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O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

O CASTENDO

TERRAS DE PENALVA ONDE «A LIBERDADE É A COMPREENSÃO DA NECESSIDADE»

Algumas notas sobre «AVANTE que eu quero posso e mando»

Festa Avante 2020_4.jpg

Foi publicado no jornal mensal de Penalva do Castelo «O Penalvense», edição de Setembro, um artigo de opinião de Michael Batista com o título «AVANTE que eu quero posso e mando».

Com todo o respeito pelas opiniões do autor gostaria de corrigir algumas inverdades.

Sobre o cancelamento de diversos eventos

Quando o PCP já deu provas que consegue organizar iniciativas em segurança, outros escolheram, e escolhem, não o fazer, mesmo podendo fazê-lo. O diploma milhares de vezes invocado quanto à proibição de festivais de Verão, e eventos semelhantes, (https://dre.pt/application/conteudo/134762426) diz, claramente, que estes se podem realizar desde que cumpridas as regras sanitárias em articulação com a DGS.

Não há qualquer excepção para o PCP, além do mais, porque a actividade política não está suspensa.

Festa Avante 2020.jpg

Sobre a prática de bons exemplos

Quando alguns têm direito a fazer festas na Quinta do Lago ou na Comporta, os trabalhadores são empurrados para transportes lotados para ir trabalhar, mas apenas para trabalhar.

A Festa do «Avante!» foi a prova de que é possível garantir a segurança e protecção no plano da saúde e simultaneamente fruir a vida, exercer direitos, dar espaço à cultura e à solidariedade.

A alegria de viver, o direito à cultura, ao debate e à intervenção política, o convívio entre gerações, não são descartáveis. Fazem parte da vida. Amputar esses e outros direitos, seja a pretexto do vírus ou de outro qualquer, é limitar o desenvolvimento integral a que todos os seres humanos têm direito, é aumentar a exploração, é limitar a vida democrática.

É crescente o reconhecimento da valiosa contribuição dada pela realização da Festa do «Avante!» para, adoptando as medidas necessárias de protecção sanitária, resgatar a confiança e a alegria, o direito à cultura e à fruição da vida.

A realização da Festa do «Avante!», com responsabilidade, coragem, segurança, alegria, combatividade e criatividade, é a demonstração prática de que é possível combater o medo e o conformismo, dar esperança e confiança na luta pelo futuro.

Festa Avante 2020_2.png

Clicar na imagem para visualizar a ligação

Sobre a igualdade de direitos num estado democrático

Neste aspecto Michael Batista tem razão! Mas não pelas razões que aponta.

A Festa do «Avante!» teve direito de, até hoje, ser o único evento a ter o seu Plano de Contigência publicado, quando a lei o não obriga.Tudo graças à intervenção do supremo magistrado da nação, Marcelo Rebelo de Sousa (MRS) na base de uma ... «percepção».

Como bem escreveu a jornalista Anabela Fino, «MRS começou por dizer que só falaria do assunto após serem conhecidos os critérios definidos pela DGS para a realização da Festa. Voltou ao tema para criticar o pretenso atraso na divulgação dos ditos critérios. Repisou na questão mais duas ou três vezes para manifestar desacordo com o PCP e a DGS devido a.... uma percepção!

Disse o primeiro magistrado da nação, referindo-se a uma iniciativa política – porque é isso que a Festa do «Avante!» é na sua essência – que o problema da sua realização não estava no facto de estar «bem organizada ou mal organizada», mas sim na percepção que «uma parte da opinião pública tem em relação ao acontecimento».»

É caso para dizer que MRS parece ter regressado aos seus tempos de jornalista do «Expresso» quando se gabava de todas as semanas criar nas páginas deste semanário um «facto político».

Acresce que não podemos deixar de assinalar que o Parecer da DGS continha em vários domínios graus de exigência maiores relativamente à Festa do que tem estabelecido para outras iniciativas. Particularmente na capacidade e lotação de recintos e espaços fixados, que contrastam seja com os espectáculos que se estão a realizar no País, seja com as feiras do livro de Lisboa e no Porto, seja com outras iniciativas.

