Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Crise: o que nos dizem os números

    O INE divulgou recentemente os resultados das contas nacionais referentes ao primeiro trimestre de 2009. Confirma-se a queda do PIB de 3,8% em termos reais. Dois factores, entre outros, contribuíram de forma marcante para esta evolução. O grande trambolhão verificado no Investimento, que caiu em termos homólogos 19,8%, e a queda no Consumo Privado.

A queda registada no Investimento é muito preocupante. Para termos uma ideia do que isso representa, diga-se que o volume de investimento efectuado no 1º trimestre do ano caiu para níveis do primeiro trimestre de há 12 anos atrás.

A evolução registada na Procura Interna tem reflexos naturalmente na Produção, com quedas muito fortes na Indústria, na Construção, nos Transportes e Comunicações, no Comércio, Restaurantes e Hotéis. Só o sector das Actividades Financeiras e Imobiliário cresceu neste 1º trimestre.

Em relação ao emprego, de acordo com as Contas Nacionais agora divulgadas, entre o 1º trimestre de 2008 e o 1º trimestre de 2009 perderam-se 82 900 postos de trabalho.

Estamos perante um gravíssimo problema. O desemprego em sentido lato fixa-se já nos 11%, correspondendo a cerca de 625 mil desempregados. Pela sua parte, o contributo do governo do PS cifra-se na eliminação de mais de 50 mil postos de trabalho nas empresas públicas e na Administração Pública.

Não há muito José Sócrates ainda falava da criação de 133 mil postos de trabalho. Mas o verdadeiro balanço a quatro anos de governo nesta matéria é de menos 16 100 empregos e uma taxa de desemprego jovem de cerca de 20,3%.

É perante esta dramática situação que o governo mantém uma inaceitável recusa da proposta do PCP de alteração das regras restritivas de acesso ao subsídio de desemprego. Regras que este governo impôs e que fazem com que cerca de 200 mil desempregados não tenham direito a subsídio.

Estes números são um retrato de uma política de drásticos cortes no investimento e de desprezo pelos sectores produtivos nacionais, cuja evolução negativa é cada vez mais preocupante. Uma evolução que, em grande medida, está a determinar a crise económica e social que hoje vivemos. E que é a mais decisiva das causas do atraso relativo de Portugal e do empobrecimento dos portugueses.

A questão central da defesa e valorização das nossas actividades produtivas, e com elas do emprego, foi, com este governo do PS, tal como nos anteriores, uma preocupação secundária. Nestes anos de governação maioritária PS e PSD os sectores eminentemente produtivos – agricultura, silvicultura, pescas e indústria – viram o seu peso na produção nacional reduzido praticamente a metade.

Apenas floresceram as actividades financeiras e imobiliárias que com este governo na direcção do país passaram a superar a indústria. Recorde-se o anúncio pelos principais bancos privados de ganhos de quase cinco milhões de euros/dia no primeiro trimestre deste ano. 

A extensão, profundidade e duração da crise em que o país hoje se encontra não pode ser desligada desta realidade. Realidade que acabou por conduzir à crescente substituição da produção nacional pela estrangeira e à subcontratação desvalorizada da economia portuguesa.

Bem alertaram alguns, nomeadamente o PCP e a CDU, há 4 anos atrás que o défice das contas públicas era UM problema, mas não O problema central. Portugal precisava de aumentar o investimento, as receitas, defender, modernizar e apoiar as micro, pequenas e médias empresas. A vida deu-lhes razão! 

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

                                                                                      

In "Jornal do Centro" - Edição de 26 de Junho de 2009

                                                                                         

sinto-me:
publicado por António Vilarigues às 00:01
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