes anti-semitas e fundamentalistas com que a direcção daquele partido procurou denunciar as raízes judaicas de Sanders ou, pior ainda, expor o seu alegado ateísmo.

«Para a minha malta baptista no Sul há uma grande diferença entre um judeu e um ateu», pode ler-se num email divulgado pela Wikileaks em que Brad Marshall, chefe das finanças do PD, pondera a estratégia de ataque a Sanders na comunicação social.»

 

 «Nos EUA cresce um sentimento de desconforto e revolta com a evolução do capitalismo.

Não é ainda uma resistência ao próprio capitalismo e, nesse sentido, deixa espaço para nostalgias utópicas de regresso a um outro capitalismo, que surgem à «esquerda» e à «direita».»

 

Publicado neste blog:

Da economia em Portugal ao estado do Estado de Minnesota

1. Agora Obama é o Presidente dos EUA e os problemas que enfrenta não se resolvem com discursos e disputas eleitorais. Aqui, como aí, e, talvez, um pouco por todo o mundo, no entanto, não se vai ao fundo das questões. Tem mais interesse falar da morte de um artista que deixou de o ser há muito, de um acidente de avião que não deveria ter sido autorizado a levantar voo, de um governador (Carolina do Sul) e sua amante, da última vitória futebolística do Brasil, do custo do Cristiano Ronaldo, ou das coisas do tempo, porque, como se sabe, chove na época das chuvas e faz calor nos tempos de haver sol até fartar...

2. Para que não pensem que a situação é apenas grave nesse rectângulo à beira mar plantado, aproveito para vos dizer que, finalmente, se sabe quem ganhou as eleições para Senador de Minnesota. Poderão pensar que nada tem a ver uma coisa com a outra. Mas, na minha modesta opinião, tem mesmo muito a ver... com o estado em que se faz política e, portanto, em que se enfrentam os problema reais que atingem as pessoas reais, como nós.

3. As eleições foram em 4 de Novembro do ano passado, lembram-se? No dia em que houve eleições para Presidente dos EUA, em que concorreram dezenas de candidatos mas em que só se falava do Obama, do McCain e da Sara Pallin... Nessa mesma data houve eleições várias e diversos referendos...

4. Passaram-se 9 meses!!!!!!!!!!!!!! Contaram-se e recontaram-se 3 milhões de voto. Apresentaram-se recursos, reclamações, razões e desrazões,... Tudo porquê? Porque, se se confirmasse a vitória do candidato do Partido Democrático, este passaria a ter 60 dos 100 Senadores e, portanto, a maioria qualificada necessária para poder votar sem problemas (há votações que, no Senado, exigem esse número de votos). Tudo isto provocado pelo Partido perdedor (o Republicano) e o seu derrotado candidato que, entretanto, porque já era Senador, continuou a ocupar o seu cargo e a recusar levantar o seu republicano assento da cadeira do poder em que se havia instalado!!!!!!!!!!!!

5. Imagine-se que isto se passava (se fosse possível) em Portugal!...

6. Não são necessários comentários. Ouça-se Medina Carreira e imagine-se o que vai por esse mundo fora. Aqui, na capital do império em derrocada, a situação é bem pior: maior a nau, maior a tormenta.

adaptado de um e-mail enviado pelo Fernando

If We Leave Now...

                                                                                                            

                                                                                                   

EUA: Numa sala de espera de um hospital

     Caros amigos,

Podia falar-vos do General que disse que ter-se sido prisioneiro na guerra do Vietnam não significa que se possa ser um bom Presidente. Disse o óbvio e foi criticado!...
Podia referir o discurso de Obama de ontem sobre patriotismo ou o de hoje sobre fé. Como está a atingir o tradicional eleitorado do Partido Republicano...
Podia sublinhar os custos crescentes com gasolina, os aumentos de preços dos produtos alimentares, os empréstimos que as pessoas não podem pagar, o desemprego, os crimes diários...
...
Mas, hoje, dia 1 de Julho de um ano do século XXI, todos vimos nas televisões a cena que se passou numa sala de espera de um hospital.
No país em que, diz-se, há os melhores cuidados de saúde.
Uma mulher cai da cadeira e fica no chão a estrebuchar.
No canto da sala há uma câmara que filma.
Uma hora.
Ninguém lhe mexe.
E a câmara continua.
Ninguém se incomoda.
E a câmara, sempre a mesma, regista.
Ninguém se preocupa.
Só a câmara parece perceber.
Há outros doentes na sala de espera.
E nada fazem.
Há guardas (vê-se, pelo menos um, através da incansável câmara).
Que nada fazem.
E a câmara continua a filmar.
A mulher estendida no chão, entre duas cadeiras.
Uma hora.
E nada acontece.
A não ser a morte desta doente.
Que tinha ido ao hospital para tentar sobreviver.
...
Podia falar-vos dos sorrisos dos candidatos, das propostas dos candidatos, dos disparates dos candidatos...
Podia referir como são parciais os imparciais comentadores televisivos...
Podia dizer-vos que, por cada hora de tv, há mais de meia hora de publicidade...
...
Mas hoje não é possível.
Estou aqui sentado perante mim próprio e o computador que me acompanha e não consigo escrever sobre essas coisas.
Nem os crimes e os presos e os polícias e alguns ladrões me levam a colocar pontos nos is.
Porque a imagem que a câmara nos obriga a ver continua viva e presente, inesquecível.
Uma pobre máquina colocada ali por outras razões.
Testemunha de acusação do ser humano a que pertenço.
Dedo acusador a cada um dos que ali estava.
Denúncia silenciosa e fria dos guardas, dos enfermeiros, dos médicos. 
Todos tinham, certamente, outras coisas importantes para fazer.
Uma mulher estendida no chão, de barriga para baixo, uma hora.
Quando a foram ajudar estava morta.
...
Podia enviar-vos fotografias de manifes, de cartazes, de promessas...
Podia partilhar dúvidas e ansiedades...
Podia gritar, ao menos, que estou vivo, porque vejo e leio e ouço e tento aprender...
...
Mas hoje só é possível este lamento.
Esta infinita tristeza de ser pessoa.
Como as pessoas vivas que a câmara, ininterruptamente, filmou.
A olharem para a pessoa que morria.
...
Não consigo outra coisa que não seja enviar-vos estas frases.
Esta revolta que vem dos meus tempos de menino.
Quando vi, numa rua de Moçâmedes, um cipaio (polícia preto) a chicotear um preto e a traçar-lhe as costas com traços de sangue que não esqueço.
Esta revolta que vem dos meus tempos de adolescente.
Quando, no Liceu Camões, se era castigado por se correr.
Esta revolta que vem dos meus tempos de juventude.
Quando comecei a perceber, no Técnico, que não havia liberdade.
Esta revolta que vem dos meus tempos de maturidade.
Quando, em Caxias, senti todos os medos do mundo.
...
A revolta perante o silêncio dos que não querem ver, ou ler, ou ouvir, ou aprender.
Custa-me ouvir as vozes do passado.
Mas o que custa mais é assistir à passividade dos que não compreendem que o futuro é também deles.
Os silêncios das maiorias sempre foram o maior suporte das violências das minorias.
Não havia câmaras.
Apenas a memória dos que sofreram.
...
Hoje, dia 1 de Julho, havia uma câmara.
A única coisa viva naquela sala.
Onde o cheiro a morte irá permanecer.
...
Um abraço para todos.
Boa noite e boa sorte.
                        
Fernando

                                    

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