No seu conteúdo, o Parecer traduzia a tomada de conhecimento que na Festa do «Avante!» estavam preenchidas condições de segurança iguais ou superiores àquelas que se dispõem na frequência das praias, nos numerosos espectáculos e festivais que se realizam pelo País ou simplesmente nas idas a centros comerciais. Num quadro em que a garantia de protecção sanitária deve respeitar simultaneamente os direitos, liberdades e garantias constitucionalmente consagradas.

Festa Avante 2020_3.jpg

Concluindo

É curioso que, tendo este artigo sido escrito depois da realização da Festa, não haja uma linha sobre o cumprimento das regras sanitárias.

O que parece demonstrar que, tal como o PCP inúmeras vezes afirmou, a preocupação central dos que se opuseram à realização da Festa do «Avante!» nunca foi a pandemia. Mas sim o facto de a maior iniciativa política e cultural que todos os anos se realiza em Portugal ser organizada pelo Partido Comunista Português.

A Festa terminou. Dezasseis dias depois não há qualquer caso de Covid-19 reportado com ligação à Festa do «Avante!» (nem às Feiras do Livro de Lisboa e Porto). Como não houve durante os 80 dias que durou a sua construção.

A Festa do  «Avante!» – festa dos trabalhadores e do povo, da democracia, da juventude, da cultura, da paz e da solidariedade internacionalista, festa de Abril - regressa para o ano na sua 45.ª edição nos dias 3, 4 e 5 de Setembro de 2021, ano em que se assinala o centenário do PCP.

Festa do «Avante!» 2020

Festa Avante 2020_1.jpg

 

Ide ver

A vandalização do monumento ao Padre António Vieira

Padre António Vieira_caricatura.jpg

Desenho de Fernando Campos (o sítio dos desenhos)

 

Gostava de ter escrito ISTO

A notícia da vandalização da estátua do padre António Vieira, em Lisboa, só pode ter sido ditada por três razões: ignorância, provocação, ou ambas.

Quem, fosse por mimetismo ou por cálculo, achou que Lisboa não podia ficar à margem da onda de derrube de estátuas que grassa nos dois lados do Atlântico, não encontrou melhor alvo do que António Vieira, logo ele, que há mais de 400 anos antecipou, no humanismo do seu discurso, muitas das exigências que hoje estão na ordem do dia.

Conspurcar com o termo «descolonização» a estátua de um homem que em pleno século XVII, muito antes da Revolução Francesa e das consignas «liberdade, igualdade e fraternidade», denunciou na corte portuguesa a brutalidade com que os ameríndios e os escravos negros eram (mal)tratados no Brasil, exigindo que fossem tratados como seres humanos e não como animais de carga, é no mínimo bizarro, para não dizer mesmo idiotice.

Escolher como alvo de alegada luta contra o racismo o homem que se orgulhava do tom escuro da sua pele, herdado de uma avó de origem africana, e que passou a maior parte dos seus 89 anos de vida no desconforto da pobreza do Nordeste brasileiro e da Amazónia, depois de ter conhecido o luxo e o requinte das mais célebres cortes da Europa, sem desligar a evangelização da luta contra a escravatura, é no mínimo incongruente, para não dizer mesmo abstruso.

Ultrajar a memória do homem que por causa das suas ideias humanistas foi encarcerado pela Inquisição, em 1665, acusado de «proposições heréticas, temerárias, mal soantes e escandalosas», é tão descabido que cheira a provocação de ignorantes. Já agora, diga-se de passagem que o padre António Vieira chegou mesmo a ser sentenciado, dois anos depois, conforme consta no seu processo conservado na Torre do Tombo, com a privação «para sempre de voz activa e passiva e do poder de pregar», para além da reclusão e da assinatura de um termo onde se obrigava a «não tratar mais das proposições de que foi arguido, nem por palavra nem por escrito».

