Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008

Truques, Truques e ainda mais Truques

    Como já afirmei não conhecia o Tomás Vasques (T.V.). Os seus truques, vá-se lá saber porquê, lembram-me algumas brincadeiras de escola. Tudo começou aqui.
  1. Primeiro truque: associar comunistas e ditos «ex-comunistas». Fica sem se perceber qual a afinidade ideológica entre Zita Seabra e António Barreto e a minha pessoa. Será o antifascismo? Só para rir. Talvez fosse de ser um pouco mais sério.
  2. Segundo truque: definir o que são «ex-comunistas». T.V. não o faz e é pena. Ficamos sem perceber o critério. Dez anos? Vinte anos? Trinta anos? Mais? Menos? Ou será que é quando convém para demonstrar uma tese peregrina à falta de melhores argumentos?
  3. Terceiro truque: em resposta a uma correcção minha sobre a não autoria da frase citada (neste caso T.V. está inocente...), logo muda de assunto, saltando da pseudo confusão entre democracia e fascismo para a ex-URSS e a ditadura do proletariado.
  4. Nesta fase os leitores deste blog já perceberam a essência dos truques do T.V.. Saltitando graciosamente (ou nem por isso) de assunto em assunto evita ter de dar a sua opinião. Não está mal visto. Um bocado primário, mas enfim.
  5. Quarto truque: face à minha resposta fazer-se de virgem ofendida.
  6. Quinto truque: este já é muito antigo. Tem milénios e há de perdurar. Por na boca do adversário o que ele não disse. Nunca falei (aqui e aqui) de «ditadura do proletariado». Nem pró, nem contra. Mas o que interessa isso ao T.V.? Nada, niente, népias. Pelo caminho sempre serviu para me apelidar de «oportunista táctico». A propósito. Nos 11.049 caracteres em questão também não falei do Benfica. Qual a conclusão sobre o meu benfiquismo?
  7. O Vítor Dias também já disse muito sobre os truques do T.V..
 

O que gostaria de saber é o que o Tomás Vasques pensa sobre as novas leis ditas de “reforma do sistema político”. Sobre os processos de governamentalização e concentração de poderes nas áreas da segurança interna. Sobre o processo de reorganização das forças de segurança. Sobre os novos projectos de governamentalização da justiça. Sobre o cartão único. Sobre as anunciadas alterações às leis eleitorais. Concorda? Discorda? Ou nem por isso?

O que gostaria de saber é o que o Tomás Vasques pensa sobre as crescentes limitações ao direito de propaganda política. Sobre as múltiplas acções visando iniciativas de divulgação e afirmação política. Sobre as exigências ilegítimas de licenciamento. Sobre a imposição excessiva de limitações quanto a espaços (quando a lei, e só ela, claramente tipifica os locais e regras a que deve obedecer). Sobre a pretensão da obrigação de informação ou autorização prévia. Sobre a invocação de abusivos regulamentos de publicidade para impedir iniciativas de propaganda. Sobre a retirada de propaganda visual e das estruturas que lhe dão suporte. Sobre o impedimento de distribuição de documentos escritos em locais públicos, invocando a natureza privada da propriedade dos espaços e locais. Sobre a aprovação dos chamados regulamentos municipais de propaganda e publicidade. Sobre a identificação de membros do PCP e da JCP, de activistas e dirigentes sindicais e associativos por parte das forças de segurança. Sobre o levantamento de processos no sentido de criminalizar essas actividades. Concorda? Discorda? Ou nem por isso?

O que gostaria de saber é o que o Tomás Vasques pensa sobre  as medidas que, visando a alteração da correlação de forças nas relações de trabalho, se traduzem em retrocessos graves no plano da democracia participativa e nos direitos de organização e acção sindical. Sobre a proibição da actividade sindical e das comissões de trabalhadores nas empresas. Sobre a perseguição e na repressão aos dirigentes sindicais e activistas e a todos aqueles que assumem a defesa dos interesses dos trabalhadores. Sobre o refinamento dos mecanismos de pressão e repressivos limitativos do simples direito à sindicalização e do direito à greve. Sobre o Código do Trabalho. Sobre a ofensiva contra os trabalhadores da Administração Pública. Sobre a degradação das relações laborais dos profissionais da comunicação social. Sobre a imposição da Lei do Estatuto do Jornalista ou da chamada flexigurança. Concorda? Discorda? Ou nem por isso?

O que gostaria de saber é o que o Tomás Vasques pensa sobre  as medidas relativas à escola com a desvalorização da participação dos estudantes nas suas estruturas associativas. Sobre as crescentes limitações nos processos eleitorais. Sobre a negação do direito à propaganda. Sobre as pressões inadmissíveis para fazer abortar as suas formas de luta. Sobre a reforma do ensino superior. Concorda? Discorda? Ou nem por isso?

Tudo isto e muito mais tem que ver com liberdade e democracia em Portugal. Digo eu.

               

Será que o Tomás Vasques nos vai dar, nem que seja sobre uma só questão, a sua opinião?

               

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 16:05
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Sexta-feira, 26 de Outubro de 2007

Leitura Obrigatória (XXXVIII)

    Manuel da Silva 30 anos de Vida e Luta na Cladestinidade (Entrevista-depoimento)

A vida de Manuel Luís da Silva Júnior, é parte integrante da história viva do Partido Comunista Português, construída por homens e mulheres que, com o seu entusiasmo e inteligência, a sua dedicação e esforço, e por vezes, com o sacrifício da própria vida, lutam por uma sociedade mais justa, mais fraterna, liberta da exploração do homem pelo homem.

Nesta sua entrevista-depoimento, Manuel da Silva transporta-nos das masmorras de Angra do Heroísmo às lutas dos corticeiros do Algarve; da peregrinação pelo país com o seu táxi ao serviço do Partido, à organização do aparelho clandestino de fronteira...

Mas Manuel da Silva será sempre recordado como o comunista que, durante mais de dez anos coordenou a actividade dos prelos clandestinos do PCP, que assegurou a logística das tipografias, renovando o chumbo dos caracteres gastos no rolar das lutas da classe operária – prelos comunistas que durante a longa noite fascista iluminaram o caminho de um povo.

  

In Edições «Avante!»

   

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publicado por António Vilarigues às 00:41
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Sexta-feira, 12 de Outubro de 2007

Leitura Obrigatória (XXXI)

    Relatório sobre a Manifestação de 15 de Abril no Porto contra a Carestia de Vida (DORN do PCP)

A manifestação de 15 de Abril de 1972 ocorreu num momento político particular, no qual se tornava evidente o avolumar de contradições e dificuldades no interior do regime fascista. A situação social apresentava sinais de acelerada degradação. A base de descontentamento popular alargava-se. A intervenção e a luta dos trabalhadores crescia e o movimento sindical dava importantes passos na sua organização e intervenção contra o regime. Registava-se uma ampla mobilização social e política da juventude contra o fascismo e crescia o protesto contra as guerras coloniais. Na situação marcavam também presença, contraditoriamente, atitudes paralisantes em alguns sectores da oposição que ainda manifestavam ilusões em relação à chamada «primavera marcelista» ou que acreditavam num processo de desagradação automática da ditadura.

As repercussões desta importante jornada de luta foram de grande importância para animar e dar confiança ao movimento antifascista no qual os comunistas desempenhavam um papel decisivo.

  

In Edições «Avante!»

  

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publicado por António Vilarigues às 00:47
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