Quinta-feira, 6 de Julho de 2017

6 de Julho de 1871 – Morre Castro Alves

Castro Alves Av

Um dos poemas da grande obra de Pablo Neruda «Canto Geral» é dedicado ao poeta abolicionista brasileiro Castro Alves, lembrando como este soube cantar a natureza e a beleza feminina mas também fazer com que a sua voz batesse «em portas até então fechadas para que, combatendo, a liberdade entrasse».

«A tua voz uniu-se à eterna e alta voz dos homens. Cantaste bem. Cantaste como se deve cantar», escreve o poeta chileno, que assim homenageia o carácter social da poesia de Castro Alves em poemas que o popularizaram, como «O Navio Negreiro», um dos mais conhecidos da literatura brasileira, em que descreve a terrível situação dos africanos arrancados das suas terras, separados das suas famílias e tratados como animais nos navios negreiros que os levavam para o Brasil como escravos, e «Vozes d'África», ambos publicados no livro «Os Escravos».

Também conhecido como «poeta condoreiro», numa associação ao pássaro condor cujo voo atinge grandes alturas, simbolizando a liberdade, Castro Alves morreu às três e meia da tarde do dia 6 de Julho 1871, no Palacete do Sodré, junto a uma janela banhada pelo sol.

A sua poesia, imortal, continua a aquecer-nos.

AQUI

 

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Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2017

UPP: Concerto - José Afonso uma vontade de música

UPP 2017 JAFONSO CONCERTO.jpg

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Terça-feira, 31 de Janeiro de 2017

UPP: Curso sobre José (Zeca) Afonso

UPP Zeca Cartaz.jpg

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Sábado, 5 de Novembro de 2016

Luís Veiga Leitão: Manhã

Luis Veiga Leitao3

 

Manhã

Bom dia. Diz-me um guarda.

Eu não ouço...apenas olho

das chaves o grande molho

parindo um riso na farda.

 

Vómito insuportável de ironia

Bom dia, porquê bom dia?

 

Olhe, senhor guarda

(no fundo a minha boca rugia)

aqui é noite, ninguém mora,

deite esse bom dia lá fora

porque lá fora é que é dia!

Luís Veiga Leitão

 

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Sexta-feira, 4 de Novembro de 2016

José Gomes Ferreira: Todos os punhais

Jose Gomes Ferreira_caricatura

 
Desenho de Fernando Campos (o sítio dos desenhos)

 

Todos os punhais

Todos os punhais que fulgem nos gritos,

Todas as fomes que doem no pão

Todo o suor que luz nas estrelas

Todas as lanças nos dedos da reza,

Todos os soluços para ressuscitar os filhos mortos,

Todos os desejos nos alçapões do frio,

Todas as jóias nos pescoços dos espelhos rachados

Todos os assassinos que andaram aos colo das mães,

Todos os atestados de pobreza com lágrimas de carimbo,

Todos os murmúrios do sol no quarto ao lado à hora da morte…

 

Tudo, tudo, tudo

Se condensou de repente

Numa nuvem negra de milhões de lágrimas

A humilharem-me de ternura

– eu que quero ser alheio, duro, indiferente…

 

…. Enquanto os outros dançam, cantam, bebem,

vivem, amam, riem, suam

neste pobre planeta

magoado das pedras e dos homens

onde cresceu por acaso o meu coração no musgo

aberto para a consciência absurda

deste remorso sem sentido.

José Gomes Ferreira

 

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Segunda-feira, 31 de Outubro de 2016

31 de Outubro de 1902 – Nasce Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade

Nascido em Itabira do Mato Dentro, Minas Gerais, o consagrado poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade é justamente considerado como um dos principais representantes da literatura do Brasil do século XX.

Inicia os estudos em Belo Horizonte e aos 16 anos vai estudar com os jesuítas no Colégio Anchieta, em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro.

Apesar de bom aluno, é expulso por mau comportamento e «insubordinação mental», por discordar de um professor durante a aula.

Colabora no Diário de Minas, de que chega a ser Chefe de Redacção, e integra o movimento modernista em formação, que mais tarde o leva a conhecer os modernistas paulistas Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Blaise Cendrars.