Rotular de colonizador semelhante personagem, que tem ainda o inconstestável mérito de ser um dos maiores escritores de língua portuguesa, seria anedótico se não fosse tão perigosamente trágico por desviar as atenções do essencial.

Para quem ainda não percebeu que forças incitam a tais actos, ficam as pertinentes palavras do próprio padre António Vieira: «Quem faz acções de Elias é Elias; quem fizer acções de Batista será Batista; e quem as fizer de Judas será Judas. Cada um é as suas acções, e não é outra coisa. Oh que grande doutrina esta para o lugar em que estamos! Quando vos perguntarem quem sois, não vades revolver o nobiliário de vossos avós, ide ver a matrícula de vossas acções. O que fazeis, isso sois, e nada mais.»

Padre António Vieira4

 

Plano de Emergência para a Saúde - 15 propostas

Reforçar o SNS, garantir o acesso à saúde

Plano Emergência SNS_1.jpg

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Clicar nas imagens para ampliar

 

Sobre estas propostas apresentadas pelo PCP a 15 de Maio e sobre o Projecto de Lei N.º 438/XIV/1.ª, entregue na Assembleia da República a 29 de Maio, a comunicação social dominante disse zero, nickes, pevia, NADA!

 

Catarina Eufémia (19 de Março de 1954)

Homenagem a Catarina Eufémia - DOMINGO, 24 MAIO, 11:00, Baleizão, Beja

Catarina Eufémia_19 Maio 1954.png

Neste dia 19 de Março, há 66 anos, Catarina Eufémia tombava, vítima da besta fascista.

Quando o assassino tenente Carrajola lhe aponta uma pistola-metralhadora e pergunta «O que queres, bruta?», Catarina responde «O que eu quero é pão para matar a fome aos meus filhos! Quero paz! Tenho fome.» A resposta soou em três tiros disparados à queima-roupa.

Corriam, na época, tempos de grandes fomes e heróicas lutas.

Catarina Eufémia ingressa no PCP com 24 anos e, pouco depois, fazendo parte do Comité Local, lidera a organização das mulheres da sua terra.

Nesses dias de Maio de 1954 havia um povo em greve por melhores jornas, mulheres e homens trabalhadores sujeitos a uma brutal dureza de vida - falta de trabalho, ou o trabalho de sol a sol, salários de miséria - e a total ausência de direitos, em que uma minoria de latifundiários tudo dominavam e concentravam a riqueza do que a terra produzia.

Catarina, mulher, mãe, lutadora, militante comunista. Hoje, como ao longo destes 66 anos, Catarina continua exemplo e orgulho para todos os lutadores, continuaremos a sua luta.

Sublinhados meus

AQUI

Homenagem a Catarina Eufémia

DOMINGO, 24 MAIO, 11:00

Baleizão, Beja

 

Participa Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral do PCP

 

As propostas que o PCP apresentou e o que defende

Novo Banco_Avt.jpg

Desde Agosto de 2014 que o PCP apresentou, relativamente a este processo, inúmeras iniciativas para a salvaguarda do interesse público:

  • integração do BES, primeiro, e do Novo Banco, depois, no sector público bancário, o que exige uma clara atitude de rejeição e enfrentamento das exigências da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu;

  • pela intervenção do PCP foi constituída a Comissão de Inquérito Parlamentar ao processo de resolução do BES e à gestão do banco, que permitiu, apesar de tal não ser evidente no relatório, apurar a responsabilidade política do governo PSD/CDS, os impactos das políticas da troika e das imposições da União Europeia e as responsabilidades do Banco de Portugal. O relatório da Comissão, contudo, tentou branquear essas responsabilidades e concentrar o fogo sobre Ricardo Salgado, o administrador que enganara tudo e todos. Só o PCP votou contra esse relatório. Os restantes partidos votaram favoravelmente;

  • avançou ainda com iniciativas para proteger o interesse público, os postos de trabalho e a viabilização de empresas importantes que antes pertenciam ao Grupo Espírito Santo;

