Domingo, 18 de Setembro de 2016

Terramotos, guerras e prioridades

 

Quem observasse a expressão compungida do primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, durante as visitas aos escombros do recente terramoto em Itália e nos funerais das vítimas poderia antever um enorme esforço do governo de Roma para amenizar os efeitos de uma tão terrível catástrofe nacional. O momento é muito grave, pelo que grave era também o rosto de Renzi, modestamente perdido entre os que assistiam às exéquias. Havia que esperar resposta a contento.

É certo que são muitos os que conhecem os dotes teatrais deste enfant terrible da moderna política, que aliás os vem exportando com notável habilidade para as estruturas europeias, o que se percebe pelas performances, com inebriante perfume atlantista, da alta representante para a política externa da União, Federica Mogherini. Expoentes como são dessa mistela política que dá pelo nome de «Partido Democrático» e serviu para extinguir os Partidos Socialista e Comunista da cena política italiana ainda mais americanizada, os seus comportamentos merecem atenção; no entanto, a situação decorrente do terramoto é tão dramática que seria de admitir um certo pudor humanista por parte de tão proeminentes responsáveis.

Em breve começaram a chover notícias sobre os milhões para as vítimas do terramoto e a reconstrução das zonas habitacionais afectadas. A citação de milhões, porém, às vezes tem o seu quê de traiçoeira, pode dar a sensação de zelo, empenho e grandes quantias, as quais, afinal, talvez não signifiquem o suficiente perante as necessidades e correspondam até a investimentos ínfimos quando comparados com despesas alocadas, por exemplo, a rubricas causadoras de outra espécie de terramotos, com são as da guerra e das invasões militares.

Ficámos a saber que o governo italiano desviou para socorro aos efeitos do terramoto o jackpot do Totoloto nacional, cerca de 130 milhões de euros; além disso, o governo comprometeu-se com mais 50 milhões, a que se juntam 10 milhões da chamada «solidariedade por SMS» – que além de gratificar os destinatários se somará também ao contínuo jackpot dos operadores de telecomunicações. Arredondando: 200 milhões.

Ao comum dos mortais que em Portugal e em Itália, como noutros lados, convive com as parcelas niveladas pela austeridade, 200 milhões de euros parecem uma fartura; mas sê-lo-ão sabendo que a Itália gasta cem vezes mais por ano – vinte mil milhões de euros – na contribuição para a NATO e suas guerras?

Quer isto dizer que a Itália de Renzi contribui com 55 milhões de euros por dia para a NATO, mais cinco milhões do que a verba total reservada pelo próprio governo para acudir às consequências do terramoto. Aliás, a soma das verbas recolhidas para responder à catástrofe – 200 milhões – é inferior ao valor que a Itália desvia para a NATO em menos de quatro dias.

Lendo a imprensa italiana nestes tempos percebe-se também a abundância de críticas relacionadas com a tradicional falta de fundos para responder às catástrofes naturais, a inexistência de planos de protecção civil a longo prazo, a ineficácia do processo para dotar o país com construções antissísmicas. Além da falta de efectivos, de meios e dos baixos salários dos bombeiros profissionais. Uma tragédia recorrente em cima da catástrofe pontual.

Entretanto, antes do terramoto, durante o terramoto e depois dele continuam a sair de Pisa aviões militares de transporte C-130 carregados de armas e abastecimentos para as forças especiais italianas e da NATO exportadas para cenários de guerra, entre eles o da destruição do país que se chamava Líbia. Não existem números públicos associados às despesas destas operações, uma vez que elas são secretas: dependem apenas do primeiro-ministro Renzi, à revelia do Parlamento e respectivas comissões. Ficamos apenas a saber que a verba de 20 mil milhões anuais de Itália para a NATO em 2016 – mais 2300 milhões do que em 2015, num país arrasado pela austeridade e as «reformas estruturais» – deve ser avaliada por baixo.

Não sejamos, contudo, cépticos perante as atribulações desta história, que poderá acabar bem. Tudo isto porque o primeiro-ministro Renzi garantiu, com ar menos compungido, mas ainda assim sério, sem se rir, que todo o processo de reconstrução e de combate aos efeitos do recente terramoto em Itália será conduzido «com a maior transparência».

(sublinhados meus)

AQUI

 

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 16:33
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 16 de Setembro de 2016

Kamov, um poço sem fundo...

Avião C-130H

Importaria saber o porquê de a Força Aérea, a partir dos anos 90, ter deixado de operar no combate aos fogos florestais!

 

«A aquisição e a gestão dos meios aéreos destinados ao apoio no combate aos incêndios têm-se mostrado um poço sem fundo de problemas, envolto numa nebulosa que tarda em nos mostrar a verdadeira realidade de todo este problema.

(...)

É tempo de se fazer contas, de se gerir convenientemente o dinheiro dos contribuintes e, antes de comprarem ou alugarem meios aéreos, ponderar a aquisição desses meios para que a FAP os possa gerir, criando sinergias e poupanças ao nível da manutenção das aeronaves e da formação de pilotos.»

 

Mais um crime!

E, como a esperança é a última coisa a morrer, talvez um dia venhamos a saber quem são os verdadeiros responsáveis por tudo isto e quais foram os custos.

 

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 20:33
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quinta-feira, 18 de Outubro de 2007

Encontro Nacional Sobre Protecção Civil

   O PCP realizou um Encontro Nacional sobre Protecção Civil que, para além de analisar a situação e a política nacional na área da Protecção Civil, as suas estruturas, organizações de suporte e respectivo funcionamento, o papel específico dos Bombeiros nesta área e a acção e intervenção do Partido, para uma protecção civil inteiramente ao serviço das populações, adoptou um Documento onde se apresentam 30 medidas para a concretização de uma nova política de protecção civil que aposte na prevenção e no combate aos riscos para a segurança e protecção das populações.