O ingresso no serviço público como chefe de gabinete de Gustavo Capanema, ministro da Educação – cargo de que se demite em protesto contra a ditadura de Getúlio Vargas – não o afasta da escrita.

Data dessa época a obra «Rosa do Povo» (Uma flor nasceu na rua!/ Passem de longe, bondes, ónibus, rio de aço do tráfego./ Uma flor ainda desbotada/ ilude a polícia, rompe o asfalto...).

Empenhado política e socialmente, Drummond de Andrade afirma-se como o poeta mais influente da literatura brasileira do seu tempo, tendo também publicado diversos livros em prosa.

AQUI

 

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Quinta-feira, 30 de Junho de 2016

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Luís de Camões

Sonetos

 

adaptado de um e-mail enviado pelo Cid

 

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Quarta-feira, 15 de Junho de 2016

15 de Junho de 1924 – 20 Poemas de Amor e uma Canção Desesperada

20-Poemas de Amor

Pablo Neruda, aliás Nefatali Ricardo Reyes, tinha apenas 20 quando editou o livro «20 Poemas de Amor uma Canção Desesperada», consensualmente considerado como uma jóia da poesia latino-americana.

Dirigidos por um homem a uma mulher – não necessariamente a mesma –, os poemas abordam a complexidade da relação amorosa, misturando a felicidade com a melancolia, a alegria da posse com a tristeza da ausência, a certeza do amor («Quero fazer contigo o que a primavera faz com as cerejeiras», poema 14), com o desespero do abandono («Posso escrever os versos mais tristes esta noite», poema 20).

Com propriedade, esta obra da juventude revela o poeta que Neruda tão bem definiu quando recebeu o Nobel de Literatura em 1971:

«Frequentemente disse que o melhor poeta é o homem que nos entrega o pão de cada dia, o padeiro mais próximo e que não se crê um deus. Ele cumpre a sua majestosa e humilde tarefa de amassar, colocar o pão no forno, dourar e entregar o pão de cada dia como uma obrigação comunitária. E se o poeta alcançar esta consciência poderá também converter-se como parte de uma colossal obra de artesão [...] e entregar com a sua mercadoria: pão, verdade, vinho e sonhos.»

AQUI

 

Pablo Neruda_Av

Pablo Neruda e Pablo Neruda

 

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Quarta-feira, 20 de Abril de 2016

42 anos depois justiça para Víctor Jara...

Víctor Jara encuentra justicia: 10 ex militares serán procesados por su homicidio y asesinato

 

«El músico, profesor, director de teatro y activista político Víctor Jara, por fin alcanzó la justicia. Y es los tribunales chilenos procesarán a diez ex militares por su secuestro y homicidio, hechos acontecidos cinco días después del golpe militar del 11 de setiembre de 1973.»

 

«Para que não se esqueça, aqui se descrevem os últimos dias da vida de Victor Jara antes da sua execução, no dia 15 de Setembro de 1973, no estádio que agora tem o seu nome. Optei por não traduzir o texto de Boris Navia que testemunhou ao vivo os acontecimentos. A descrição é impressionante. Pelo menos a mim, mesmo já conhecendo os factosvieram-me as lágrimas...»

 

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Sábado, 12 de Março de 2016

12 de Março de 1572 – Publicação de Os Lusíadas

Luís Camões2

O poema épico de Luís de Camões, escrito numa época em que Portugal e a Espanha dividiam o mundo e em que o latim era a língua dos eruditos, constitui não só a exaltação dos feitos dos portugueses com os Descobrimentos, mas também a elevação da língua pátria – o português – ao nível da epopeia marítima.

Publicada 70 anos depois da descoberta do caminho marítimo por Vasco da Gama, a obra, dedicada a D. Sebastião, imortaliza os momentos marcantes da História de Portugal segundo as regras e convenções da epopeia clássica, que Camões enriquece com a sua imensa criatividade, como quando coloca os heróis portugueses em confronto com os deuses, atribuindo-lhes uma condição divina.

Uma característica fundamental do poema é de resto a existência de um herói colectivo – o povo português – que o poeta canta no «peito ilustre lusitano». Dividida em dez cantos, o maior poema épico da língua portuguesa é internacionalmente reconhecido como uma obra prima e está traduzido em várias línguas, do chinês ao russo.

AQUI

 

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