  • o Partido propôs ainda a nacionalização da Espírito Santo Saúde e a definição do perímetro do Grupo Espírito Santo e património dos seus accionistas para a sua imobilização e utilização para fazer face às despesas com a resolução do banco e assumpção dos compromissos com os lesados do BES, rejeitadas pelo PS, PSD e CDS;

  • a criação de uma equipa composta por vários especialistas em política fiscal e direito para apurar os destinos dos fluxos de crédito que lesaram o BES foi igualmente proposta pelo PCP e rejeitada pelos mesmos partidos;

  • o PCP apresentou também uma iniciativa visando o controlo público das instituições financeiras mais relevantes, que teve o mesmo destino das anteriores;

já na presente legislatura, propôs o cancelamento da venda do Novo Banco e a sua manutenção na esfera pública, mas PS, PSD e CDS inviabilizaram-na.

Sublinhados meus

AQUI

 

Como se «vende» uma imagem mentirosa...

manipular-as-pessoas

«(...)

Em termos de comunicação, o fosso entre os dois partidos também é bem visível. O Bloco apressou-se a criar uma mensagem de vídeo diária, com Catarina Martins a apresentar as medidas do partido. Já o PCP optou por não alterar a sua comunicação, expressando as suas posições através de comunicados.

(...)»

Os negritos são do autor do texto. 

A análise fica com o autor dessa peça.

Agora, parafraseando o «boneco» Diácono Remédios, mentir é que «não havia nechechidade».

Desde o dia 13 de Março o PCP transmitiu perto de 50 vídeos e 10 (dez) audições públicas online de cerca de 90 minutos cada, com a participação de vários intervenientes, sobre temas específicos como:

a produção e soberania alimentar; a situação crítica das MPMEs; assegurar a protecção social – defender e fortalecer a Segurança Social hoje e no futuro; as repostas inadiáveis no sector da Cultura, face ao surto epidémico; no combate à epidemia, nem um direito a menos; no combate ao vírus, defender os direitos das crianças e dos pais; combate ao vírus e defesa dos direitos dos reformados, pensionistas e idosos; transporte público. Sector estratégico para garantir o direito à mobilidade e coesão territorial; reforçar o SNS. Garantir o acesso à saúde .

Por ocasião do 25 de Abril, do 1º de Maio, do 70.º aniversário do julgamento de Álvaro Cunhal, do 75.º Aniversário da Vitória sobre o Nazi-Fascismo promoveu sessões públicas online e a apresentação de vários filmes e vídeos sobre estes 4 temas durante várias horas.

Está tudo online AQUI.

Manipulação ou incompetência? Aos leitores deste blog de julgarem...

 

Adenda em 18/05/2020 às22h48m: 

O António Cotrim não é o autor do texto, mas sim e apenas da fotografia.

Pelo erro as minhas desculpas.

 

Quem vai ganhar com o naufrágio do Novo Banco?

Novo Banco_Avt.jpg

Olhando para as orientações da União Europeia, para a centralização da estrutura de supervisão, a constituição da União Bancária e a reconfiguração do sistema bancário ibérico e europeu, o movimento que rapidamente se identifica é o da aglomeração das várias instituições financeiras.

Tudo indica que o Novo Banco esteja a ser preparado, com dinheiros públicos, para a sua entrega a um mega-banco ibérico ou europeu.

O prazo para a utilização da garantia pública é de oito anos, mas nos dois primeiros o Novo Banco já consumiu cerca de metade do valor disponível. Isso significa que dentro de pouco tempo ficará limpo de créditos problemáticos e activos desvalorizados. Quando isso suceder, deixará de estar penalizado pelos «castigos» dos bancos em regime de ajuda pública e passará a ser um banco desejável, pela sua carteira de crédito, pela sua rede, pelos seus depósitos. O encaixe dessa venda, a existir, ficará nas mãos da Lone Star que, entretanto, já absorveu também uma boa parte das ajudas públicas.

A venda do Novo Banco foi uma opção criminosa.

Só a nacionalização asseguraria a minimização dos impactos negativos da queda do BES e, ao mesmo tempo, a integração de uma poderosa instituição financeira na esfera pública, assim permitindo que fosse colocada ao serviço do povo e do País, da economia nacional e da produção.