  

Ler Texto Integral

  

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 08:36
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 6 de Julho de 2007

Protecção Civil: Apostar na prevenção, na sensibilização e na informação pública

    O PCP defende que é necessário criar junto da população em geral uma cultura de protecção civil. E junto de todos, e, particularmente das entidades e instituições publicas, com poder de decisão, criar uma mentalidade social de prevenção.

A discussão publica dos diversos planos de emergência, a educação para a prevenção e redução de riscos a nível escolar, a existência e funcionamento das comissões municipais de protecção civil, o  acesso fácil à informação e à utilização da comunicação social para massificar conhecimentos básicos de protecção civil, são medidas que o PCP considera necessárias e urgentes. Improrta pois investir mais na área da educação, do ensino e da formação cívica.

As organizações do Partido, os eleitos autárquicos, os membros dos órgãos das Áreas Metropolitanas, os eleitos nos órgãos regionais das Regiões Autónomas, devem acompanhar as questões da protecção civil, tendo sempre presente que, ao contrário do que hoje acontece, o mais importante é criar condições para evitar os riscos e minimizar os perigos. A prevenção começa com um adequado ordenamento do território e um adequado ordenamento florestal, bem como uma adequada política de solos.

O exemplo dos fogos florestais é bastante elucidativo do investimento que ao longo dos anos tem sido feito no seu combate, maior, ano após ano, mas sem a eficácia necessária. Ao mesmo tempo, são esses esforços secundarizados pelas efectivas políticas de direita, traduzidas numa total ausência de medidas exequíveis, práticas e efectivas, o desleixo e desinteresse pelo cadastro da propriedade, o ordenamento florestal, o repovoamento com espécies não combustíveis, a retoma de áreas agrícolas tampão, a abertura e manutenção de caminhos rurais, a limpeza e a desmatação da floresta, e a sua vigilância preventiva.

A prevenção passa também pelos equipamentos e meios de previsão e antecipação dos perigos e a informação atempada das populações.

 

In Grupo de Trabalho do PCP para a Área da Protecção Civil  - Abril 2007


sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 00:34
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 4 de Julho de 2007

Protecção Civil: algumas perguntas indiscretas

    Algumas perguntas indiscretas ao cuidado da actual maioria que gere os destinos da Câmara Municipal de Penalva do Castelo:

  • Existem estruturas de Protecção Civil  a nível municipal?  Como funcionam?
  • Existe, ou está em elaboração, o plano de emergência de âmbito municipal?
  • Já houve ou está marcada a realização de exercícios, simulacros ou treinos que contribuam para a eficácia de todos os agentes de protecção civil e informação da população?
  • Qual o ponto da situação dos planos de emergência e evacuação dos estabelecimentos de ensino públicos e privados, de todos os níveis de ensino? 
  • Qual a situação dos planos de emergência de outros serviços públicos ou de utilização publica, como por exemplo: centro de saúde, repartição de finanças, conservatórias, casas de espectáculos, instalações da câmara municipal, estação dos CTT, centros comerciais, recintos desportivos e outros recintos que recebem público?

Ou será que  nada disto interessa, apesar de há muito ter sido aprovada uma LEI DE BASES DA PROTECÇÃO CIVIL? Estarão à espera que aconteça algum desastre sério, ou alguma catástrofe, para só então agirem? É a velha política, que tão maus resultados tem dado, de «Depois de casa roubada, trancas à porta»!

 

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 00:55
link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim


. ver perfil

. seguir perfil

. 26 seguidores

.pesquisar

.Agosto 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. Terramotos, guerras e pri...

. Kamov, um poço sem fundo....

. Encontro Nacional Sobre P...

. Protecção Civil: Apostar ...

. Protecção Civil: algumas ...

.arquivos

. Agosto 2019

. Julho 2019

. Fevereiro 2019

. Janeiro 2019

. Dezembro 2018

. Outubro 2018

. Julho 2018

. Maio 2018

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

.tags

. álvaro cunhal

. assembleia da república

. autarquia

. avante!

. bce

. benfica

. blog

. blogs

. câmara municipal

. capitalismo

. caricatura

. cartoon

. castendo

. cds

. cdu

. cgtp

. cgtp-in

. classes

. comunicação social

. comunismo

. comunista

. crise

. crise do sistema capitalista

. cultura

. cultural

. democracia

. desemprego

. desenvolvimento

. desporto

. dialéctica

. economia

. economista

. eleições

. emprego

. empresas

. engels

. eua

. eugénio rosa

. exploração

. fascismo

. fmi

. futebol

. governo

. governo psd/cds

. grupos económicos e financeiros

. guerra

. história

. humor

. imagens

. imperialismo

. impostos

. jerónimo de sousa

. jornal

. josé sócrates

. lénine

. liberdade

. liga

. lucros

. luta

. manifestação

. marx

. marxismo-leninismo

. música

. notícias

. parlamento europeu

. partido comunista português

. paz

. pcp

. penalva do castelo

. pensões

. poema

. poesia

. poeta

. política

. portugal

. precariedade

. ps

. psd

. recessão

. revolução

. revolucionária

. revolucionário

. rir

. salários

. saúde

. segurança social

. sexo

. sistema

. slb

. socialismo

. socialista

. sociedade

. sons

. trabalhadores

. trabalho

. troika

. união europeia

. vídeos

. viseu

. vitória

. todas as tags

.links

.Google Analytics

blogs SAPO

.subscrever feeds