Sexta-feira, 20 de Maio de 2011

Maio, poesia e luta (XII)

Ana Menezes

-

Aviso

[Tradução de António Ramos Rosa]

  

A noite que precedeu a sua morte

foi a mais breve de toda a sua vida

Pensar que estava vivo ainda

era um fogo no sangue até aos punhos

A sua força era tal que ele gemia

Foi quando atingia o fundo deste horror

Que o seu rosto num sorriso se lhe abriu

Não tinha apenas um único camarada

Mas sim milhões e milhões de camaradas

Para o vingarem sim bem o sabia

E então para ele ergue-se a alvorada

 

Paul Éluard

-

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Quinta-feira, 19 de Maio de 2011

Maio, poesia e luta (XI)

Ana Biscaia

-

Canção da esperança

 

Corações nossos faróis

Na noite desta batalha

Num refulgir de navalha

 Rasgai o véu aos heróis.   

 

As nuvens hão-de passar!

Penetra-as o sol da alma

Para além do próprio olhar.

E os medos de arrefecer

Espanta-os um peito calmo

À firmeza de vencer.

 

Os golpes de viva dor

Temperam a fé futura

Constante forjam o amor.

E as quedas não são fatais

Se a chama desta aventura

Em nós cresce ainda mais.

 

A luta nunca foi vã!

Os braços em liberdade

Levantam outro amanhã.

E os lábios dão a florir

Os hinos desta verdade:

É de acção nosso porvir.

 

Arquimedes da Silva Santos

-

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Quarta-feira, 18 de Maio de 2011

Maio, poesia e luta (X)

Miguel Carneiro

-

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Terça-feira, 17 de Maio de 2011

Maio, poesia e luta (IX)

Ana Biscaia

-

Entre patrão e operário

 

Entre patrão e operário,

entre operário e patrão,

o que é extraordinário

é pretender-se união.

Não vista a pele do lobo

quem do lobo a lei enjeita.

A propriedade é um roubo.

Ladrão é quem a aproveita.

Negar a luta de classes

é negar a evidência

de um mundo de duas faces,

de miséria e de opulência.

 

Armindo Rodrigues

-

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Segunda-feira, 16 de Maio de 2011

Maio, poesia e luta (VIII)

Ana Biscaia

-

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Domingo, 15 de Maio de 2011

Maio, poesia e luta (VII)

Christina Casnellie

Frase inscrita no memorial aos Mártires de Chicago na revolta de Haymarket de 4 de Maio de 1886

 -

Para vós o meu canto...

-

Para vós o meu canto, companheiros da vida!

Vós, que tendes os olhos profundos e abertos,

vós, para quem não existe batalha perdida,

nem desmedida margura,

nem aridez nos desertos;

vós, que modificais um leito dum rio;

- nos dias difíceis sem literatura,

penso em vós: e confio;

penso em mim e confio;

- para vós os meus versos, companheiros da vida!

Se canto os búzios, que falam dos clamores,

das pragas imensas lançadas ao mar

e da fome dos pescadores, 

- penso em vós, companheiros,

que trazeis outros búzios para cantar...

Acuso as falas e os gestos inúteis;

aponto as ruas tristes da cidade

a crivo de bocejos as meninas fúteis...

Mas penso em vós e creio em vós, irmãos,

que trazeis ruas com outra claridade

e outro calor no apertar das mãos.

E vou convosco. - Definido e preciso,

erguido ao alto como um grito de guerra,

à espera do Dia de Juízo...

Que o Dia do Juízo

não é no céu... é na Terra!

-

Sidónio Muralha

-

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Sábado, 14 de Maio de 2011

Maio, poesia e luta (VI)

Pedro Nora

-

A camisola

[Tradução de Manuel de Seabra]

 

Sou filho de família muito humilde,
tão humilde que duma cortina velha
me fizeram uma camisola. Vermelha.
E por causa dessa camisola
nunca mais pude andar pela direita.
Tive de ir sempre contra a corrente,
porque não sei o que se passa,
que todos os que a enfrentam
vão sempre de cabeça ao chão.
E por causa dessa camisola
não mais pude sair à rua
nem trabalhar no meu ofício
de ferreiro.
Tive de ir para o campo de jornal,
pois assim ninguém me via.
Trabalhava com a foice.
E apesar de todos os males,
sei trabalhar com duas coisas:
com o martelo e a foice.
Quase não compreendo como a gente
quando me via pela rua
me gritava: Progressista!
Eu julgo que tudo era
causado pela ignorância.
Talvez noutra circunstância
já tivesse mudado de camisola.
Mas como gosto muito dela
porque é quente e me consola,
peço-lhe que não se faça velha.

 

Ovidi Montllor

-

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Sexta-feira, 13 de Maio de 2011

Maio, poesia e luta (V)

Pedro Nora

-

Ana e António

 

A Ana e o António trabalhavam 

na mesma empresa.

Agora foram ambos despedidos.

Lá em casa, o silêncio sentou-se

em todas as cadeiras

em volta da mesa vazia.

«Neo-Realismo!» dirão os estetas

para quem ser despedido

é o preço do progresso.

Os estetas, esses, nunca

serão despedidos.

Ou julgam isso, ou julgam isso.

 

Mário Castrim

-

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Quinta-feira, 12 de Maio de 2011

Maio, poesia e luta (IV)

Bruno Borges

-

Canção dos que vivem das suas mãos

 

Não peço o de ninguém.

Apenas o meu pão,

meu ar.

 

Apenas a flor,

o fruto do que fazem minhas mãos.

 

Jesús López Pacheco

-

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Quarta-feira, 11 de Maio de 2011

Maio, poesia e luta (III)

João Chambell

-

De semântica

[Tradução de Manuel de Seabra]

 

Recentemente

na fábrica

melhoraram muito

as relações humanas.

Agora, por exemplo,

ao tirar-se o prémio semanal

a uma operária

por uma mistura de fios,

por exemplo,

ou por qualquer acto menor de indisciplina,

já não se diz impor um castigo;

diz-se:

estimular o sentido

da responsabilidade.

 

Miguel Martí i Pol

-

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