Sublinhados meus

AQUI

 

A venda contra todos os interesses do País

Novo Banco_Avt.jpg

Desde que o Novo Banco foi criado que a sua gestão, sob direcção do Banco de Portugal, foi orientada para a preparação da sua alienação.

O Novo Banco não foi valorizado nem reequilibrado. Antes foi gerido no sentido da limpeza do seu balanço com recursos públicos e na minimização da sua estrutura. Essa orientação traduz uma estratégia clara para a sua posterior integração num outro mega-banco.

A gestão foi levada a cabo no sentido de permitir uma libertação gradual de recursos públicos, sem que em nenhum momento os responsáveis políticos tenham assumido a totalidade dos custos advenientes da resolução da instituição. O Novo Banco despediu trabalhadores, diminuiu o número de postos de trabalho, encerrou dependências e balcões e alienou activos em preço de saldo.

A venda do banco, por opção do actual Governo e alinhada com as imposições da Comissão Europeia, determinou a perda de um importante instrumento de política económica e financeira e a sua integral devolução à mesma gestão que o fez colapsar: a privada.

A avaliação dos activos do Novo Banco foi levada a cabo por Felipe Botín, filho de Ana Botin: à época, ele presidia à Lone Star ibérica e ela ao Santander.

A proposta apresentada pela Lone Star foi aceite pelo Governo e pelo Banco de Portugal, implicando uma garantia pública através de um mecanismo de capitalização contingente que podia atingir os 3,9 mil milhões de euros. Tal mecanismo já foi parcialmente consumido – em cerca de dois mil milhões –, o que significa que a conta actual se situa em cerca de sete mil milhões de euros (4,9 mil milhões iniciais mais dois nesta fase, podendo acrescer até 3,98 mil milhões) [valores em Março de 2019 ].

A venda do Novo Banco demonstra, por si só, que a privatização é uma má opção financeira. A operação em si mesma é desastrosa e implica perdas para o Estado que podem fazer ascender a factura do BES/Novo Banco a 10 mil milhões de euros, sem contar com potenciais perdas futuras por responsabilidades em processos judiciais, sendo que muitos estão ainda em aberto contra o Banco de Portugal e o Estado português.

A obsessão anti-público e favorável à gestão privada independentemente dos interesses do País teve, neste processo de venda imposto pela União Europeia e aceite pelo Governo PS, um custo absurdo para o Estado. O mesmo Estado que não se permite a contar o tempo de carreira dos seus trabalhadores, entrega a grupos privados para limpeza de dívidas também privadas, milhares de milhões de euros.

Desde que os maus activos do Novo Banco foram isolados, particularmente depois da venda, que o PCP alerta para a possibilidade de estar a processar-se uma limpeza de dívida em grande escala. Ou seja, empresas como a Lone Star podem estar a servir dois lados de um mundo de corporações privadas: uma pelo lado de um futuro comprador e outra pelo lado dos ex-proprietários ou devedores do BES.

Não existem hoje nenhumas garantias de que o Novo Banco não está a alienar dívidas dos antigos devedores do BES, pagas pelo Estado, e ao mesmo tempo a limpar os activos problemáticos para entregar o Novo Banco limpo desse lastro de imparidades a um futuro comprador.

Sublinhados meus

AQUI

 

A resolução ao BES – um crime económico

Novo Banco_Avt.jpg

Desde a privatização do BES, entre 1989 e 1992, levada a cabo por Mário Soares e Cavaco Silva, que uma das mais importantes instituições financeiras ficou nas mãos de um punhado de grandes accionistas e foi colocada exclusivamente ao serviço dos interesses de grandes grupos económicos.

Até à aplicação da medida de resolução, em Agosto de 2014, o banco foi gerido como uma fonte de riqueza para esses accionistas, concedendo créditos a empresas do próprio grupo e a um vasto arquipélago de empresas sediadas em off-shores e paraísos fiscais.

