Quinta-feira, 20 de Outubro de 2016

Ameaças

Mapa bases militares NATO_2

O Chefe de Estado Maior do Exército dos EUA, Gen. Milley, ameaçou num discurso oficial: «quero ser muito claro com aqueles que se tentam opor aos Estados Unidos […] vamos travar-vos e vamos esmagar-vos de forma mais dura do que alguma vez vos tenham esmagado» (no YouTube, e citado em www.military.com, 5.10.16). A ameaça é dirigida à segunda maior potência nuclear do planeta, a Rússia. Outra ameaça veio do porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros dos EUA: «grupos extremistas irão expandir as suas operações, incluindo – sem qualquer dúvida – ataques a interesses russos, talvez mesmo contra cidades russas» (NYT, 29.9.16). Um editorial do New York Times (29.9.16) tem o título «O Estado fora-da-lei de Vladimir Putin». Porquê tamanha histeria contra a Rússia capitalista?

O acordo de cessar-fogo na Síria, assinado por Kerry e Lavrov, foi enterrado em poucas horas pelo ataque dos EUA que matou quase 100 soldados sírios que defendiam a cidade de Deir-ez-Zor, cercada pelo ISIL. Ataque que Kerry afirmou ter sido um «erro», mas sobre o qual o Chefe de Estado Maior General dos EUA, Gen. Dunford, tem outra opinião: «pode ser que, após concluída a investigação [...] digamos que voltaríamos a fazer o que fizemos» (Reuters, 19.9.16). A aparente insubordinação militar vinha de trás: o New York Times (13.9.16) deu (timidamente) conta duma conferência de imprensa no Pentágono em que os militares dos EUA se recusavam a prometer cumprir a sua parte do acordo assinado por Kerry. Já aquando da sua nomeação, o Gen. Dunford afirmara que «a Rússia era a principal ameaça aos EUA», referindo «como as mais importantes ameaças seguintes à segurança dos EUA, e por essa ordem, a China, a Coreia do Norte e o Estado Islâmico» (Washington Post, 9.7.15). O ministro da Defesa de Obama concorda: «Ashton Carter listou a hierarquia de ameaças aos Estados Unidos, que incluía a China, a Coreia do Norte, o Irão e, por fim, a luta contra o terrorismo. Mas o seu alvo prioritário foi a Rússia» (editorial do NYT, 3.2.16). Num artigo na USA Today (11.2.16), com o título «Wesley Clark: Na Síria, a Rússia é a verdadeira ameaça», o ex-chefe da NATO na guerra contra a Jugoslávia afirma «temos de reconhecer que [...] a ameaça maior é a Rússia». Afirmando que «Bashar al-Assad e a Rússia estão a ganhar no terreno», Clark acrescenta: «não podemos deixar que [...] os jihadistas "bons" financiados pelos nossos aliados sejam marginalizados». A ficção da «luta contra o terrorismo» deixa cair a máscara.

Mapa bases militares NATO

Há anos que os EUA impõem pela força a sua vontade. Quem se recusa a cumprir ordens é vítima de sanções económicas, «revoluções coloridas», exércitos terroristas a seu soldo, invasões e guerras. Poucos são hoje os governos que se atrevem a votar contra as potências imperialistas na ONU. A Rússia, para lá do seu sistema social ou das questões de classe, é objecto dum cerco cada vez mais evidente. A NATO foi alargada até às suas portas. Os vassalos dos EUA provocam-na para a guerra (Geórgia em 2008, Ucrânia em 2014, Polónia em 2016). Quem se pode surpreender se depois de ver o destino da Jugoslávia, Iraque ou Líbia, os dirigentes russos chegarem à conclusão que enfrentar os EUA é uma questão de vida ou de morte para o seu país? Salvar o (legítimo, reconhecido pelos próprios EUA!) governo sírio e travar o monstro da guerra imperialista na Síria é tentar impedir que ele chegue ao seu próprio país. Para os EUA, uma derrota da sua guerra interposta contra a Síria seria um golpe profundo no seu poderio hegemónico. É por isso que o Gen. Milley invectiva contra «aqueles que se tentam opor aos Estados Unidos» e ameaça «esmagá-los».

Mas a Rússia, ao contrário de anteriores alvos, tem armas nucleares. A parada é enorme, e os perigos são assustadores. Não há guerras inevitáveis. Mas há um partido da guerra, que ganhou força com a crise do capitalismo. Só quem ignora a História e a natureza do imperialismo pode estar descansado. Nunca a luta pela paz e contra a loucura belicista foi tão urgente.

