Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Desemprego e Lay Off: um Governo sem respostas

    1. Os números do desemprego em Portugal divulgados no passado dia 17 – mais de 547 mil desempregados – são arrepiantes. Por detrás deste número imenso, convém ter bem essa noção, estão mulheres e homens, novos e velhos, famílias inteiras.

Estamos perante um triste registo histórico de 9,8% de desempregados em sentido restrito. O que por si só constitui a confirmação de que a situação do país continua a agravar-se. E de que não há saída para o actual quadro de crise económica e social, mantendo as mesmas políticas que o Governo PS quer prosseguir.

Mas se ao número de desempregados em sentido restrito, lhe adicionarmos os chamados (por «eles») «inactivos disponíveis», ficaremos com uma noção bem mais real da verdadeira dimensão desta verdadeira catástrofe social. É que o número de desempregados dispara para uns 12,3%. Ou seja, 696.000 homens e mulheres sem emprego! Só no último ano (entre o 3º trimestre de 2008 e o 3º trimestre de 2009), foram destruídos mais de 178 mil postos de trabalho.

Trata-se de um aumento descontrolado do número de desempregados. O que demonstra que as medidas tomadas pelo Governo PS nos últimos meses se revelaram incapazes de conter o crescimento do desemprego. Mais. Foram e são elas próprias um factor de agravamento da situação.

2. É o caso do Lay Off. A pretexto da crise têm sido muitas as entidades patronais que têm recorrido a este expediente. Conseguem assim matar vários coelhos de uma só cajadada: reduzir as remunerações dos trabalhadores, exigir horas extraordinárias não pagas, aumentar os ritmos e a intensidade do trabalho, aumentar a produção e os lucros.

É o que se chama ganhar em todos os tabuleiros. Por um lado, recorrem aos dinheiros públicos, em particular da Segurança Social. Por outro, enriquecem ilicitamente à custa de quem trabalha.

Quanto aos trabalhadores, esses ficam, em muitos casos, a trabalhar sem receber, impedidos, muitas vezes, de garantir a sua própria subsistência. Mas mantendo em simultâneo todas as responsabilidades: pagamento da habitação, da água, da luz, da alimentação.

Há trabalhadores que vêm os seus horários reduzidos em 28 horas mensais, passando ilegalmente a receber apenas 2/3 da sua retribuição. O que significa trabalhar 30 ou mais horas sem receber! Há trabalhadoras que, em períodos de redução de actividade, ficam 8 meses sem receber os salários. Há trabalhadores a quem são aumentados os ritmos e intensidade de trabalho. Como se vê, na prática, tudo é permitido às entidades patronais.

Hoje percebemos todos que o lay off foi claramente usado para fins políticos. Veja-se o caso da Qimonda, na Delphi e na Rohde. Nestas empresas houve apoios públicos e o adiamento de «soluções» para depois das batalhas eleitorais. Passado esse período, o recurso a este mecanismo transformou-se (ou está em vias de se transformar) em despedimento colectivo de centenas de trabalhadores. Tudo isto, sem que haja um efectivo controlo por parte das autoridades.

Ah é verdade: os lucros dos cinco maiores bancos com actividade em Portugal, no final do terceiro trimestre, atingiram 5 milhões de euros por dia. Estamos conversados…

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

In "Jornal do Centro" - Edição de 27 de Novembro de 2009

                                                                                            

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publicado por António Vilarigues às 00:08
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