A poupança de milhões de portugueses foi utilizada como riqueza própria de uma família e outros grupos económicos, particularmente o GES, detido por essa mesma família e com laços de influência espalhados pela esfera política, afectando governantes e governos de PS, PSD e CDS.

O resultado de uma política de gestão ao serviço dos interesses de um monopólio, caracterizada por uma concessão de crédito sem outro objectivo senão o da consolidação do império Espírito Santo, foi um desequilíbrio insanável nas contas do banco.

Tal desequilíbrio estava identificado pelos auditores externos, pelo menos desde 2001. No entanto, foi sendo sucessivamente ocultado pela administração do banco, pelos seus órgãos de fiscalização interna e pelos auditores externos.

O Banco de Portugal (BdP) foi, ao longo da maior parte desse tempo, um parceiro da administração do BES. Mesmo em 2014, perante a iminente catástrofe, tanto o Governador do BdP como vários responsáveis políticos – Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque, Cavaco Silva, vieram a público defender a solidez do banco.

O passivo do GES era já, no entanto, demasiado grande e acabou por ser fatal para o próprio Banco Espírito Santo, numa história já conhecida. Ao invés de ter assegurado a nomeação de uma administração, afastando Ricardo Salgado, Ricciardi e outros, o Banco de Portugal e o Governo PSD/CDS protelaram uma intervenção até ao ponto de ruptura.

Atingido esse ponto, o Banco de Portugal aplica uma medida de resolução ao banco e toma a gestão do já Novo Banco nas suas mãos.

É importante relembrar que as contas do Banco de Portugal situavam os custos de uma nacionalização plena entre os cinco e os sete mil milhões, mas que a então ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, afastou desde o início tal opção, forçando uma opção muito mais cara e alinhada com os interesses da grande banca europeia e ibérica. A aplicação da resolução e a posterior venda do banco a um qualquer outro gigante ibérico.

O actual Governo seguiu religiosamente a intenção do anterior. Dispondo de uma maioria parlamentar que permitiria o cancelamento da venda e a integração do Novo Banco na esfera pública, como propôs o PCP, o Governo optou por concretizar a venda da instituição por zero euros a um fundo obscuro, a Lone Star. Além disso, só foi possível concretizar a venda assegurando uma garantia pública até 3,9 mil milhões de euros para fazer face à desvalorização dos activos adquiridos.

Sublinhados meus

AQUI

 

Novo Banco - Se o Estado paga, o Estado deve gerir

Novo Banco_Avt.jpg

O afundamento do Banco Espírito Santo, a criação do Novo Banco, a medida de resolução e a venda ao fundo especulativo Lone Star custaram ao País, até ao momento, cerca de oito mil milhões de euros, mas a factura pode crescer.

O PCP defende desde o início do processo que o banco regresse ao controlo público, mas PS, PSD e CDS têm-no impedido.

Os actuais problemas do Novo Banco são inseparáveis das opções políticas e das responsabilidades quer do governo PSD/CDS, quer da União Europeia (EU) que, ao contrário do que defendeu o PCP, decidiram aplicar uma medida de resolução ao BES sem congelar e tomar controlo público dos bens do grupo Espírito Santo.

Ao mesmo tempo que mentiam aos portugueses sobre uma suposta inexistência de custos da resolução, PSD/CDS determinavam a nacionalização do prejuízo para proceder à limpeza do balanço do Banco e à sua posterior entrega a um qualquer grupo económico, como veio a acontecer em Outubro de 2017, quando o PS decidiu pela venda ao fundo Lone Star.

A submissão às instituições da União Europeia tem como consequência uma concentração cada vez mais acentuada da propriedade bancária e da perda de soberania nacional nos planos económico e financeiro, impedindo opções que permitam a integração do Novo Banco no sector público bancário.

Tal opção, a única que defende o interesse nacional e a estabilidade do sistema financeiro, implica um confronto com essas imposições que o PCP nunca escamoteou.

Pelo contrário, sempre o tem afirmado como imperativo patriótico.

AQUI

 

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