(sublinhados meus)

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Quinta-feira, 11 de Abril de 2013

Coreia: Tensão na Península

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1 - O Partido Comunista Português manifesta a sua preocupação com os recentes acontecimentos e o aumento da tensão na Península da Coreia que constituem uma séria ameaça para a paz nesta região e no mundo. O PCP apela à contenção de todas as partes e ao retomar imediato de negociações baseadas no reconhecimento e respeito mútuo.

2 - A península coreana encontra-se dividida há mais de meio século como resultado de uma brutal guerra, fruto da ingerência e agressão dos EUA. Na Coreia do Sul estão estacionados, há mais de seis décadas, dezenas de milhares de soldados e sofisticado equipamento militar, incluindo não convencional, dos EUA. É conhecido o historial de ingerências, pressões e provocações por parte da Coreia do Sul e dos EUA à República Democrática Popular da Coreia, quer no campo económico e político, quer militar. O PCP reafirma a sua posição de que somente um processo político de diálogo entre iguais, livre de ingerências e pressões alheias aos interesses do povo coreano, poderá abrir caminho à reunificação pacífica do País e à construção de uma Coreia unificada, livre de bases e forças militares estrangeiras.

3 - Alertando para os perigos resultantes de ameaças e retórica belicistas, da deslocação de poderosos meios militares dos EUA para a região da Ásia-Pacífico e da realização de exercícios militares claramente hostis e provocatórios, o PCP apela a todas as partes envolvidas para que se abstenham de levar a cabo acções de consequências imprevisíveis para os povos da região e para a segurança internacional.

O PCP sublinha que é na política agressiva do imperialismo que radica a escalada de tensão e desestabilização na região, independentemente das preocupações com o modo como os dirigentes da República Democrática Popular da Coreia têm lidado com o incumprimento de acordos, medidas hostis e crescentes provocações levadas a cabo pelos EUA.

O PCP chama simultaneamente a atenção para o facto de que os mais recentes acontecimentos na península coreana não poderem ser dissociados do processo de militarização do Pacífico sul conduzido pelos EUA com a deslocação de vultosos meios militares e o reforço da sua presença nas várias bases militares da região, numa clara relocalização geoestratégica visando a República Popular da China, nem da cada vez maior agressividade e belicismo manifestados pelas potências imperialistas em várias regiões do planeta, como o Médio Oriente e a África.

4 - O PCP chama a atenção para o facto de que as guerras de agressão levadas a cabo nos últimos anos pelas potências da NATO contra países que haviam destruído os seus arsenais de armas não convencionais (como o Iraque e a Líbia) e o desenvolvimento dos arsenais nucleares de alguns países à margem do tratado de não proliferação nuclear (como sejam os casos de Israel, Índia e Paquistão) são inegáveis factores de estímulo à proliferação de armas nucleares, químicas e biológicas.,

O PCP reafirma a sua posição de defesa de um mundo livre de armas nucleares, e recorda que o tratado de não proliferação preconiza o simultâneo desmantelamento dos arsenais nucleares existentes no Mundo.

5 - O PCP lamenta as posições do Governo português, expressas pelo Ministro Paulo Portas no quadro da sua visita ao Japão, de total e acrítico alinhamento com as posições dos EUA, posição que não contribui para o necessário desanuviamento da tensão na península coreana.

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«Escrever neste momento sobre a escalada de confrontação na Península da Coreia é a vários títulos um risco, mas um risco que é necessário correr. A escalada de acusações, ameaças e movimentações militares, sendo infelizmente recorrente na região, atingiu uma tal dimensão, que a situação pode ficar fora de controle e conduzir à guerra.»

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Sábado, 6 de Abril de 2013

Península da Coreia: Palavras de guerra

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Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

A questão nuclear

     Se é inegável que a realização de um ensaio nuclear é em todos os casos condenável e aponta no sentido contrário ao da não-proliferação, não é menos verdade que existem outros e maiores perigos de uma aventura militar com utilização de armas nucleares. Existem no mundo cerca de 30 000 ogivas nucleares com capacidade para destruir o planeta, das quais a maioria pertence aos estados membros da NATO (com destaque para os EUA que sozinhos detêm mais de 10 500) e seus mais directos aliados, como Israel. Na sua recente cimeira de Estraburgo/Kehl a NATO afirmou: «Dissuasão, baseada numa combinação adequada de capacidades nucleares e convencionais, continua a ser um elemento central da nossa estratégia global».

                                   

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